As minhas Copas: 2002

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Por motivos alheios à minha vontade, minhas crônicas sobre a Copa de 2002, escritas ao tempo para o Jornal do Brasil e a Gazeta Esportiva, perderam-se nas profundezas da Internet e não consegui recuperá-las.

Naquele ano, em 2002, eu trabalhava na ESPN International, envolvido em muitos outros esportes, e aquele Copa foi a que acompanhei mais como torcedor, de longe, e menos como jornalista, do que qualquer outra.

Torcedor que, por causa da diferença de fuso horário, tinha que acordar às quatro da manhã, no leste dos Estados Unidos, para asistir às partidas.

Antes da Copa, duas polêmicas: saber se Felipão iria convocar Romário e se confiaria na recuperação de Ronaldo Fenômeno, então no Internazionale de Milão, às voltas com problemas de joelho.

Era um período em que, de repente, o técnico parecia mais importante do que os jogadores.

A história registra que Romário ficou no  Brasil e Ronaldo embarcou com a Seleção para aquela Copa que teve uma particularidade que provavelmente nunca mais será repetida: três seleções estavam pré-classificadas e não precisavam disputar as eliminatórias.

Eram a França, campeã do mundo, a Coreia do Sul e o Japão,  que dividiam a organização, como anfitriões.

Agora, só o país anfitrião se classifica automaticamente.

Como campeã do mundo, naquela controvertida final em que Ronaldo teve uma ziquizira antes de entrar em campo (vejam em “post” mais abaixo o que escrevi sobre a Copa de 1998), a França fracassou melancòlicamente na defesa de seu título, perdendo para o Senegal, e foi eliminada na primeira fase.

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Diga-se a bem da verdade que o Senegal foi uma das boas surpresas naquela Copa, pois também empatou com o Uruguai e a Dinamarca, sendo eliminado só nas quartas-de-final por outra surpreendente seleção, a da Turquia.

Já a Argentina, bem como o Uruguai e o Equador, foi eliminada na primeira fase, deixando o Brasil como único representante sul-americano.

Aquela foi também a Copa do controvertido gol de falta Ronaldinho Gaúcho contra a Inglaterra (vejam também mais abaixo o “post” Lembranças de 2002) em que  até hoje discute-se se ele chutou ou centrou – e de sua expulsão, no mesmo jogo.

Àquela altura o Brasil tinha virado em 2 a 1 sobre a Inglaterra, justamente com o gol de falta de Ronaldinho Gaúcho, e, com três zagueiros (Lúcio, Edmílson e Roque Junior), dois laterais (Cafu e Roberto Carlos) e um meio de campo muito defensivo, com Gilberto Silva e Klebérson, não só impediu que os ingleses empatassem como impediu até que eles conseguissem um mísero e escasso chute em gol depois de se verem com um homem a mais em campo.

Depois de enfrentar pela segunda vez a incômoda Turquia (que acabou em terceiro lugar na Copa) e se livrar dela, na semi-final, num jogo muito difícil, em que precisamos de um gol de bico de Ronaldo, fomos para a decisão contra a Alemanha.

Em minhas conversas com jornalistas e jogadores alemães, em outras ocasiões, sempre recolhi a impressão de que, historicamente, eles temiam o estilo sul-americano de jogo, diferentes dos esquemas mais previsíveis das seleções europeias.

Assim, ao menos para mim, não foi  grande surpresa ver o Brasil ganhar na final com dois gols de Ronaldo – sendo que num deles Rivaldo desmontou o esquema defensivo alemão a deixar a bola passar entre suas pernas – embora, diga-se a verdade, o estilo daquela Seleção, comandada por Felipão, fosse bem menos brilhante do que o de outras em nosso passado.

Ganhamos, numa Copa em que, em minha opinião, o nível técnico geral foi o mais baixo de todas as que acompanhei.

Futebol negativo

AFP

AFP

Bristol (EUA) – Num jogo com muitos brasileiros em campo, nos dois times, o português José Mourinho, do inglês Chelsea, diante do espanhol Atlético de Madrid, do argentino Diego Simeone, optou pelo “catenaccio” italiano e, como se diz na gíria futebolística britânica, “parked the bus” – estacionou o ônibus – no estádio Vicente Calderón, na primeira partida pelas semifinais da Champions League.

O resultado foi um jogo feio, um jogo em que o Atlético de Madrid pressionou, mas desorganizadamente, e em que o centro-avante brasileiro que optou pela Seleção Espanhola, Diego Costa, foi figura apagada.

Uma partida em que a tarefa mais difícil ficou para o produtor de televisão encarregado de mostrar os melhores momentos, pois não houve melhores momentos. Tivemos momentos medíocres, como a bicicleta espetacularmente falha de Diego Costa, e momentos ruins, como os providos pela insistência de David Luiz em cobrar faltas que ou ficam na barreira ou passam por cima do travessão.

Que eu me membre, até hoje David Luiz só acertou uma cobrança de falta, mas o técnico José Mourinho deve continuar a depositar esperanças em sua pontaria, pois é ele sempre  que aparece para bater, quando é escalado no time.

(Abro um parêntese para dizer que será bom ter o “spray” na Copa do Mundo, pois os juízes na Europa continuam a permitir barreiras a menos de dez jardas da bola.)

O Chelsea entrou nitidamente para se defender, com apenas Fernando Torres no ataque, Azpilicueta, Cahill, Terry e Cole na defesa, David Luiz, Ramires, John Obi Mike e Ramires num meio-de-campo defensivo e  Willian um ou dois metros adiante deles, para tentar fazer a bola chegar – esporadicamente – ao solitário centro-avante.

Petr Cech saiu machucado, Terry ídem, David Luiz recuou para o meio-da-zaga para Schurrle entrar no meio e, já nos acréscimos, Demba Ba substituiu Willian – mas apenas para ganhar tempo.

Dos brasileiros do Chelsea o melhorzinho – mais pelo que fez no meio-de-campo – foi David Luiz. Oscar ficou no banco.

Dos brasileiros do Atlético de Madrid, o melhorzinho, Diego, acabou substituído, deixando em campo Miranda, Diego Costa e Filipe Luís numa noite sem brilho.

Para o Atlético não foi um resultado de todo ruim. Se empatar em Londres por qualquer marcador que não seja 0 a 0, estará na final da Liga dos Campeões.

Como nota curiosa no Vicente Calderón, o fato de  que dois dos homens de meio-de-campo do Chelsea – David Luiz e John Obi Mikel – nasceram no mesmo dia, mês e ano.

Aí fica a sugestão para a nota de destaque do produtor de TV.

Detalhes de Boston

Foto: AFP

Foto: AFP

Bristol (EUA) – Alguns aspectos da Maratona de Boston nesta segunda-feira que não tive oportunidade de abordar em meus “posts” anteriores:

1 – Esta foi a 118a. edição da prova.

2 – O resultado de 2:08:37 foi um recorde pessoal para Meb Keflezighi. Sua melhor marca anterior era de 2:09:08.

3 – Lelisa Desisa, ganhador em Boston no ano passado, não completou a prova.

4 – Dennis Kimetto, campeão em Chicago, não completou a prova.

5 – Meb Keflezighi é o único americano a ter ganho a Maratona de Boston, a Maratona de Nova York e  uma medalha olímpica (Atenas, prata, em 2004) na distância. Ele foi também quarto colocado na Maratona Olímpica de Londres, em 2012.

6 – O único competidor mais velho do que Keflezighi a ter ganho Boston foi Clarence Demar, com 41 anos, em 1930. Keflezighi completará 39 anos no dia 5 de maio. Carlos Lopes ganhou a Maratona Olímpica de Los Angeles, em 1984, com 37 anos.

7 – Rita Jeptoo tem agora três vitórias em Boston. Apenas Catherine Ndereba, com quatro, tem mais.

8 – Jeptoo correu uma milha (a 24a) em 4:47. Quatro minutos e 47 segundos. O tempo de Jeptoo, 2:18:57, é o quinto melhor da história, feminino, se não nos preocuparmos com discussões sobre que percursos valem para recordes e que percursos não valem*. ( Leiam comentário do leitor Alex, abaixo.)

9 – Os últimos 2.195 metros da prova foram cobertos por Jeptoo em 6:51, apenas três segundos mais lentamente do que Keflezighi.

10 – Keflezighi ganhou 150 mil dólares de prêmio (fora dinheiro de comparecimento). Jeptoo ganhou 175 mil dólares, incluindo 25 mil pelo recorde de percurso (fora dinheiro de comparecimento).

11 – O  tempo da americana Shalene Flanagan, que liderou boa parte da prova e acabou na sétima colocação, com 2:22:02, é o melhor  de uma representante dos Estados Unidos no percurso de Boston.

12 – Bill Rodgers, vencedor da antiga Maratona Atlântica-Boavista no Rio de Janeiro, ia correr a Maratona de Boston mas se machucou. Ele compareceu porém como “Grand Marshal”, um cargo honorífico.

 

 

Os longevos japoneses

Foto: AFP

Foto: AFP

Bristol (EUA) – Os japoneses tem a reputação de escalarem o Everest aos 80 anos de idade e coisas semelhantes. Eu mesmo conheço, nos triathlons que disputo,  diversos nesta faixa etária, em grande forma.

Agora constato, nos resultados da Maratona de Boston disputada nesta segunda-feira, que, na categoria de 75 a 79 anos, seis dos dez primeiros colocados foram japoneses.

Só pode ser o estilo de vida.

O sonho americano de Keflezighi

TIMOTHY A. CLARY / AFP

TIMOTHY A. CLARY / AFP

Bristol (EUA) – Foi muito apropriado que um imigrante, Meb Keflezigh, da Eritreia, tenha ganho a Maratona de Boston como cidadão americano, um ano depois dos irmãos Tsarnaev, também imigrantes, terem detonado o ataque terrorista na cidade, na chegada da edição do ano passado.

Oriundo de uma família de refugiados, com nove irmãos, vivendo num vilarejo  sem eletricidade, Keflezigh primeiro foi parar na Itália e finalmente, aos 12 anos,  na Califõrnia. A história de sua família é a de um retumbante sucesso da ética do trabalho. Keflezighi e diversos de seus irmãos são formados em curso superior nos Estados Unidos, ele pela UCLA.

Quando se fala em “sonho americano”, a família Keflezigh é um exemplo,  sobretudo para seus companheiros  de raça negra nascidos nos Estados Unidos, frequentemente acusados de não terem aquilo  que imigrantes de nações africanas ou do Caribe possuem em alta dose: a motivação para estudar, trabalhar e vencer.

Outro mérito para Keflezighi foi o de que no dia 5 de maio completará 39 anos.

Keflezighi foi medalha de prata na Maratona Olímpica de Atenas, em 2004, prova que o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima liderava até ser atacado pelo pastor irlandês Cornelius Horan.

Para o público americano foi também um momento de emoção ver Keflezigh,  com a bandeira do país, no Patriot’s Day, ser abraçado na linha de chegada pelo último americano a ter vencido a Maratona de Boston, no já longínquo ano de 1983: Greg Meyer.

Greg Meyer,  aquele mesmo  que  foi também vencedor da Maratona do Rio, na época chamada Maratona Atlântica-Boavista.

Quem acompanhou a prova pode testemunhar que,  antes da largada, ao ser apresentado ao público, Meb Keflezighi transparecia confiança. Assumiu a liderança da prova ao chegar à metade do percurso, em Wellesley e, no fim, quando muitos o consideravam ameaçado pelo queniano Wilson Chebet, Keflezighi teve forças para tornar a aumentar seu ritmo.

Meb Keflezighi ganhou com 2:08:37 (sem ameaçar o recorde do controvertido percurso de Boston), num dia agradável, com temperaturas por volta dos oito centígrados na largada e 15 na chegada. O segundo colocado foi Wilson Chebet, do Quênia,  com 2:08:48, e o terceiro, Frankline Chepkwony, também do Quênia, com 2:08:50.

Embora Keflezighi seja agora americano, em termos étnicos tivemos a repetição do que já se tornou comum em provas de longa distância: os principais colocados foram do leste africano.

O quarto lugar ficou com Vitaly Shafar, da Ucrânia, com 2:09:37.

Entre as mulheres tivemos uma prova sensacional, pois as quatro primeiras colocadas, todas do leste africano, quebraram o recorde do percurso, que era de 2:20:43.

A primeira foi Rita Jeptoo, do Quênia, repetindo sua vitória no ano passado, com 2:18:57, a segunda Buzunesh Deba, da Etiópia, com 2:19:59, a terceira Mare Dibaba, da Etiópia, com 2:20:35, e a quarta Jemina Jelagat Sumgong, do Quênia, com 2:20:41.

A maratona feminina, que começou meia-hora antes da masculina, teve um  ritmo muito forte, puxado pela americana Shalane Flanagan, que acabou em sétimo lugar, com 2:22:02.

A brasileira Adriana Aparecida da Silva foi a 16a., com 2:31:18.

 

 

Splitter incomoda Nowitzki

D. Clarke Evans / NBAE / Getty Images / AFP

D. Clarke Evans / NBAE / Getty Images / AFP

Bristol (EUA) – Transcrevo abaixo para vocês consultarem o score box do jogo deste domingo entre o San Antonio Spurs, em sua quadra, e o Dallas Mavericks, na abertura dos playoffs da Conferência do Oeste. Vocês podem verficar, e não é nenhuma novidade, que Tim Duncan foi o grande nome do San Antonio, com 27 pontos, sete rebotes e apenas um desperdício de bola, em 37 minutos e quarenta segundos na quadra.O Mavericks procurou ao máximo impedir as cestas de três pontos do Spurs (vejam o quadro de cestas de três pontos tentadas e convertidas), e dominou grande parte do jogo.O Spurs porém recuperou seu ritmo nos últimos sete minutos, assumindo uma liderança em 86 a 81, com 15 pontos consecutivos. A cinco minutos do fim, Tiago Splitter empatou a partida, aproveitando um passe de Tony Parker.A contribuição de Splitter foi importante sobretudo numa marcação cerrada sobre o ala Dirk Nowitzki, que no último quarto acertou apenas duas em seis cestas de quadra e terminou com 11 pontos.

Splitter, como vocês podem também verificar no score box, terminou a partida com 11 rebotes, sendo três no ataque, duas assistências e duas bolas roubadas.

Em tempo, DNP significa “não jogou”. Dois deles por decisão do técnico e os demais por conrtusão. 

(Por questão de espaço, estou dando apenas os números do San Antonio Spurs.)

 

Player Pos Min FGM-FGA FTM-FTA 3PM-3PA +/- OR Reb A Blk Stl TO PF Pts
T. Duncan F 37:40 12-20 3-5 0-0 +24 2 7 0 0 0 1 1 27
K. Leonard F 31:23 4-11 3-4 0-3 +23 1 10 0 0 0 1 2 11
T. Splitter C 30:35 3-6 2-4 0-0 +8 3 11 2 0 2 2 3 8
T. Parker G 33:55 9-16 3-3 0-1 +20 0 4 6 1 1 1 3 21
D. Green G 23:54 0-2 0-0 0-1 -6 1 5 1 2 2 0 1 0
M. Ginobili 31:23 4-10 6-6 3-6 +1 0 6 3 0 1 4 3 17
B. Diaw 22:35 2-8 0-0 0-1 -22 1 2 2 0 0 0 1 4
P. Mills 14:05 1-4 0-0 0-3 -15 0 1 0 0 0 1 2 2
M. Belinelli 12:00 0-4 0-0 0-2 -6 0 2 0 0 0 0 0 0
M. Bonner 2:25 0-0 0-0 0-0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
J. Ayres 0:05 0-0 0-0 0-0 -2 0 0 0 0 0 0 0 0
A. Daye  DNP — COACH’S DECISION
C. Joseph  DNP — COACH’S DECISION
A. Baynes  DNP — INACTIVE
D. James  DNP — INACTIVE

Cinco brasileiros (+1)

AFP PHOTO / FRANCK FIFE

AFP PHOTO / FRANCK FIFE

Bristol (EUA) – Os jornais noticiam que quatro brasileiros se sagraram neste sábado campeões da “Coupe de la Ligue”, na França, com o PSG.

Na verdade, foram cinco: Alex, Thiago Silva, Maxwell, Thiago Motta e Lucas.

Embora jogue pela Seleção Italiana (leiam “post” abaixo), Thiago Motta é brasileiro, nascido em São Bernardo do Campo.

Em tempo: como diz o leitor Luan, não mencionei o Marquinhos. Ele também é campeão, embora desta vez não tenha jogado.

Pênalti fantasma

IAN KINGTON / AFP

IAN KINGTON / AFP

Bristol (EUA) – O Chelsea foi derrotado em seu campo pelo Sunderland, numa partida dramática, em que saiu na frente mas levou um gol numa falha de marcação em um córner e outro num pênalti que não existiu.

Com isto, o título fica a mercê do Liverpool, que não o conquista há 25 anos.

Outro número importante: José Mourinho tinha 77 partidas invicto como técnico do Chelsea no estádio do time, Stamford Bridge.

O juiz – se a memória não me falha, um que já teve atuações muito controvertidas contra o próprio Chelsea – errou, mas antes dele errar Azpilicueta deixar escapar de seu controle uma bola fácil, criando a situação que levou Jozy Altidore a entrar livre na área.

Há porém duas observações interessantes sobre o jogo.

A primeira é que não se compreende um time de categoria como o do Chelsea deixar um adversário totalmente livre, em frente à área, na cobrança de um escanteio. Isto faz parte do beabá do futebol.

Na sequência, o chute, a defesa parcial do goleiro e o gol que, àquela altura, era o do empate.

Minha outra observação é que Ramires é um perigo. Não para os adversários, mas para seu time, por total irresponsabilidade.

Ramires vinha de uma suspensão por três jogos depois de uma agressão a um adversário.

Neste sábado, nas barbas do juiz, Ramires cometeu outra agressão que deveria ter sido imediatamente punida com mais um cartão vermelho.

Foi a cinco metros do juiz – que, incompreensivelmente, não viu.

Foi ver depois o tal pênalti  que não existiu.

Pelé no golfe

Divulgação

Divulgação

Bristol (EUA) – O golfe volta aos Jogos Olímpicos depois de 112 anos. Será exatamente no Rio de Janeiro, cidade que conta com dois campos muito conhecidos: o do Gávea e o do Itanhangá.

Mas resolveram construir um campo novo, na Reserva de Marapendi, com a justificativa  de que, depois da Olimpíada, ele  será um espaço  público, não um clube, e qualquer pessoa poderá ir lá  jogar, mediante o pagamento de uma taxa. “Green fee”, para os pernósticos.

Dizem que assim o golfe se desenvolverá mais no Rio e no Brasil, já que, desde os tempos de Mário Gonzalez, não temos nenhum golfista muito conhecido.

Eu deveria, a esta altura, estar a pedir esclarecimentos de meu amigo Alfredo Osório, antigo companheiro de redação no Jornal do Brasil e grande conhecedor da matéria.

Mas aventuro-me a prosseguir sózinho, pois do Alfredo Osório sei apenas que passou um tempo nos Estados Unidos e voltou ao Brasil, mas seu endereço me é desconhecido.

A construção do campo de golfe na Barra da Tijuca, onde fica a Reserva de Marapendi, tem causado grandes controvérsias, como remoção de pessoas que moram no local, degradação do meio ambiente etc.

Há quem diga que vale a pena enfrentar tais inconvenientes, pelo bem da divulgação, no Brasil, de um esporte de grande popularidade mundial.

Quem sabe o próximo Tiger Woods não surgiria em nossas plagas?

Tudo isto é muito interessante, mas…

Mas  eis que hoje, sábado, pego o New York Times que todos os dias é fielmente depositado à minha porta e o que vejo, em destaque, logo na primeira página?

Vejo, senhores,  que o golfe está se tornando “demodé” nos Estados Unidos. Ultrapassado.

Logo no país do Tiger Woods?

A reportagem diz que cinco milhões de pessoas deixaram de jogar golfe nos Estados Unidos na última década.

Diz ainda que 20% dos restantes 25 milhões de jogadores no país provavelmente abandonarão o esporte nos próximos anos.

Quer dizer, menos outros cinco milhões de jogadores.

O pior é o que vem em seguida:  o golfe está sendo abandonado sobretudo pelas novas gerações, as pessoas abaixo de 35 anos de idade.

Eles dizem que o golfe tem regras muito “irritantes”, é difícil de aprender  e consome muito tempo para jogar.

Omigod!

Para manter o golfe vivo, começam a surgir recursos como tornar enorme o tamanho dos buracos (assim é bem mais fácil acertar a tacada), dar ao jogador o direito a uma repetição se cometeu um erro (o chamado “mulligan”) e substituir as bolinhas de golfe por bolas de soccer (“foot-golf”).

Então já vi tudo: o legado do campo público de golfe na Barra da Tijuca vai ser  o de acolher homéricas peladas.

Tiger Woods? Não, vamos mesmo é revelar um outro Pelé.

This is football country, my dear.

Começa (?) o Brasileirão

Luiz Munhoz/Fatopress/Gazeta Press

Luiz Munhoz/Fatopress/Gazeta Press

Bristol (EUA) – Começa o Brasileirão, o Campoeonato Nacional que eu já considerei um dos mais competitivos do mundo.

Na verdade, é competitivo, tanto que o Fluminense, cube histórico e muito importante, desceu para a Segunda Divisão.

Desceu até que o STJD, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBF, achou que não era para descer. Afinal, o Fluminense é o Fluminense.

Usou-se então uma instituição de justiça especial do esporte, mas moralmente falida, para estabelecer, graças a hermenêuticas fajutas, que o resultado no campo não valia.

Um caso nebuloso, que gerou consequências e, por sinal, ainda está gerando, mesmo com o início da Série A e da Série B.

O tal STJD deveria acabar. É mais uma dessas instituições de um Brasil arcaico que atrapalham o esporte e mostram porque o Campeonato Nacional de um país cinco vezes campeão mundial é totalmente ignorado no exterior e nossos clubes estão falidos.