Gazeta Esportiva

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Bristol (EUA) – Aqui nos Estados Unidos sou membro do “board” de um triathlon infantil, o Kids Who Tri Succeed, do qual minha filha Rebecca Werneck Stephenson é a diretora. No Brasil, no campo do atletismo, há uma iniciativa semelhante, com Rodolfo Eichler e Suzana Gnaccarini à frente.

Afinal, Rodolfo e eu somos veteranos em organização de eventos, desde os tempos da Maratona Atlântica-Boavista e do lançamento do triathlon no Brasil.

Abaixo, algumas informações e explicações sobre este evento, no Rio de Janeiro, bairro da Urca:

“A Corrida Mirim teve a parceria da Federação de Atletismo do Rio de Janeiro, cujo presidente é Carlos Alberto Lancetta, e da Escola de Educação Física do Exército, com o comandante Romaguera Pontes à frente. Ela reuniu quase 400 crianças nese último sábado, competindo em cross country.

Estiveram presentes treinadores e professores com suas equipes: Rio 2016, Vasco da Gama, Estação Conhecimento, Instituto Mangueira do Futuro, Ginásio Experimental Olímpico, EM Estácio de Sá, EM Silveira Sampaio, Escola de Bola Santa Marta, Fundação Esporte Macaé, Associação Esportiva Santa Mônica, Projeto Vila Parque da Cidade.

A Corrida Mirim é um programa desenvolvido pela SSG Educação. Não se limita a um enfoque de entretenimento ou meramente esportivo. É voltado para os problemas conjunturais do ambiente urbano, em três etapas do processo educativo: a) fase logística de preparação que envolve pesquisa ambiental, com o fazer artístico; b) o evento esportivo num ambiente aberto aprazível; c) a finalização onde esse percurso se materializa e se corporifica dando suporte ao imaginário e formação abstrata ligada ao desenvolvimento individual.”

O evento teve orientação técnica do Comitê de Cross Country da Federação Internacional de Atletismo e apoio da revista Trisport.

Diz-me o Rodolfo Eichler que no segundo semestre haverá nova Corrida Mirim, com equipes da Venezuela, Chile e Paraguai.

AFP

AFP

Bristol (EUA) – A Premier League é o mais bem vendido (eu não diria necessariamente o melhor em termos técnicos) Campeonato de Futebol no mundo. É exibido em 212 países e territórios, pela televisão, num total de 720 milhões de lares.

É uma vitória em termos de marketing, rendendo polpudíssimos rendimentos aos clubes não apenas pelos direitos de transmissão mas também através da venda de camisas e toda sorte de quinquilharias nos quatro cantos do planeta.

Enquanto isto o Corinthians é o campeão do mundo, mas ninguém por aqui está ansioso para ver os seus jogos.

Ao contrário, ainda neste fim-de-semana, como digo em mais de um “post” abaixo, teremos o Chelsea e o Manchester City se enfrentando aqui numa exibição. Todo o verão do Hemisfério Norte os times ingleses vem faturar nos Estados Unidos.

O número de pessoas que assistem aos jogos da Premier League cresce de ano para ano. Na outra direção, aumenta também o número de corporações nos Estados Unidos que passaram a investir no futebol inglês.

Isto talvez tenha levado alguns clubes ingleses a adotaram alguns hábitos americanos que são simplesmente tolos, como o de cantar o Hino Nacional em jogos entre equipes domésticas, como aconteceu recentemente na final da FA Cup.

Para que tocar o Hino Nacional quando os dois times são do mesmo país? Tal hábito nos Estados Unidos começou na Segunda Guerra Mundial, como uma propaganda do governo para aumentar o patriotismo da população. Tornou-se tão arraigado que hoje em dia até em competições de um colégio contra outro colégio tocam o “Star-Spangled Banner”.

Espero que no Brasil não enveredemos pelo mesmo caminho. Deixem nosso querido Uvirudu para competições entre seleções internacionais.

Outro hábito tolo dos americanos é o das “cheerleaders”. Acho curioso que num país em que as mulheres são tão ciosas de não serem usadas como “objetos sexuais”, o uso de “cheerleaders” seja tão comum. Pais e mães fazem questão de que suas filhas sejam escolhidas como “cheerleaders”, inconscientes de que se trata de uma total objetificação delas.

Na Inglaterra, ao menos a experiência das “cheerleaders” não parece caminhar para o sucesso. O New York Times desta terça-feira, que trás uma reportagem de nada menos de três páginas sobre a Premier League (vejam como o futebol está penetrando aqui) conta que, em um jogo recente na Inglaterra, colocaram “cheerleaders” no gramado, mas o tiro saiu pela culatra.

Enquanto as meninas se rebolavam, a plateia entrou num coro de “prostitutas, prostitutas” e só parou quando elas foram embora.

Ofensa à parte, foi um eficaz remédio contra o espírito de imitação.

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Acaba de ser confirmado nesta terça-feira que o Manchester City vai ser dono de um time de futebol em Nova York, o New York City Football Club, e que ele começará a disputar a Major League Soccer em 2015.

A única diferença em relação ao que eu já divulguei anteriormente é que o Yankees, time de beisebol, deterá 25% das ações do novo clube.

A razão para tanto é política. O Manchester City é de propriedade da família real de Abu Dhabi e há alguma resistência quanto à ideia de xeques árabes serem donos de um time em Nova York, uma cidade de grande população judia.

Mas o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que é judeu, não vê nenhum problema nos novos proprietários e tem ajudado o xeque Mansour, representante da família real no Manchester City, em suas negociações para construir um estádio na cidade.

O Manchester City, que fará um amistoso em Nova York neste próximo sábado, contra o Chelsea, deverá investir cerca de 100 milhões de dólares no New York City Football Club, que se tornará a 20ª equipe da Major League Soccer.

O novo estádio deverá ser construído na área de Flushing Meadows-Corona Park. Antes, porém, o Manchester City, o Yankees e o prefeito Michael Bloomberg precisarão dobrar a resistência de moradores da área, que acham que o Corona Park deve ser reservado ao uso público.

Bristol (EUA) – Como eu abordei o tema da Corrida da Ponte, de Niterói ao Rio, em “post” abaixo, não custa dar o resultado da prova, com as principais colocações.

O mineiro Giovani dos Santos conquistou o bicampeonato na prova, num percurso de 21,4 km. Campeão de 2011, ele completou a corrida em 1:05:02, bem à frente do baiano Giomar Pereira da Silva, segundo colocado, com 1:05:27. No feminino, a alagoana Marily dos Santos foi a brasileira mais bem colocada, chegando em terceiro lugar, com 1:18:24.

A prova contou pontos para o Ranking CAIXA/CBAt de Corredores de Rua-2013.

- A competição foi muito boa. O clima estava ótimo, a temperatura estava boa e eu não peguei vento em cima da ponte. Uma pena que não dá para aproveitar a paisagem – comentou o campeão.

Na prova feminina, Marily dos Santos estava tentando o tricampeonato, mas apesar do esforço a primeira colocação ficou com a queniana Dorcas Kiptarus, que fechou a corrida em 1:17:42.

- Tentei o tri, infelizmente não deu. Mas estou feliz com o resultado. Não é fácil ser a primeira brasileira e ver a cada ano o nível da prova aumentar – disse Marily.

Classificação Masculina
1) Giovani dos Santos (BRA) – 1:05:02
2) Giomar Pereira (BRA) – 1:05:27
3) Mathew Kiptoo Cheboi (KEN) – 1:05:38
4) Valdir Oliveira (BRA) – 1:06:19
5) Eliezer de Jesus (BRA) – 1:06:20

Classificação Feminina
1) Dorcas Jepchirchir (KEN) – 1:17:42
2) Failuna Abdi Matanga (TAN) – 1:18:06
3) Marily dos Santos (BRA) – 1:18:24
4) Lucélia de Oliveira (BRA) – 1:18:41
5) Caroline Jepkemei (KEN) – 1:19:07

Bristol (EUA) – Como prometi aos leitores, segue o relato de meu “espião”, Rafael Proença, na Corrida da Ponte, que disputou mais uma vez, neste domingo, de Niterói ao Rio. O relato é especialmente importante pelo fato de que este foi o último ano em que a prova teve parte de seu percurso na Avenida Perimetral, que está em processo de demolição para a Olimpíada de 2016.

Acho que a Perimetral já vai tarde, pois é muito feia. Pena é que, pelo que li nos jornais, no chamado “Porto Maravilha” vão construir um gigantesco pier em “Y”, que prejudicará a visão de pontos turísticos e históricos do local. Dizem que há ainda uma pequena esperança que construam o pier em “E”, em vez de “Y”, o que salvaria uma boa parte da paisagem.

Espero que prevaleça o bom senso. Quando às ótimas observações do Rafael Proença sobre a Corrida da Ponte, comecem a ler agora:

“Escrevo ainda sob o calor da Corrida da Ponte 2013, corrida esta que marcou a despedida oficial da Perimetral das corridas de rua do Rio de Janeiro. Tirando bastante proveito das condições climáticas favoráveis – algo não muito comum em terras fluminenses mesmo em se tratando de uma época do ano em que estamos no outono – assinalei meu melhor tempo na distância dos 21 km. Na verdade, segundo meu GPS a distância final foi de 21,65 km, ou seja, duzentos metros a mais do que prometia a organização, mas que de longe deixa de ser uma falha da mesma. Após 1h43m48, completei o percurso que se iniciou no Caminho Niemeyer, em Niterói, e teve a chegada na passarela do Museu de Arte Moderna, no Aterro do Flamengo, já em terras cariocas.

Os 21 km entre Niterói e Rio estão longe de serem fáceis. Se os aproximadamente dois quilômetros de subida do vão central da Ponte não são de assustar, pois não é uma subida muito íngreme, os oito quilômetros finais na Perimetral precisam ser bem trabalhados psicologicamente. Alguns atletas desavisados vão com a única intenção de “correr a Ponte” e se esquecem de que após o décimo quarto quilômetro a mesma se acaba, desembocando na Perimetral, ou para os mais acalourados, a “Perinfernal”. A Perimetral tem um asfalto diferenciado que absorve mais calor aumentando a sensação térmica, além de ser recheada de subidas, descidas e curvas a todo momento. Certamente muitos corredores estarão mais aliviados com a demolição desta, o que, espero, não comprometa as próximas edições da Corrida da Ponte. De minha parte, embora reconheça esse lado “ingrato” do elevado, admito que até gostava dele. Diria que tivemos sempre um bom combate, algumas lutas épicas travadas nesses quatro anos em que me meti a ser um corredor de rua.

Sobre a organização, acho que houve uma queda em relação ao ano passado. Um tropeço crucial foi a divulgação da informação de que haveria um posto de bebida esportiva no sexto quilômetro, o que acabou não se confirmando. Os atletas só encontraram o primeiro posto desta no décimo quinto quilômetro, algo que compromete em muito uma estratégia montada previamente. Em 2012, foram dois postos de bebida esportiva, um primeiro em copo aberto e o segundo em sacolé. Copo aberto sempre é um problema, pois ou você diminuiu a velocidade para beber, ou se dá um verdadeiro banho com aquilo. Este ano, tanto no primeiro, quanto no segundo posto de hidratação com bebida energética – o segundo foi no décimo oitavo quilômetro, algo também não previsto inicialmente – foram oferecidos copos abertos. No mais, já após a descida da Perimetral na Avenida General Justos, último quilômetro da corrida, vi duas pessoas passando mal. Uma delas, uma mulher que se debatia e chorava no chão, provavelmente com câimbras. Mais à frente, um sujeito vestido da cabeça aos pés de super-heroi parecia pronto para desmaiar, enquanto era amparado por alguns outros atletas. Nos dois casos, não vi ninguém da equipe médica por perto. Metros adiante tentamos avisar a alguns membros da organização sobre o que acontecia, mas a velocidade com que um destes sujeitos tentava se aproximar era bem menor do que a situação pedia. O caso dos guarda-volumes também precisa ser resolvido, pois muitos corredores, inclusive eu, precisaram esperar até que seus pertences chegassem nas vans e nos micro ônibus vindos de Niterói. O mesmo já ocorrera na edição passada e a julgar pelas reclamações, também seu deu em 2011.

Ainda assim, tirando os percalços, a Corrida da Ponte deve ser considerada um sucesso, por nos permitir correr por um lugar que 364 vezes ao ano é impossível. E mesmo com as críticas, acho que a Spiridon merece uma nota de 7,5 a 8,0, pois é preciso reconhecer que organizar uma corrida em um local projetado para que não haja circulação de pessoas como a Ponte Rio-Niterói é um desafio e requer um grande aparato tanto de pessoas como de estrutura física. O resultado de hoje serve para colocar mais uma pulga atrás da minha orelha sobre correr ou não a Maratona do Rio em julho, estreando na distância mais nobre das corridas de rua. Pela prova carioca não ser das mais fáceis, tinha pensado em fazer esta estreia em Porto Alegre ou Buenos Aires. Mas coloquei na cabeça que quero os meus amigos e parentes me aplaudindo no quilômetro final e para isso precisarei correr em casa mesmo. Diria que a sorte está praticamente lançada.”

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Passei os olhos nas manchetes esportivas em jornais na Inglaterra, na França, na Espanha, na Itália, em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos. Em todas elas (um pouco menos no Brasil) o destaque era para a saída de José Mourinho do Real Madrid e sua quase certa volta ao Chelsea.

Não preciso procurar jornais de outros países para comprovar que Mourinho realmente soube construir ao redor de si uma imagem que atrai as atenções da mídia, nas vitórias nas derrotas. Em sua passagem pelo Real Madrid, mais pelas derrotas.

Ao ver que todos dão como certa sua volta ao Chelsea, de onde saiu brigado com o dono, o oligarca russo Roman Abramovich, lembrei-me de uma antiga canção de Frank Sinatra, com o título de “The Second Time Around”.

A ideia na canção é que o amor é mais gostoso na segunda vez. Na primeira vez você briga e vai embora, mas na segunda vez, você está mais com os pés no chão, “de volta a uma velha casa amiga”.

Mas muita gente acha que José Mourinho mostra-se cada vez mais vaidoso e Roman Abramovich cada vez mais impaciente. A imprensa inglesa, que na primeira vez deixou-se hipnotizar pela personalidade de José Mourinho, agora mostra-se muito mais cética.

Coloco-me entre aqueles que acreditam que o português vai se dar mal. Ao encerrar esta pequena nota, lembro-me que Felipão também está na Seleção Brasileira “the second time around”.

Acho que a canção de Sinatra corre o risco de um desmentido duplo.

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Como se esperava, o New York Knicks foi eliminado sábado à noite pelo Indiana Pacers nas semifinais da Conferência do Leste.

Já o San Antonio Spurs no domingo abriu muito bem sua final na Conferência do Oeste diante do Memphis Grizzlies. Foi fácil: 105 a 83. Nos minutos finais, entraram os reservas na quadra, inclusive Tracy McGrady, ovacionado pela torcida.

Mas nada disto aconteceu sem que o técnico Gregg Popovich desse uma bronca no time. Por duas vezes, o Spurs deixou o Grizzlies encostar, em seis pontos e em quatro pontos. Na segunda, Popovich pediu tempo e exigiu que o time mostrasse aplicação e entusiasmo. Foi o que bastou para que a equipe voltasse a fazer pontos de todos os pontos da quadra, sobretudo em arremessos de três.

Tiago Splitter teve uma atuação discreta ofensivamente, com apenas um ponto e duas assistências, em pouco mais de 16 minutos na quadra, mas defensivamente foi peça fundamental em um esquema que conseguiu deixar o ala do Grizzlies, Zach Randolph, com apenas dois pontos em toda a partida. Splitter saiu relativamente cedo do jogo, depois de cometer suas quarta falta, duas delas seguidas sobre Marc Gasol.

AFP

AFP

Bristol (EUA) – O Campeonato Inglês chegou à sua última rodada com dois brasileiros destacando-se como os melhores em campo.

Um foi Philippe Coutinho, autor do único gol na vitória do Liverpool sobre o Queens Park Rangers. Diga-se a bem da verdade que Philippe Coutinho marcou outro gol, mas o juiz não viu que a bola entrou.

Outro foi Oscar, melhor em campo na partida em que o Chelsea garantiu sua classificação para a fase principal da próxima Liga do Campeões, ao derrotar o Everton por 2 a 1, com gols de Juan Mata e Fernando Torres.

Quem também brilhou neste jogo, ao fim, foi outro brasileiro, David Luiz, ao manifestar de público seu agradecimento pelo trabalho do técnico Rafa Benitez, enquanto outros jogadores importantes que também falaram, como o vice-capitão (às vezes capitão Frank Lampard) se mostraram omissos.

Rafa Benitez se despede com o título na Europa League e o fundamental terceiro lugar na Premier League, depois de pegar o time em circunstâncias difíceis e apesar de enfrentar o ódio da torcida. Ao ter a coragem de reconhecer que Rafa Benitez fez bom trabalho, David Luiz mostrou personalidade suficiente para ser o novo capitão do Chelsea.

Vamos ver se ele será escolhido por José Mourinho, que deverá voltar como técnico em meados de junho. Frank Lampard, que nada disse sobre Rafa Benitez, vem se rasgando em elogios ao português.

Bristol (EUA) – Ligo a televisão americana e vejo uma entrevista de Romário à BBC de Londres em que o ilustre parlamentar, falando em português, diz que o Brasil “abriu as pernas para a FIFA”.

É uma oratória ao estilo dos já célebres “feito nas coxas”, do prefeito carioca Eduardo Paes, e “chute na bunda”, de Jérôme Valcke, Secretário-Geral da FIFA.

Rui Barbosa remexeu-se em sua sepultura.

AFP

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Bristol (IEUA) – Ao longo de minha carreira como jornalista, tenho visto jogadores extraordinários. Pelé, Garrincha, Maradona, Cruyff, Beckenbauer, Messi. Mas quando você recebe em casa seu exemplar de assinante do New York Times e vê na primeira página uma reportagem com David Beckham, repleta de fotos, anunciando sua aposentadoria, compreende que está diante de algo que transcende o futebol.

Afinal, nos Estados Unidos o futebol, soccer para os americanos, nem é um dos principais esportes.

Mas Beckham virou uma marca, um símbolo. Até mesmo um símbolo sexual. Enquanto o público masculino apreciava seus feitos como jogador, Beckham era também um chamariz para o público feminino e para os gays, por sua estampa de astro de Holywood.

Como diz a matéria do New York Times, citando Stefan Szymanski, aiutor do livro “soccernomics”, Beckham era “soccer & sex” e estas são “as duas coisas que mais vendem no mundo”. Szymanski diz ainda que Beckham é “a Marilyn Monroe do futebol”.

Mais do que tudo, para mim, Beckham teve a sorte de surgir num momento em que tecnologia, a fenomenal expansão do futebol pela televisão para todos os cantos do mundo e o culto às celebridades se fundiram. Nunca na história do esporte mundial uma pessoa teve seu nome ligado a tantas empresas e patrocinadores quanto Beckham. Seu nome e sua fisionomia se tornaram populares em países em que antes o futebol pouco penetrava, como o Japão e a China, onde ele é conhecido como Xiao Bei, o Pequeno Becks, e tem um contrato milionário como “embaixador” de seu campeonato.

Lembro-me de uma velha piada em que Pelé aparecia fotografado ao lado do Papa, no Vaticano, e perguntavam: “quem é aquele velhinho ao lado de Pelé?”. Francisco que me perdoe, mas o mesmo pode ser dito agora se ele aparecer com Beckham em uma foto, no que seria mais um exemplo da rivalidade entre ingleses e argentinos.

Assim como Pelé ao tempo do Cosmos, Beckham teve um impacto fundamental na divulgação do futebol nos Estados Unidos com a Major League Soccer, embora tenha chegado ao Los Angeles Galaxy a um passo da aposentadoria.

Aposentadoria que se configurará agora, nas duas últimas partidas do Campeonato Francês. Mas sua fama, sua marca, continuarão a ter impacto no mundo ainda por muito tempo. Ele casou-se com uma celebridade – Victoria, do grupo Spice Girls – e tornou-se mais célebre do que ela, passou por alguns dos maiores clubes do planeta, como Manchester United, Real Madrid, Mílan, Paris Saint-Germain, e ergueu o perfil internacional do Los Angeles Galaxy.

Ao longo de sua carreira, soube também cultivar uma personalidade simpática. Por isto, durante muito tempo, David Beckham continuará a vender tudo a que emprestar seu nome, desde cuecas a relógios e perfumes.