A lanterna de Diógenes

Rafael Ribeiro/CBF

Rafael Ribeiro/CBF

Bristol (EUA) – Em encontro de técnicos na CBF, Luiz Felipe Scolari disse o seguinte:

1 – o 7 a 1 para a Alemanha não mudou o futebol brasileiro;

2 – continuamos a ter grandes jogadores e excelentes técnicos.

Acho que Felipão está certo ao dizer que o 7 a 1 não mudou o futebol brasileiro, só que a frase verdadeiramente correta seria a seguinte: o 7 a 1  para a Alemanha infelizmente não mudou o futebol brasileiro.

Nossa esperança é que Dunga e outros treinadores façam alguma coisa para começar a mudar, já que Felipão parece perdido no tempo.

Quanto a ter grandes jogadores, é alarmante que Felipão não veja que o Brasil passou a produzir jogadores de muita força mas talento limitado. Ou talvez seja assim que ele gosta, pois, quando jogou futebol, enquadrava-se  exatamente neste perfil.

Já no quesito de  excelentes técnicos, só procurando como Diógenes, com a ajuda de uma lanterna.

 

Paula brilhou

Sean Dempsey/AFP

Sean Dempsey/AFP

Bristol (EUA) – Como se esperava, os africanos orientais (Quênia e Etiópia) dominaram a Maratona de Londres, tanto entre os homens quanto  entre as mulheres.

Mas o destaque da prova foi o regresso, e despedida, de Paula Radcliffe, aos 41 anos, para completar a prova em 2:36:56.

Se considerarmos que a inglesa, até hoje recordista mundial, estava afastada das provas há três anos, depois de uma cirurgia no pé e que recentemente teve problemas no tendão de Aquiles, é um tempo excepcional.

O recorde mundial de Paula, neste mesmo percurso em Londres, com 2:15:25, é muito melhor do que a marca da etíope Tigist Tufa, a campeã neste domingo, com 2:23:22.

 

As lorotas dos patriotas

Bristol (EUA) – Amigos, o título acima vai com os devidos royalties a Juca Chaves, grande satirista de nossa música popular, crítico incansável, autor de modinhas (e a modinha, como ele sempre disse, tem uma larga tradição cultural) que põem a nu, diante do respeitável público, as mentiras, mistificações e vaidades  de nossos políticos.

Políticos e cartolas, acrescento eu, pois os cartolas são os políticos do esporte.

Ainda agora estamos diante de mais uma notícia na imprensa internacional, dando conta de que Alastair Fox, o “Head of Competitions” da Federação Internacional de Iatismo, disse que  está estudando seriamente a possibilidade de tirar as provas de vela da Baía de Guanabara, na Olimpíada de 2016.

AFP

AFP

Por que? Porque ele já perdeu a esperança de ver a baía despoluída e não acredita mais nas declarações do governador Pezão, do prefeito Paes e do inefável Carlos Arthur Nuzman, cavalheiro que indevidamente  acumula o cargo  de presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e do Comitê Organizador da Olimpíada.

Caminhamos para  uma grande vergonha internacional, coisa que aparentemente não abala o senhor Nuzman que, recentemente, disse que: 1) a raia para o iatismo estará limpa e o que acontece no restante da “imensidão da baía” não tem importância; 2) a mortandade de peixes na lagoa Rodrigo de Freitas “não preocupa”.

A dupla PP – Pezão  e Paes – cansou de prometer limpar a baía e depois foi baixando sua percentagem de despoluição para 80%, 60% e 55%.

É bom nem falarmos em percentagens, pois me faz lembrar de outro grande sucesso de Juca: “Caixinha, Obrigado”.

Quem não conhece as modinhas de Juca Chaves deve procurar conhecê-las, imediatamente. Compostas nas décadas de 50 e 60, representam com maravilhosa atualidade os problemas que nosso povo eternamente sofre nas mãos dos “espertos”  que nos governam.

Carioca da gema, com uma ironia que não poupava nem seu próprio nariz (“que é tão normal”), Juca certamente  não se alinhará com os “patriotas” que acham que esta Olimpíada fará o mundo se curvar diante do Rio de Janeiro.

Como não se curvou diante do Brasil em 1956, quando compramos o tal porta-aviões,  que era sucata de Sua Majestade Britânica. Como cantava Juca, “comenta o Zé Povinho, governo varonil, coitado, coitadinho, do Banco do Brasil, ah, quase faliu”.

 

 

 

A rebelião do caradurismo


Bristol (EUA) – Desde que comecei a cobrir futebol, em 1962 – e certamente antes disto – os clubes brasileiros invariavelmente descontam Imposto de Renda e Previdência Social de seus jogadores e não os repassam ao governo.

Em consequência, há décadas devem dinheiro à nação,  mas não pagam.

José Cruz/Agência Brasil

José Cruz/Agência Brasil

Agora, para tentar salvar um pouco dos quatro bilhões de reais que tem a receber, o governo federal surgiu com a Medida Provisória  que é bastante generosa om os clubes:  dá a eles 20 anos para pagar os atrasados, perdoa multas e, em  troca, pede  que os clubes se organizem financeiramente.

A Medida Provisória é um contrato de adesão. Se o clube  a aceita, se compromete a gastar apenas 70% do que recebe em salários aos jogadores, pagar os salários em dia, pagar os impostos e equilibrar suas finanças em 2021.

São seis anos para se organizarem, com a ressalva de que os cartolas serão pessoalmente responsáveis por desmandos financeiros e os clubes faltosos alijados da Primeira Divisão.

Entretanto, tomo conhecimento agora de declarações do Diretor de Assuntos Jurídicos (creio que o nome é este) do Atlético Mineiro, afirmando que a Medida é uma “interferência inadmissível e sem precedentes do governo nos negócios de empresas privadas”.

Empresas privadas que, em países mais sérios, há muito teriam  fechado as portas, com  seus dirigentes enviados ao xilindró.

Elas porém dão cinicamente o beiço no governo – e ainda protestam.

O cartola em questão, Lázaro Cunha, disse que, se a Medida Provisória for aprovada, “os clubes vão se rebelar”.

Até quando teremos que aguentar os caraduras?

 

Tim Duncan, Forever Young

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Neste sábado, 25 de abril, Tim Duncan estará completando 39 anos. Na véspera, em San Antonio, ele estará liderando o Spurs na terceira partida de sua série contra o Los Angeles Clippers, pelos playoffs da Conferência do Oeste  da NBA.

A série está empatada no momento em 1 a 1 e só está empatada porque Tim Duncan teve uma sensacional atuação no segundo jogo, disputado na noite de quarta-feira, em Los Angeles. O San Antonio Spurs ganhou na prorrogação, por 111 a 107 e Tim Duncan foi o cestinha, com 28 pontos.

Mais notável é que ele esteve na quadra por mais de 44 minutos,  enquanto Tony Parker, mais moço, não aguentou nem meia hora e saiu com um problema de tendão de Aquiles que talvez o afaste do jogo desta sexta-feira. Enquanto esteve na quadra, Tony Parker conseguiu aproveitar um em dois lance-livres e desperdiçou seis oportunidades de cesta de quadra.

Kawhi Leonard, o ala que vem mostrando cada vez mais qualidades, marcou 23 pontos em pouco mais de 39 minutos, enquanto Tiago Splitter, assim como Tony Parker, esteve mal: dois pontos em 19:12 na quadra, aproveitando dois em quatro lances livres e desperdiçando a única cesta de quadra que tentou.

Em seu favor, porém, Splitter,  que vem de longo tempo parado, teve sete rebotes e duas assistências.

A NBA continua a marcar os jogos Spurs v. Clippers para as dez e meia da noite na costa leste, mesmo nos fins-de-semana, mas o confronto é sem dúvida o melhor desta fase inicial dos playoffs, tanto na Conferência do Oeste quanto na do Leste.

Happy birthday, Tim Duncan. E continue cada vez mais jovem.

Bom para Dunga

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Com os resultados das competições europeias até agora, Dunga sabe que terá mais do que uma zaga completa à disposição, desde o inícios dos preparativos da Seleção Brasileira para a Copa América, podendo escolher entre Danilo, Marquinhos, Thiago Silva, David Luiz, Miranda, Filipe Luís, além de Fernandinho, Douglas Costa, Willian, Phillipe Coutinho, Luiz Adriano, Roberto Firmino, Oscar e Ramires para as outras posições.

O negócio agora é torcer para o Barcelona não se classificar para a final da Champions League.

Lembro porém que alguns jogadores citados acima não estão em boa forma, como Fernandinho, do Manchester City.

O fator genético

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Ontem eu  tinha toda a intenção de acompanhar a Maratona de Boston, mas sou um Intérprete Judicial e, subitamente, me vi envolvido em um caso de custódia paterna de um casal português que me ocupou toda a segunda-feira e a manhã de terça.

Tive que me contentar com a leitura dos jornais, mas preciso relatar que não houve nenhuma surpresa: os seis primeiros homens foram da África Oriental (Etiópia e Quênia) e as três primeiras mulheres foram da África Oriental (Quênia e Etiópia).

A ordem dos fatores não altera o produto.

A única diferença é que, há alguns anos, as mulheres quenianas e etíopes não apareciam nos resultados, porque não disputavam as provas. A partir do momento em que começaram a disputar, revelaram-se tão dominantes quanto  seus conterrâneos masculinos.

Excetuado um ou outro caso de doping, como a de Rita Jeptoo, o fator genético é impossível de negar, porque, por exemplo, nunca se viu um grande corredor de maratona negro do extremo oeste da África, como a Nigéria. Já como velocistas, são excelentes e, afinal, os grandes velocistas do continente americano, como Carl Lewis e Usain Bolt, para citar apenas dois, tem antepassados naquela área da África.

E Rita Jeptoo, lembremos, tomava doping não para superar maratonistas brancas ou amarelas, mas as  de sua região, na África Oriental.

Uma curiosidade em relação a esta mais recente Maratona de Boston é que a americana mais bem colocada, Desiree Linden, que chegou em quarto lugar, deu-se aos cuidados de sair dos Estados Unidos para ir treinar nas montanhas do Quênia, enquanto a queniana que venceu a prova, Caroline Rotich, ficou mesmo no Novo México, onde mora.

Quer dizer: a geografia interfere, mas ao curso de milhares (ou milhões) de anos de adaptação e evolução, não ao curso de alguns meses.

Mas esta manhã, vasculhando a Internet em busca de links para Boston, eis que me deparo com um link meu próprio, de uma entrevista que dei em 2012 à ESPN Brasil, quando estive no Rio de Janeiro disputando uma prova que comemorava os 30 anos de  triathlon em nosso país.

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. O link nada tem a ver com fatores genéticos e minha mãe nem sabia nadar, mas, por curiosidade, aí vai: https://www.youtube.com/watch?v=q3N_B3HwgoY

Desaforo da NBA

Bristol (EUA) – Há diversos anos o San Antonio Spurs está sempre na briga pelo título da NBA, mas a entidade que controla o basquete nos Estados Unidos não responde com muita consideração.

Basta ver os horários com que a NBA quase sempre castiga o San Antonio. Ainda neste domingo sua partida de abertura nos playoffs foi escalada para começar às 22h30min, horário da costa leste dos Estados Unidos, 23h30min, horário de Brasília.

Muitos acho, com certa razão, que o encontro entre o Spurs e o Clippers, na primeira fase dos playoffs, é o programa mais interessante que a NBA tem a oferecer no momento, pois os dois times estão em ascensão.

A NBA responde dizendo que o Spurs é de San Antonio, um mercado pequeno, e o mercado fala mais alto. Mas no ano passado,  quando Gregg Popovich resolveu poupar Tim Duncan, Manu Ginobili e Tony Parker em uma partida, a NBA pespegou uma alta multa ao time, invocando a “lei do mercado”, para dizer que o Spurs estava sempre obrigado a escalar sua “força máxima”.

Quem gosta de basquete vai ficar atento a esta série, que começou com a vitória do Clippers, em Los Angeles, por 107 a 92. Depois de longa ausêncisa, Tiago Splitter voltou ao time do San Antonio Spurs, mas só aguentou menos de dez minutos na quadra.

Feio mas eficiente

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Bastava ver a escalação do time do Chelsea, com zinco zagueiros: Ivanovic, Cahill, Terry, Azpilicueta e Zouma, este último no meio-de-campo, ao lado do meio de campo defensivo Matic.

Era José Mourinho, fiel a seus princípios: defender, absorver a pressão do adversário e conseguir um gol no contra-ataque.

O Manchester United dominava e poderia ter feito um gol logo no início, com Wayne Rooney, o  que certamente teria desmontado os planos defensivos de Mourinho.

Mas a bola saiu raspando a trave direita de Courtois.

O Manchester United explorava as jogadas pela esquerda, aproveitando a pouca velocidade de Ivanonic.

Zouma fechava o caminho de Feillani pelo meio e o obrigava a cair pelos lados.

Tudo funcionava de acordo com os planos de Mourinho, até mesmo a bobeada de Radamel Falcao, perdendo a bola na linha do meio-de-campo, o que proporcionou o contra-ataque do Chelsea: Fàbregas para Oscar, este de calcanhar para Hazard e Hazard finalizando entre as pernas de De Gea.

O que esperar dali para a frente? Mais aglomeração defensiva do Chelsea, é claro.

Não deu outra. No segundo  tempo, saiu Oscar e entrou Ramires. Quer dizer: mais um meio-de-campo essencialmente defensivo, com sacrifício de um jogador criativo.

No finzinho da partida, duas substituições apenas para ganhar tempo (Willian e John Obi Mikel, por Fàbregas e Hazard), Didier Drogba fingindo que requeria cuidados médicos dentro da área e a tentativa  calhorda de Herrera de fabricar um pênalti, fingindo que tinha recebido falta de Cahill.

Quer dizer:  se o Chelsea não brilhou, o Manchester United muito menos, pois não soube aproveitar sua posse de bola e o mergulho de Herrera dentro da área do adversário dava bem a conta deste desespero.

O Chelsea está com o título inglês praticamente garantido. Mas não encanta os olhos de quem gosta de bom futebol. Prova evidente: todos os jogadores do Chelsea substituídos foram os que sabem fazer alguma coisa com a bola nos pés.