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Por Marcos Guedes, especial para GE.Net
Casemiro Mior chega da Europa trazendo na bagagem, além
da experiência de dirigir o Nacional da Ilha da Madeira
por quase dois anos, uma enorme admiração pelo
colega Luiz Felipe Scolari. Amigo do treinador da seleção
portuguesa, o brasileiro agradece a ajuda que recebeu do pentacampeão
e garante: "Dá para dividir a era pré-Felipão
da pós-Felipão em Portugal".
Padrinho à parte, Mior quer conduzir o Furacão
a uma boa campanha na Libertadores 2005. Enquadrado no perfil
desenhado pela diretoria, ele chega ao comando do atual vice-campeão
brasileiro "pelo desafio de dirigir um clube grande".
Em seus 15 anos de carreira de treinador, o homem de 47 passou
apenas por pequenas equipes do sul do Brasil e países
como Venezuela, Hong Kong e Portugal.
Embora não deixe de lamentar, o técnico encara
com naturalidade a perda dos principais jogadores na campanha
do Campeonato Brasileiro. "Futebol é um negócio
e não há muito o que fazer", explica. Por
telefone, ele falou sobre esses e outros assuntos à
reportagem da Gazeta Esportiva.Net. Confira a entrevista:
Gazeta Esportiva.Net: Casemiro, você ainda é
pouco conhecido no cenário do futebol nacional. Conte
um pouco da sua experiência na carreira.
Casemiro Mior: Já tenho uma experiência grande
como treinador. No Brasil, trabalhei mais no sul mesmo, em
equipes como o Veranópolis e o XV de Campo Bom. Em
1996, apareceu, através do Brunoro (José Carlos,
à época diretor de esportes da Parmalat), a
oportunidade de trabalhar no time da empresa na Venezuela,
onde fiquei um ano. Anos depois, passei quatro temporadas
em Hong Kong e cheguei a dirigir a seleção olímpica.
Nos últimos 20 meses, estava no futebol português.
GE.Net: Como foi sua passagem por Portugal?
CM: Cheguei ao Nacional (da Ilha da Madeira) por indicação
do Felipão. O técnico do time foi para o Sporting,
a vaga foi aberta e eles me convidaram. A passagem foi muito
boa. Apesar de estar na primeira divisão há
algum tempo, o time nunca havia conseguido brigar pelas primeiras
posições. A melhor classificação
deles era a de 1989, sob o comando do Paulo Autuori, quando
eles ficaram com o décimo lugar. No ano passado, ficamos
em quarto e conseguimos a classificação para
a Copa da Uefa.
GE.Net: O que te fez aceitar a proposta do Atlético
para voltar?
CM: O desafio de vir para um clube grande. Por mais que
eu tivesse um bom ambiente e o contrato em vigor lá,
não podia desperdiçar a chance de vir para o
meu país, para um grande clube e ainda disputar a Libertadores.
Não que o dinheiro não seja bom, mas não
foi a parte financeira que pesou. Eu vim por acreditar numa
grande organização, que tem crescido, tem suas
diretrizes, um líder, que é o Petraglia, e toda
uma direção por trás.
GE.Net: O Fleury comentou que você ficou satisfeito
com a estrutura do Atlético. Ela é realmente
acima da média?
CM: Eu tenho certa experiência, conheço estruturas
como a do Grêmio e do Inter, e posso dizer: aqui é
acima de qualquer expectativa. O CT é muito bom, o
estádio é moderno, bonito, prático. Isso
tudo mostra o quanto o clube cresceu nos últimos anos.
GE.Net: Dá para comparar com o que você viu
na Europa?
CM: É diferente porque o clube no qual eu estava
não tem essa dimensão. Até por ser localizado
em uma ilha, tinha dificuldades de espaço. Para você
ter uma idéia, o estádio tem capacidade para
apenas três mil pessoas e, na Copa da Uefa, tínhamos
de mandar os jogos no do Marítimo (Estádio dos
Barreiros). Agora, é claro que clubes como Porto, Benfica
e Sporting têm mais condições.
GE.Net: O Atlético perdeu jogadores-chave depois
do Campeonato Brasileiro. Como você vê o time
para a disputa da Copa Libertadores?
CM: Pelo sucesso que o time atingiu no ano passado, acabou
despertando o interesse de clubes do Brasil e do exterior.
Futebol é um negócio, a oferta/procura é
muito grande e não há muito o que fazer. A equipe
é bem diferente da do Brasileiro, mais da metade da
equipe titular saiu, mas a direção está
empenhada em repor essas peças com qualidade. Vamos
procurar montar uma nova equipe e fazer um bom trabalho.
GE.Net: Como a torcida reagiu à perda de jogadores
como Washington e Jádson?
CM: A torcida, é claro, sentiu a saída dos
jogadores mais ligados ao clube. Sentiu a perda do Washington,
que era o goleador e, principalmente, a saída do Jádson
e do Ivan, que eram muito ligados ao Atlético. Mas
não tem jeito. Como eu falei, o futebol é um
negócio hoje em dia.
GE.Net: E os garotos do Atlético? Têm futuro?
CM: Sim, não resta dúvida. Temos observado
o Fernandinho e o Evandro, que estão na seleção
sub-20, fazendo um bom trabalho. Temos também jogadores
em outras seleções de base, como o Ricardinho.
Esses atletas se juntarão a outros, já afirmados,
como é o caso do Dagoberto, e esperamos que a mistura
dê resultado.
GE.Net: Você considera o time inexperiente para
a disputa da Libertadores?
CM: Nós também temos jogadores experientes,
como o Diego, o Rogério (Corrêa) e o Cocito.
Acho que a equipe não é tão inexperiente
assim.
GE.Net: O Atlético foi campeão brasileiro
em 2001, mas foi muito mal na Libertadores do ano seguinte.
Você acha que o time aprendeu com aquela campanha?
CM: A equipe atual é diferente daquela, apenas
alguns atletas estavam aqui em 2002, mas a nível de
clube, acho que houve um aprendizado. O mais importante é
perceber que a Libertadores é uma competição
diferente. Os brasileiros precisam aprender a encarar essa
competição como fazem os outros sul-americanos.
GE.Net: A receita, então, é dar total prioridade
à Libertadores?
CM: De certa forma, sim. Vamos priorizar e colocar todo
o nosso arsenal nesse campeonato para que possamos jogar com
força máxima.
GE.Net: Mudando um pouco de assunto, Casemiro, você
esteve em Portugal por um bom tempo. Como a presença
do Felipão no comando da seleção é
encarada por lá?
CM: Não posso dizer que ele seja uma unanimidade.
Mas, com certeza, ele será o treinador de mais sucesso
da história da seleção portuguesa. A
Eurocopa contribuiu muito para isso, o carinho e o respeito
que ele conquistou no país são realmente impressionantes.
Acho que dá para fazer uma divisão entre a era
pré-Felipão e a era pós-Felipão
em Portugal.
GE.Net: Você é amigo do Felipão?
CM: Sim, me considero amigo dele. É uma pessoa
que me ajudou bastante.
GE.Net: E a chegada do Wanderley Luxemburgo no Real Madrid?
Pode abrir ainda mais as portas para os treinadores brasileiros
na Europa?
CM: Tenho certeza que sim. O Felipão é um
dos nomes a nível de seleção européia
e o Wanderley no Real vai abrir muitas portas. Antes, o mercado
só era aberto para técnicos brasileiros na Árabia
e no Oriente Médio, e não em um campo como o
do futebol europeu. O trabalho que eu fiz em Portugal, por
que não, também pode ajudar.
GE.Net: Você pretende voltar para o futebol europeu
um dia?
CM: Só Deus sabe. Quem sabe eu não possa
voltar depois de conquistar a Libertadores e consiga abrir
mais portas?
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