O olho do furacão

Marseillan-Plage (França) – Meus caros, estou de férias, mas de vez em quando julgo oportuno mandar alguns “posts”. Acabo de ler no jornal espanhol Marca uma entrevista em que Johan Cruyff, ídolo do Barcelona, critica Neymar por estar sempre “en el ojo del huracán por temas extradeportivos”.Foto: AFP

É a pura verdade. Enquanto Lionel Messi é admirado no mundo inteiro pelo futebol e sempre pelo futebol, Neymar vive metido em controvérsias, seja por ser  “piscineiro”, seja por ter acessos de estrelismo, como na recente e malograda Copa América, onde ganhou dois cartões amarelos, um vermelho e acabou recambiado ainda mais cedo para o Brasil do que os seus nada distintos companheiros.

Agora, envolvido na investigação de fraude entre o Santos e o Barcelona, em processo iniciado pelo fundo de investimentos DIS, Neymar age como se considerasse  uma audácia da Justiça espanhola intrometer-se em sua vida.

Fora isto, deu declarações totalmente vazias sobre o atual estágio da Seleção Brasileira, dizendo que a derrota serviu “como aprendizado”, a “seleção precisa melhorar” e “os outros evoluíram”.

Em matéria de óbvios ululantes, ninguém pode pedir mais.

O vírus da incompetência

Yuri Cortez/AFP

Yuri Cortez/AFP

La Grande Motte (França) – Já escrevi aqui muitas vezes mas não custa repetir: decisão em pênalti não é loteria.

É competência.

Competência que mais uma vez nos faltou, com duas cobranças ridículas de Everton Ribeiro e Douglas Costa.

Se pênalti fosse loteria, não seria preciso treinar, não é mesmo?

Se pênalti fosse loteria, era melhor partir logo para o cara-ou-coroa.

Em matéria de competência,  que tal perguntar por que, pela segunda vez em poucas semanas, Thiago Silva dá uma cortada de voleibol dentro da área?

Pior é dizer depois que não se lembra do que fez.

Há muito tempo Carlos Alberto Parreira disse que Thiago Silva “é o melhor zagueiro do mundo”, mas, francamente, tenho acompanhado sua carreira e estou cansado de vê-lo cometer erros absolutamente inexplicáveis, revezando-os, é certo, com jogadas de qualidade.

Sua declaração de que não se lembra do pênalti absurdo que cometeu agora contra o Paraguai, somada ao absoluto colapso nervoso daquela partida contra o Chile na Copa do Mundo, talvez seja sinal de que ele sofra de panes mentais em alguns momentos dentro de campo.

(Lembro ainda o cartão amarelo totalmente desnecessário de Thiago Silva, seu segundo, contra a Colômbia, tirando-o da partida com a Alemanha, na Copa do Mundo. Outro “lapso mental”.)

Segundo o técnico Dunga, nossos jogadores foram prejudicados por uma virose que sofreram durante a semana.

Se foram mesmo acometidos de uma virose, a notícia deveria ter sido dada durante a semana.

Não depois do jogo, quando soa como desculpa de mau perdedor.

Agora vamos partir para as eliminatórias da Copa do Mundo, com uma Seleção que não inspira confiança.

Ela é o reflexo do futebol brasileiro, que parou no tempo.

Parou como nossos técnicos pararam, a exemplo do já citado Carlos Alberto Parreira que, há coisa de dias, saiu de seu merecido ostracismo para dizer  que éramos favoritos para ganhar a Copa América. Como garantira que o Brasil seria campeão do mundo no ano passado.

O mais recente fracasso da Seleção é outro sinal de que precisamos mudar nossa estrutura e o primeiro passo é a aprovação da Medida Provisória, que poderá colocar nossos clubes e nosso futebol a caminho de uma recuperação.

Outra medida necessária é criar uma Liga, que organize os campeonatos de clubes, como acontece na Europa, deixando a CBF encarregada apenas da Seleção.

E olhem que, para a CBF que temos, já é uma tarefa gigantesca.

Quando nos reencontrarmos para as eliminatórias, espero que Dunga não dê mais a Neymar a braçadeira de capitão.

Neymar mostrou durante sua brevíssima e inglória passagem pela Copa América, com um acesso de estrelismo, que não a honra nem a merece.

Faço votos para a recuperação de nosso futebol, mas o único vírus que nos ataca no momento é o da incompetência.

The jury is out

Olivier Morin/AFP

Olivier Morin/AFP

La Grande Motte (França) – Estou de férias, mas de vez em quando ainda mando alguns “posts”. Nas últimas horas o campeão olímpico dos 5.000 e 10.000 metros, Mo Farah, disse que confia na honestidade de seu técnico Alberto Salazar, acredita no seu desmentido quanto ao uso de “doping” e continuará a treinar com ele.

Mas, como se diz em casos de julgamento por Tribunal de Júri nos Estados Unidos, quando aguarda-se ainda uma decisão, “the jury is out”.

É cedo para dizer quem tem razão. Algumas das pessoas citadas por Alberto Salazar em sua defesa não confirmaram os fatos, ao menos não os confirmaram como eles os narrou, entre eles o médico Jeffrey Brown.

Quando atleta, Salazar era um “kamikaze”, disposto até a morer para ganhar uma prova, como aliás quase morreu ao derrotar Dick Beardsley na Maratona de Boston, no início da década de 80.

Como técnico, será também capaz de levar a capacidade física de seus atletas ao limite?.

Algo que não recomenda Salazar é que ele é muito amigo do ciclista Lance Armstrong.

O programa Panorama, da BBC, que Salazar desmentiu enfaticamente, é bastante respeitado.

O assunto não morreu e alguma coisa ainda vai surgir.

Lamentável, mas coerente

Divulgação

Divulgação

La Grande Motte (França) – Leio na imprensa brasileira que o atual senador, ex-craque, Romário, está contra a Medida Provisória para organizar o futebol brasileiro e arrancá-lo das garras dos atuais cartolas que levam os clubes à insolvência.

Insolvência que se reflete em calote no contribuinte brasileiro.

Se é verdade, Romário está chutando  para fora e colocando-se contra suas próprias palavras em favor da moralização de nosso futebol.

Mas se levarmos em conta que ele é cabo eleitoral do presidente vascaíno Eurico Miranda, somos obrigados a concluir que sua atitude é lamentável, mas coerente.

Salazar investe contra a BBC

Foto: AFPHedge End (Inglaterra) – Dentro dos próximos dias Alberto Salazar, o ex-maratonista que se tornou técnico e tem como seu pupilo, entre outros, o campeão olímpico de 5.000 e 10.000 metros Mo Farah, deverá rebater as acusações da British Broadcasting Corporation (BBC) de que dopa os seus atletas.

Mas há muita tente se pronunciando contra Salazar, como Kara Goucher, sua ex-atleta, medalha de bronze nos 10.000 metros no Mundial de 2007.

Outra voz que se levanta contra o antigo recordista mundial da maratona (2:08:13, em Nova York, na década de 80) é  de um de seus assistentes no chamado Nike Oregon Project, que Salazar criou para burilar alguns dos maiores corredores do mundo.

Segundo o programa Panorama, da BBC, Salazar rotineiramente mandava que seus atletas recebessem massagens com Androgel, um esteroide anabólico. Há também acusações que ele deu testosterona a Galen Rupp, colega de treinamento de Mo Farah, quando ele era adolescente.

Um dos acusadores de Salazar agora é Albert Kupczak, que trabalhava como massagista no Nike Oregon Project.

O ex-assistente no  Project, Steve Magness, diz que a melhor maneira de desmascarar Salazar é colocar todos os possíveis implicados, a começar pelo técnico, sob juramento.

- A maneira mais certa de se descobrir o que ocorreu é obrigar todos a prestarem declarações sob juramento, pois eles saberão que, caso sejam apanhados em mentira, poderão ser judicialmente processados.

Foi o que por exemplo aconteceu com o ex-jogador de beisebol Barry Bonds.

Por enquanto ninguém duvidou ainda de Mo Farah, mas há quem o pressione para não treinar mais sob a orientação de Salazar.

Quem quiser se informar melhor sobre este assunto deve ler um “post” que escrevi mais abaixo.

À espera de meu voo

Bradley (EUA) – Estou no aeroporto, à espera de meu voo para a Inglaterra, França, Espanha, Portugal, Inglatera de novo e finalmente retorno aos Estados Unidos.

Isto significa que não acompanharei o jogo entre Brasil e Venezuela. Já longe vão os tempos em que um jogo contra a Venezuela era fácil, facílimo para nós. Eles melhoraram e nós pioramos ou, no mínimo, estacionamos.

Como já disse e escrevi no passado, torcerei pelo Brasil, apesar dos Havelanges, Teixeiras, Marins, del Neros, Scolaris e Parreiras.

A seleção não é propriamente a pátria de chuteiras, como dizia Nélson Rodrigues, pois a pátria é mais importante. Mas não estou entre os que querem ver o circo pegar fogo só porque nossos dirigentes são pilantras, nossos técnicos incompetentes  e a estrutura do futebol brasileiro está carcomida.

Espero que mudanças surjam no cenário, como a criação de uma Liga – a exemplo do que acontece em outros países – que organize nossos campeonatos sem a intervenção da CBF, que deve ficar apenas com a Seleção, em seus diversos níveis.  E olhem lá!.

Não teremos Neymar, mas isto não significa que estejamos irremediavelmente perdidos. Na verdade, se vamos nos conformar que estamos fora de uma competição como a Copa América porque Neymar não está em campo, é melhor fechar logo o estabelecimento.

Afinal, quem não é competente não se estabelece.

De mais a mais, Neymar é um ótimo jogador, mas não é um fora-de-série e, como personalidade, francamente não convence.

Espero que Dunga aproveite o que se passou no jogo com a Colômbia e tire dele a responsabilidade de capitão da equipe.

Uma seleção que já teve Bellini, Mauro, Carlos Alberto, o próprio Dunga e outros da mesma estirpe como capitão, merece algo bem melhor do que Neymar.

Uma nova geração de triatletas

Bristol (EUA) – Este é o momento em que Steve Cusano, técnico  de natação, instruía alguns dos participantes do KidsWhoTriSucceed Triathlon em Farmington, Connecticut, antes do início da prova.

É assim que os Estados Unidos vão preparando uma nova geração de triatletas. O triathlon, que será um dos principais eventos da Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro, está entre os esportes que mais crescem no mundo.

Por tradição, os Estados Unidos tem uma excelente base esportiva em escolas e faculdades, sobretudo na natação, que é, dos três esportes que constituem o triathlon – natação, ciclismo e corrida – o mais técnico.

O KidsWhoTriSucceed começou em Mansfield, também em Connecticut, há dez anos, e agora expandiu-se pela primeira vez para Farmington.

O evento é  organizado por uma empresa sem fins lucrativos, mas depende, em enorme parte, da colaboração de voluntários, como Steve Cusano.

Incidentalmente, minha neta Hannah foi a primeira colocada entre meninas de 10 e 11 anos e meu neto Timothy foi o terceiro em sua faixa etária de meninos de 12 a 14 anos, enquanto meu outro neto, David, participava da organização da prova.

Estes são nossos netos de Connecticut. Nossos netos da Carolina do Sul são Michael  e Thomas.

O KidsWhoTriSuceed é uma criação de minha filha Rebecca Charlotte Werneck Stephenson, que este ano estará representando o Brasil, em Chicago, no Mundial de Triathlon.

Por enquanto é só. Voltarei ao assunto.

Neymar, Jesus e as percentagens

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Neymar, que jogou mal contra a Colômbia, deve estar preocupado com as notícias chegadas da Espanha.

Ele agora tem pela frente um processo judicial por causa de sua complicada e até hoje mal explicada transferência do Santos para o Barcelona.

Outros ventos sopram no esporte mundial, com a investigação das maroteiras na FIFA, e há motivos de sobra para a preocupação de Neymar.

Afinal, fala-se de muito dinheiro,  dinheiro escondido para enganar parceiros e sonegar  impostos.

O Barcelona diz que a transferência custou 57,1 milhões de euros, mas há indícios de que o verdadeiro custo foi  83,3 milhões.

A empresa prejudicada está reclamando e Neymar se vê envolvido com seu pai, com o Barcelona e com os cartolas do clube Josep Maria Bartomeu e Sandro Rosell.

Este por sinal é antigo companheiro de  trapalhadas de Ricardo Teixeira.

Os tempos mudaram e  notícia da decisão do juiz espanhol não poderia ter chegado em hora pior para Neymar, em plena Copa América.

Para Neymar e para a Seleção Brasileira.

Será que Jesus estará 100% com Neymar?

Ele fustigou os espertalhões que negociavam no Templo.

 

 

O perigo do Cartão Virtual

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Amigos, estarei no Brasil no ano que vem, na cobertura da Olimpíada, e ocorreu-me a ideia de comprar ingressos para a minha família.

Por causa disto, porém, vivo no momento uma experiência que, espero, sirva de alerta para as autoridades e para pessoas que possam ter também adquirido, como eu fiz, um Cartão Virtual Visa.

Por que adquiri o Cartão Virtual Visa? Por um único e simples motivo: o Cartão Visa que eu sempre tive, do Banco do Brasil, tinha expirado seu prazo de validade. Eu solicitei um novo cartão, mas ele não chegou a minhas mãos antes da data limite para reservar meus ingressos.

A solução era adquirir o tal Cartão Virtual Visa.

Adquirido o cartão, tive que botar dinheiro nele, o que também fiz.

Aí as coisas começaram a se complicar, pois, por causa de um erro de digitação no número de um telefone celular, a senha de que eu precisava para completar a compra não chegou a minhas mãos.

Um parente meu no Rio gentilmente pagou os ingressos com seu próprio Cartão Visa (só cartões Visa podem ser usados, pois a Visa é um dos patrocinadores da Olimpíada).

Muito bem, ingressos reservados e pagos. Restava agora, como ainda resta, receber de volta o dinheiro que coloquei no Cartão Virtual Visa e que não foi utilizado.

Mais fácil de dizer do que de fazer e é para tanto que quero alertar não apenas a empresa VISA, que  tem um nome a zelar, como o Banco do Brasil, onde tenho conta.

A empresa que administra o Cartão Virtual Visa disse que depositaria o dinheiro em minha conta no Banco do Brasil. Para tanto, tive que dar todos os dados de minha conta bancária, o tipo da conta, a agência, meu CPF, verso e reverso da Carteira de Identidade (que precisei escanear e enviar pela Internet), data de nascimento, etc.

Até aí morreu o Neves, dirão vocês. Mas os dias passam, o dinheiro não entra em minha conta e, toda a vez  que solicito informações, a tal empresa (cujo nome prefiro não divulgar agora, mas que o farei, se necessário) recomeça todo o processo, dando-me um novo número de protocolo, pedindo de novo todos os meus dados pessoais que já mencionei acima, num círculo vicioso, uma espécie de “moonwalk” de Michael Jackson, andando sem sair do lugar.

Qual é porém a minha  maior preocupação? É que, amigos, passei a receber da tal empresa e-mails dirigidos a mim mas na verdade tratando de casos de duas outras pessoas, duas mulheres. Espantosamente, lá estão os nomes completos das clientes e, pior, os números completos de seus cartões visuais. Os números completos, repito, não aquela prática tradicional de ocultar o número completo com “xxxx”, dando apenas os quatro últimos algarismos.

Estas duas senhoras não tem a menor ideia de que estou recebendo e-mails confidenciais a elas dirigidos, com seus nomes e os números de seus cartões.

A empresa que administra o Cartão Virtual Visa se intitula um “Banco Portátil”. Prefiro não mencionar seu nome agora, mas o farei se e quando necessário.

Pergunto porém: qual é a segurança de suas operações? Como posso – eu e outros clientes, como as duas senhoras acima referidas – estar confiante de que  minha conta bancária não será acessada por “hackers”?

Por  que a tal empresa demora tanto tempo a reembolsar o cliente que, comprovadamente, tem de fato um reembolso a receber? Quanto mais demorado e lento o processo, tantas mais vezes a empresa solicita que o cliente reenvie seus dados sigilosos, maior é o perigo de fraude por “hackers”.

Quem assume a responsabilidade? Acho que a VISA deveria ter interesse em exigir um procedimento mais seguro e eficiente por parte do “Banco Portátil” que, afinal, está usando o seu nome.

Não só a VISA como, em última análise, a organização da Olimpíada, tanto em seu nível nacional quanto internacional, pois  a VISA é um dos patrocinadores do evento.

 

 

 

Mudança de tática

Bristol (EUA) – Como diria a vizinha gorda e patusca de Nélson Rodrigues, se houvesse triathlons em sua época, “nada como um triathlon depois do outro”.

Acabo de regressar de Massachusetts, com minha mulher Dawn Werneck, depois da disputa to Escape the Cape Triathlon, um “sprint triathlon”. Ela como sempre teve um excelente desempenho e ganhou sua faixa etária, embora fosse a competidora mais velha no grupo de 65 a 69 anos, com o tempo de 1:15:29. Nadou em 12:31, fez a primeira transição em 1:48, pedalou em 31:57, fez a segunda transição em 57:7, e correu em 28:17.

Mas quero analisar mesmo minha melhora depois que resolvi trocar de tática na natacão.

Explico melhor. Frequentava a piscina do Fluminense, quando era garoto, mas, magrela, nunca despertei o interesse do técnico Hélio Lobo. Ele sugeriu que eu operasse as amídalas mas, mesmo depois que o fiz, me ignorou por completo, enquanto colocava minhas irmãs, uma mais velha e outra mais moça, na equipe de natação que representava o clube em competições.

Vergonha completa e jamais aprendi a nadar “crawl” direito. Nunca passei do nado de peito que, convenhamos, de todos é o mais simples. E o mais lento.

Já adulto – e não apenas adulto, mas adulto velho – quando resolvi disputar triathlons insisti em nadar “crawl, apesar de todas as minhas deficiências.

Quer dizer: insisti até este ano. Quando cheguei a Massachusetts para o Escape the Cape, resolvi trocar o “crawl” (ou estilo livre) pelo nado de peito. Fi-lo (como diria Jânio Quadros) porque um teste em uma piscina me mostrou que meu nado de peito é mais rápido do que o de estilo livre.

O resultado foi espantoso: no ano passado nadei o percurso de 600 metros em 28:20. Este ano nadei o mesmo percurso em 14:09.

A metade do  tempo.

Devo dizer que tal melhoria não se deveu apenas ao estilo. Deveu-se também a outro fator importantíssimo: nadando “crawl” eu sempre me perdia, pois achava muito difícil visualizar a localização das bóias que demarcam o percurso. Nadando peito, eu tive agora uma  visão perfeita da localização das bóias e segui em linha reta.

Acrescento que a dificuldade em manter um percurso em linha reta no nado de “crawl”, no mar ou num lago, afeta até os bons nadadores. No mínimo, eles tem que volta e meia levantar a cabeça para ver em que direção estão seguindo.

A melhoria na natação refletiu-se também no fato de que saí da água mais descansado e melhorei igualmente meus tempos na bicicleta e na corrida. No ano passado, pedalei em 44:36, este ano, em 42:00. No ano passado, corri em 34:10. Este ano, em 33:12.

A grande, a dramática melhoria, porém foi mesmo na natação.

Eu estava preocupado, pois tive uma semana atribuladíssima, por razões que oportunamente explicarei, e descobri que havia um competidor de apenas 74 anos, Jim Brescia, na minha faixa etária, que é de 75 a 79 anos. Acontece que, pelo regulamento, Jim pode competir em minha faixa etária porque completará 75 anos até o dia 31 de dezembro, enquanto eu já fiz 78.

Mas, modéstia à parte, Jim ficou mesmo com a segunda colocação e eu com a primeira.

Tudo porque mudei de tática. Se eu tivesse repetido meu tempo do ano passado, Jim teria me derrotado.

Há ainda um ponto em que preciso melhorar, que é o das  transições. Só na primeira transição, da natação para o ciclismo, levei 4:18 este ano, enquanto minha mulher precisou de apenas 1:48. Mas tive em parte uma explicação: o competidor  colocado ao meu lado na área da transição não havia saído ainda para pedalar e  sua bicicleta estava caída sobre a minha. Resolvi colocá-la cuidadosamente no lugar certo, na canaleta, com medo de que ele, ao chegar para a transição, pensasse que eu tinha derrubado sua bicicleta de propósito e resolvesse retaliar.

Nunca se sabe.

O Escape the Cape foi uma excelente preparação para o Mundial de Triathlon que disputaremos em setembro em Chicago.

Acervo Pessoal

Acervo Pessoal