Gazeta Esportiva

Postados por: reinaldocarrera

Ele se orgulhava de ser classificado em outros tempos como o homem mais temido do mundo. Contudo, o lendário americano Mike Tyson, 45, admite que ainda hoje se vê obrigado a controlar sua raiva, pois “quero que minha mulher e meus filhos me respeitem”. Mais jovem peso pesado da história a abocanhar o cetro mundial da categoria, Tyson só quer estar longe dos problemas que o cercaram em boa parte de sua existência.

“Tenho de me controlar todos os dias. É um exercício embora eu ache que a raiva nunca sairá definitivamente de mim”, concede Tyson. Dentro do ringue, ele avalia que não poderia ser mesmo boa pessoa, caso contrário não teria alcançado tudo que ostentou. “Eu queria que as pessoas que ficaram comigo no ringue pensassem que estavam lidando com um selvagem. Eu queria que elas me demonstrassem algum respeito”, comenta o ex-boxeador ianque, aposentado em 2005.

Com mudança de atitude, mais simpático e afável, Mike Tyson tem se tornado mais aceito na, às vezes, rude sociedade americana. Recentemente, encerrou um show em Las Vegas, em que era artista de si mesmo, é convidado com frequência para participar de programas de TV e já estuda o roteiro para gravar a terceira edição do filme “Se beber não case” (The Hangover, EUA).

Com a maior parte de sua atenção voltada para as atividades políticas, o ucraniano Vitali Klitschko, 40, revela que seu fim dentro das competições está cada vez mais próximo. “Faço mais uma ou duas lutas no máximo”, revela o atual detentor do título CMB dos pesos pesados e um dos atletas de melhor índice de nocautes da categoria em todos os tempos.

Vit Klitschko (44-2-0, 40 KOs) é líder do partido Udar na Ucrânia e o principal nome às eleições para prefeito da capital Kiev antes do fim da temporada. “Hoje, 90% do meu tempo é dedicado à política. No boxe já alcancei quase todos os meus objetivos na carreira”, destaca o ucraniano.

Ele admite que antes do retiro gostaria de enfrentar o britânico David Haye com quem esteve em negociações bem adiantadas que falharam quando o oponente decidiu combater com o compatriota Derek Chisora. “Fizemos várias concessões a Haye, incluindo sua rejeição em usar luvas da marca Grant e quase o convencemos a lutar na Ucrânia. Mas, para ele, o desejo por dinheiro é maior que obter um título que já foi de Muhammad Ali, Lennox Lewis e Mike Tyson”, ataca Vitali Klitschko.

Sempre utilizando expressões muito fortes e por vezes extremamente agressivas, o peso pesado britânico Derek Chisora, 28, continua revelando toda sua ira contra o compatriota David Haye, 31. O atleta de origem zimbabueana conta as horas para o embate de 14 de julho no Upton Park de Londres (Reino Unido) e não suportará qualquer desculpa do rival depois que lhe impor uma lição.

“Se ele (Haye) inventar uma história ridícula para justificar sua derrota para mim, eu pularei em cima dele e estrangularei até a morte desse filho da puta”, sentencia Chisora (15-3-0, 9 KOs). O pugilista não quer presenciar situações como a que fez Haye (25-2-0, 23 KOs) quando perdeu para Wladimir Klitschko, no ano passado, e depois mostrou o dedinho do pé supostamente quebrado para desculpar-se pela má performance.

Qualificado para disputar o título mundial da divisão supermédio (76,2k), o americano Anthony Dirrell, 27, tem de adiar seu planejamento mais imediato. De acordo com informações de Andre Dirrell, seu irmão e também lutador, Anthony sofreu acidente de motocicleta ontem e precisará de ao menos seis semanas afastado do ginásio antes de ser liberado pelos médicos. Já o tio e técnico Leon Lawson destaca que o pupilo fraturou uma perna e um braço, com intervenção cirúrgica.

Anthony Dirrell (24-0-0, 1 KOs) havia conqusitado a posição de desafiante ao cinto CMB depois de superar o canadense Renan St. Juste, em dezembro. Entre os anos de 2006 e 2008, o boxeador também teve necessidade de ficar longe do esporte depois que os especialistas detectaram que ele era portador de linfoma não Hodgkin. O atleta ianque precisou de mais de dez meses de tratamento quimioterápico antes de ser liberado para competir.

A informação apanhou todos de surpresa, mas é a realização do sonho de toda mulher. A mexicana Ana Maria Torres, 32, comunicou sua equipe que está grávida, obrigando-a a desistir do desafio de combate com a jamaicana Alicia Ashley, 44, detentora do título CMB da divisão supergalo (55,3k). O encontro estava previamente pactado para 2 de junho.

Campeã CMB supermosca (52,1k) e uma das melhores boxeadoras do mundo entre todas as categorias, Ana Maria Torres (28-3-3-, 16 KOs) planejava subir dois degraus para enfrentar Alicia Ashley (18-9-1, 1 KO) – agora, a azteca não tem nenhuma previsão de retorno. Já a jamaicana revela que estava em período forte de treinamento e espera que seus agentes encontrem outra rival para defender seu cinturão. “Estava ansiosa para enfrentá-la (Torres)”, confidencia Ashley que jamais foi superada por nocaute.

Fazendo os últimos ajustes sob as ordens do técnico cubano Orlando Cuellar, o brasileiro Michael Oliveira, 22, mostra confiança em superar o compatriota e ex-campeão mundial Acelino Popó Freitas, 36, no confronto de gerações marcado para o próximo dia 2 de junho no Hotel & Casino Conrad Punta del Este (Uruguai), em dez roundes pela divisão supermeio-médio (69,8k). A SporTV promete transmitir o combate ao vivo para o Brasil.

“Eu me preparei como se tivesse de lutar com Floyd Mayweather” exagera Oliveira (17-0-0, 12 KOs). Mesmo admitindo que nutre admiração por Freitas (38-2-0, 32 KOs), o jovem lutador não tem dúvidas da vitória. “Eu ganharei não importa de que forma. Meu respeito por ele não diminui meu espírito competitivo”, fulmina.

Oliveira tem diversos pontos que podem contribuir com sua autoestima. Ele estará diante de Freitas que não sobe ao ringue há mais de cinco temporadas, quase 15 anos mais velho, nunca atuou pela categoria programada para o combate e, com certeza, não tem o mesmo fôlego e poder que o transformou em pegador temível em divisões bem mais baixas, ao ser dono de cintos entre os superpenas (58,9k) e leve (61,2k).

Em discussão que começou por causa de compra de bebida alcoólica o argumento de fim trágico surpreendeu até mesmo a polícia. Allen Robinson, 31, está sendo indiciado por assassinato em primeiro grau por disparar contra Francisco Suarez, 20, e outro amigo de 19, na cidade de Phoenix, estado do Arizona (EUA), na madrugada do último domingo. Robinson não ficou satisfeito ao saber que os dois jovens não apreciavam o boxeador Floyd Mayweather que, horas antes, havia superado Miguel Cotto.

Robinson estava acompanhado de comparsa quando tentou comprar bebida em loja de conveniência. Contudo, o vendedor negou a venda do produto por avaliar que os dois demonstravam estar em estado de embriaguez. Já do lado de fora, os dois homens se encontraram com Suarez e seu amigo – pela lei americana ainda são menores – e pediram para que eles comprassem a bebida.

O tom da conversa mudou repentinamente e passou a ser o embate entre Mayweather e Cotto realizado em Las Vegas (Nevada). O criminoso revelou chateação pelos comentários de Suarez e seu amigo de que não eram admiradores de Mayweather e sacou a arma e deu início a vários disparos, matando Suarez. O parceiro de Allen Robinson já se entregou às autoridades.
Reprodução

Willman Rodriguez Gomez e sua mãe - Foto: Reprodução

Os riscos intrínsecos ao esporte provocaram mais duas tragédias neste fim de semana. Em países diferentes, o mexicano José Angel Jimenez, após mais de um mês de internação, e o neozelandês de origem peruana Willman Rodriguez Gomez, 29, no mesmo dia do combate, morreram em decorrência das graves lesões sofridas em suas apresentações de boxe.

Rodriguez Gomez (0-1-0) atuava pela primeira vez como profissional e foi nocauteado em apenas 32 segundos pelo igualmente estreante Karihi Tehei (1-0-0, 1 KO). O embate foi na última sexta-feira, no Salle Louis ‘Babo’ Aitamai de Fautaua, de Papeete, na Polinésia Francesa (Taiti) e, segundo o técnico, seu pupilo tinha grande capacidade de receber golpes e muitas vezes preferia recebê-los do que esquivar-se deles o que “pode ter contribuído para sua morte”.

Coincidentemente, Jimenez (0-1-0) também fazia sua estreia diante do mais experiente compatriota Josué Veraza (12-3-1, 10 KOs) e perdeu o confronto por pontos após quatro roundes, em programa realizado em 31 de março em Mérida (estado de Yucatán). Pouco tempo depois não se sentiu bem, foi encaminhado a hospital e precisou de cirurgia no cérebro. O atleta ficou inconciente durante todo esse período e acabou morrendo vítima de infarto.

Pode estar chegando ao fim uma das trajetórias mais eficazes das últimas décadas. O americano Floyd Mayweather, 35, está considerando a possibilidade de se retirar do esporte que lhe deu títulos mundiais em cinco divisões de peso. “Minha mentalidade nesse momento é de 80-20% a favor de pendurar as luvas”, assinala a estrela americana.

Antes mesmo do embate de sábado em que superou por pontos o porto-riquenho Miguel Cotto e ficar com o cinto AMB supermeio-médio (69,8k). Mayweather (43-0-0, 26 KOs) já considerava a aposentadoria. Agora, ele avalia ter poucos rivais disponíveis, além de buscar sensatez para admitir que há diversos jovens boxeadores “que serão construídos para lutarem comigo”.

Em tom enigmático, Mayweather diz que, se por acaso o embate com Cotto foi sua derradeira apresentação, “ao menos dei aos torcedores o que eles queriam ver”. Agumas das alternativas estudadas para a estrela americana são o britânico Amir Khan, o mexicano Saul “Canelo” Alvarez, o argentino Sergio “Maravilla” Martinez e, claro, o filipino Manny Pacquiao.

“Eu lhe ofereci US$ 40 milhões (R$ 76,8 milhões) conversando diretamente com ele por telefone”, relembra Mayweather sobre as conversas com Pacquiao. O ianque reafirma que o filipino deseja repartir todo o faturamento igualmente em 50%, posição que não concorda. “Como posso aceitar essa condição se ele não faz os números que faço no pay-per-view? Ele mesmo disse que aceitava lutar por menos dinheiro e com a realização dos testes de sangue e urina. Portanto, não sou eu quem não quer o combate”, finaliza o americano.

Foto: AFP

Há muitos anos ele não vivia um combate em que tinha, de fato, um adversário disposto e em condições de criar problemas. O americano Floyd Mayweather, 35, teve muito trabalho para suplantar por pontos o porto-riquenho Miguel Cotto, 31, para roubar-lhe o título AMB da divisão supermeio-médio (69,8k). O embate terminou nos momentos deste domingo no MGM de Las Vegas, estado de Nevada (EUA).

Mayweather (43-0-0, 26 KOs) começou melhor o combate com boas esquivas e manutenção da distância ideal para aplicar seus golpes, mesmo sem ser forte pegador. No segundo capítulo, Cotto (37-3-0, 30 KOs) chegou a descrontrolar-se ao empurrar o oponente pelos ombros quase o jogando fora do ringue.

Percebendo que o caminho adequado era jogar o rival a distâncias menores e junto às cordas, a tática de Cotto surtiu efeito na terceira passagem. O americano respondeu com velocidade de golpes e boas combinações no giro seguinte, porém, o porto-riquenho nunca desistiu de pressioná-lo e viveu bons períodos até a nona etapa, criando dificuldades para a avaliação dos jurados com pequenas vantagens de lado a lado.

Show no fim

Já a parte final do combate foi toda de Mayweather, com repetição de socos do lado esquerdo da cabeça, jabs e uppers que passaram a perfurar com maior constância a defesa de Cotto. A performance do ianque foi notável no último episódio chegando a abalar seriamente o adversário em mais de uma ocasião.

Na divulgação do resultado, os jurados foram unânimes ao anotarem a vitória de Mayweather em 117-111; 117-111 e 118-110 – nós anotamos 115-113. Após a luta, a estrela americana enfatizou o desejo de enfrentar o filipino Manny Pacquiao desde que haja concordância com os exames aleatórios de sangue e urina.

A única certeza, porém, é que Floyd Mayweather deve se apresentar ao Tribunal do Condado de Clark em 1º de junho, para ser encaminhado à prisão para cumprimento de pena de 90 dias por violência doméstica – período que pode ser reduzido por bom comportamento, por exemplo. O atleta deixou claro que pretende voltar a atuar ainda nesta temporada.