Pagando pelos próprios pecados

 
Já diz o velho ditado: Quem planta vento, colhe tempestade. Esta é a afirmativa que mais ilustra a atual situação do Palmeiras e do Internacional.
 
A última rodada do campeonato brasileiro tem sido ainda comentada por conta do gol de mão do Barcos no jogo contra o Internacional, no Beira-Rio. As mais variadas interpretações das duas diretorias, cada uma defendendo o seu “peixe”, chegam a ser engraçadas. Um lado afirma que foi pênalti no atacante do Palmeiras, que a televisão foi a culpada por avisar a arbitragem sobre o gol irregular (o que contraria a regra da Fifa), tentando usar deste artifício para anular a partida; o outro ”pega pesado” sobre a postura do jogador que fez o gol irregular, alegando que deveria ser honesto ao ponto de dizer que o gol não foi legítimo, algo surreal no mundo desportivo, com raras exceções como a do atacante alemão Klose.
 
Todo esse alarde é benéfico aos dois times, pois camufla a atual situação desesperadora de cada um. Ao Internacional nada sobrou nesta temporada de muitas oscilações. Apesar de ter um time competitivo, a fase está longe de ser boa e a Libertadores torna-se a cada rodada um sonho mais distante (se é que ainda tem chances matemáticas para isso). A diretoria conta com um ex-jogador ídolo do Inter sem experiência alguma como técnico para dirigir o time em um dos campeonatos mais equilibrados do mundo. O mercado de técnicos não é tão bom no momento, mas ainda há opções melhores que o Fernandão. Preocuparam-se em colocar o estádio na Copa de 2014 (greves e burocracias atrasaram a reforma) e se esqueceram do time.
 
Quanto ao Palmeiras, o inferno político que o clube vive reflete diretamente no desempenho do time que corre sério risco de ser rebaixado. Em nada adiantou demitir Felipão, apesar de não considerá-lo grande coisa. Um clube com tanta tradição não pode depender apenas de um volante prestes a pendurar as chuteiras, de um camisa 10 que mais frequenta o departamento médico do que sua própria casa e um atacante bom de bola mas que “corre o risco” de ser convocado para a seleção de seu país, desfalcando o time em jogos decisivos ou jogando no sacrifício. Falta planejamento e eficácia na administração. Falta autoridade e autonomia ao presidente. São muitos velhos caquéticos decrépitos do Conselho com poder de decisão no departamento de futebol. Cadê o elenco? Não era sabido que o Palmeiras disputaria competições importantes o ano todo? Por que jogar um torneio para ganhar e esquecer o resto completamente?
 
Essa briga no tribunal por 3 míseros pontos mostra que Palmeiras e Internacional estão pagando pelos próprios pecados. Os 3 pontos não deveriam fazer tanta diferença para times de tanta história no futebol.
 
 
Márcio Martins Araújo

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