Gazeta Esportiva

É mais uma oportunidade de ser campeã, mesmo que desta vez seja por organismo menor. A brasileira Simone Duarte, 29, só aguarda as passagens para embarcar em busca do desafio à sul-africana Unathi Myekeni, 30, detentora do cetro WBF supergalo (55,3k). O confronto está marcado para o próximo dia 2 de junho no Oriente Theater em Eastern Cape (África do Sul).

Como parte de sua preparação física e teste de força, Duarte (11-4-0, 4 KOs) participou do Shooto 39, torneio de artes marciais mistas (MMA), na última sexta-feira e não teve problemas em superar a compatriota Arielli Souza no segundo round. “Sinto-me forte e confiante em bom desempenho pelo mundial”, assinala Duarte, que terá a companhia do treinador Gabriel Oliveira para o embate com Myekeni (8-0-1, 3 KOs).

Experiência – Enquanto a campeã da África do Sul só fez três combates nas últimas três e meia temporadas, Simone Duarte espera contar com a experiência de ter disputado títulos mundiais por entidades mais importantes como a AMB e OMB. A brasileira acabou suplantada pela argentina Yesica Marcos em duas ocasiões (2010 e 2011) e também pela uruguaia Cecilia Comunales, em novembro passado.

Em mais uma comprovação do incrível poder de suas mãos, o argentino Lucas Matthysse, 30, impôs três quedas e precisou alcançar apenas até o terceiro round para destruir o americano Lamont Peterson, 29, em embate sem título e peso pactado em 64 quilos. O confronto foi realizado neste sábado no Boardwalk Hall de Atlantic City, estado de New Jersey (EUA).

Matthysse (34-2-0, 32 KOs) só não teve domínio no início do combate. De modo estratégico, Peterson (31-2-1, 16 KOs) conseguiu manter a distância correta para evitar os golpes do portenho, mas sua eficiência durou pouco. Já no segundo giro, Matthysse desferiu forte combinação e, com gancho no alto da cabeça, derrubou Peterson – que se levantou e suportou a pressão até o gongo.

O enredo já estava definido para a terceira passagem. Matthysse encurtou o espaço, trocou duros golpes e, com gancho de esquerda enviou Peterson à lona. Atordoado, o atleta ianque ainda conseguiu ficar em pé porém, por poucos instantes até cair mais uma vez, sem necessidade de abertura de contagem pelo árbitro Steve Smoger, no tempo oficial de 2min14seg. Dono do cinto interino CMB, Matthysse jê está em linha para brigar com o também americano Danny Garcia, campeão unificado CMB e AMB.

Agora o retorno é mesmo sério, mas não com o boxe. Indiscutível e antigo campeão mundial dos pesos pesados, o americano Riddick Bowe, 44, trabalha duro para fazer sua estreia no kickboxing. O combate será contra o russo Levgen Golovin em competição a ser disputada em 14 de junho na Tailândia, e válida pelos títulos WBC e WMC.

Para se aperfeiçoar na modalidade, Bowe já está em intenso programa na Tailândia com profissionais contratados para colocá-lo na melhor forma possível, a fim de desenvolver bom espetáculo. O atleta perdeu toda a fortuna acumulada com o boxe e chegou até mesmo a vender luvas autografadas nas ruas americanas; por isso sentiu necessidade de experimentar outros rumos para amealhar algum dinheiro.

Oficialmente afastado dos ringues desde 2008, Riddick Bowe (43-1-0, 33 KOs) fez apenas três combates nas últimas 16 temporadas. Medalha de prata nos Jogos de Seul (Coreia do Sul/1988) – perdeu na final para Lennox Lewis -, o atleta ianque teve carreira vitoriosa com triunfos importantes e chegou a ostentar três cinturões simultaneamente.

Para o bem do esporte, os promotores encerraram as polêmicas e confirmaram a coleta de material para a realização de testes antidoping no panamenho Guillermo Jones, 41. Ontem, logo após superar o russo Denis Lebedev para reivindicar o título absoluto AMB cruzador (90,7k), o atleta latino foi vítima de notícias falsas que insistiam que ele se recusara aos exames.

A maior confusão foi criada pelos próprios empresários Vladimir Hryunov (de Lebedev) e Don King (de Jones). Os dois eram discordantes em deixar apenas nas mãos da Agência Russa Antidoping (Rusada) todas as provas de coleta. King pediu, e conseguiu, que uma amostra seja levada aos Estados Unidos para ser avaliada pela Vada (Agência Voluntária Antidoping), na hipótese do resultado ser desfavorável a Jones.

Não houve perda de tempo para a divulgação do acerto, já que os dois times negociavam nos bastidores. Mal tinha conservado o cetro “regular” AMB dos pesados, o russo Alexander Povetkin, 33, teve confirmado o confronto com o ucraniano Wladimir Klitschko, 37, supercampeão do mesmo organismo (mais os cintos OMB e FIB) para 5 de outubro, em Moscou (Rússia). O promotor Vladimir Hryunov havia ganhado o leilão de bolsa para o espetáculo com a incrível oferta superior a US$ 23 milhões (R$ 46 milhões).

“Está tudo definido para a luta e esperamos contar com mais de 70 mil pessoas no estádio Olympiyskiy”, festeja Hryunov. Minutos antes, Povetkin (26-0-0, 18 KOs) pulverizou o polonês Andrew Wawrzik logo no terceiro round. Já Wlad Klitschko (60-3-0, 52 KOs) manteve seus três cetros no triunfo pela via rápida sobre o italiano Francesco Pianeta, no último dia 4.

Foi sem dúvida uma das melhores lutas entre as divisões mais altas do esporte nesta temporada. O panamenho Guillermo “El Felino” Jones, 41, obteve nocaute técnico no 11º round sobre o russo Denis Lebedev, 33, e encerrou a polêmica de quem é o campeão absoluto AMB cruzador (90,7k). O espetáculo com ar de guerra, de vantagens alternadas de lado a lado, foi disputado nesta sexta-feira no Crocus City Hall de Moscou (Rússia), logo após o triunfo de Alexander Povetkin sobre Andrew Wawrzik.

Jones (39-3-2, 31 KOs) já começou o embate no ataque e, ao fim da primeira rodada, provocou corte sobre o olho direito de Lebedev (25-2-0, 19 KOs). Os dois atletas foram abalados na segunda etapa e nunca desistiram de disparar golpes, incluindo o capítulo seguinte. A batalha estava estabelecida e deixava o confronto sem definição.

No quarto capítulo, Jones comprovou a fortaleza de seu queixo e, ainda assim, foi à frente e deixou o olho direito de Lebedev praticamente fechado. Sucessivamente, os boxeadores se alternaram no comando da disputa: o panamenho foi melhor no quinto episódio, enquanto o russo pareceu melhor no sexto, sétimo e oitavo giros.

Cansaço – As emoções não cessavam. “El Felino” Jones veio forte na nona passagem e, na décima, também fechou o olho esquerdo de Lebedev. Em momento propício, o panamenho se mostrou melhor condicionado e obteve o nocaute técnico com queda do russo junto ao córner, muito mais em razão de cansaço que de golpes a 1min54seg. Jones era rotulado como “campeão em recesso”, ao passo que Lebedev detinha o cetro “regular”.

Foi mais rápido do que ele mesmo imaginou. O russo Alexander Povetkin, 33, precisou chegar apenas ao terceiro round para aniquilar o polonês Andrew Wawrzyk, 25, e conservar o título “regular” AMB dos pesos pesados. O embate foi realizado ontem no Crocus City Hall de Moscou (Rússia), e agora Povetkin só espera o acerto da data para enfrentar o ucraniano Wladimir Klitschko, supercampeão do mesmo organismo.

Povetkin (26-0-0, 18 KOs) revelou muita determinação desde o toque do gongo. Caminhando à frente e esperando o momento certo para impor pressão com combinações velozes, o russo começou o domínio no segundo giro e, ao aplicar dura direita, levou Wawrzyk (27-1-0, 13 KOs) ao chão.

O desafiante se levantou quase imediatamente, revelando certa falta de experiência, e foi alvo fácil para a fúria do campeão. Como resultado dessa ação, Wawrzyk terminou a rodada em pé, mas com o nariz sangrando em demasia. Na terceira etapa, Povetkin foi ainda mais forte, jogou o rival às cordas por golpe – e o árbitro acertadamente considerou knockdown.

Sem contagem – O polonês tentou resistir, contudo, o russo partiu ao ataque e, devido à grande sequência, conseguiu mais uma queda. Desta vez, o árbitro Russell Mora sequer abriu contagem e determinou o fim do combate aos 2min28seg. “Eu só queria mostrar um pouco de meu arsenal ofensivo. Eu treinei para ficar mais tempo no ringue, mas a vitória veio rápida”, resume Povetkin.

Ele é uma das boas apostas do boxe brasileiro. Com interessante trajetória amadora, e ainda invicto e de recorde perfeito, Hamilton “Geladeira” Ventura, 30, já está nos Estados Unidos para dar o passo mais importante e decisivo de sua vida. No próximo dia 25, o peso cruzador (90,7k) enfrenta o americano Mitch Williams, 30, em Los Angeles (Califórnia) em sua primeira apresentação fora do país e sob contrato com a promotora KO Kings.

“Confiamos plenamente em seu potencial. Por isso decidimos aceitar todas as condições e eventuais riscos”, comenta Ricardo Rodrigues, ex-atleta olímpico e treinador de Ventura (8-0-0, 8 KOs). Na probabilidade de vitória sobre o resistente Williams (7-3-1, 5 KOs), o brasileiro pode realizar mais um combate nos EUA em menos de duas semanas. O acordo inicial com a KO Kings é de quatro temporadas.

Planejando com segurança os últimos combates antes do anúncio de aposentadoria, o porto-riquenho Miguel Cotto, 32, não quer ter seu nome vinculado apenas a possíveis combates no mês de setembro diante de Saul “Canelo” Alvarez (México) e Floyd Mayweather (EUA). O atleta borícua ainda sonha com a obtenção de títulos mundiais e não descarta desafiar outros oponentes.

Cotto (37-4-0, 30 KOs) sofreu duas derrotas na temporada passada – Mayweather e Austin Trout -, contudo, seu valor de mercado não diminuiu e ele continua sendo tratado como atração interessante. Em seus planos está o desejo de recuperar um cinturão dentro da divisão supermeio-médio (69,8k) e seus agentes já miram na direção do ianque Ishe Smith, detentor da coroa FIB, ou mesmo do russo Zaurbek Baysangurov, campeão OMB, mas os dois têm defesas prévias neste mês de junho. Cotto teria de aguardar esses embates para decidir melhor seus passos.

Mais jovem campeão mundial dos pesos pesados da história, o lendário americano Mike Tyson, 46, estima que, nesse momento, nenhum concorrente é capaz de suplantar os irmãos ucranianos Vitali e Wladimir Klitschko, detentores dos quatro principais cintos da categoria máxima do esporte. “Há bons valores, mas ninguém em condições de tomar o lugar deles”, enfatiza o ianque.

Aposentado desde 2005, Tyson (50-6-0, 44 KOs) é uma das vozes a elogiar as diversas qualidades dos Klitschko. “Eles são altos, fortes física e mentalmente, inteligentes e capazes de dominar qualquer adversário, sob qualquer circunstância”, descreve o americano que vê com alguma reservas possíveis desafiantes como Alexander Povetkin, Deontay Wilder, Tyson Fury, Kubrat Pulev ou Magomed Abdusalamov.