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| FICHA
TÉCNICA |
Nome:
Carlos Henrique Dias (Kim) Data de nascimento:
22/06/1980 (25 anos) Altura: 1,80m
Peso: 80kg Clubes:
Atlético/MG (1998 a 2003), Al Ahli, da Arábia
Saudita (2004 e 2005) e Nancy, da França (desde
setembro de 2005). Títulos:
Bicampeão mineiro (1999 e 2000) e campeão
da Copa da Liga Francesa (2006). |
Fábio Matos, especial para a GE.Net
Desde o último dia 22 de abril, a cidade de Nancy,
na França, com seus 105 mil habitantes na região
metropolitana, tem um novo ídolo: Carlos Henrique Dias,
o Kim, brasileiro, de 25 anos, ex-atacante do Atlético
Mineiro e atual destaque do modesto Nancy, clube intermediário
da Primeira Divisão do futebol francês.
Tanto reconhecimento se deve ao gol marcado na final da Copa
da Liga Francesa diante do Nice. Jogando no fatídico
Stade de France, em Saint-Dennis, nos arredores de Paris (palco
da decisão da Copa do Mundo de 1998 entre Brasil e
França), o Nancy venceu por 2 a 1, com um gol de Kim
aos 20 minutos do segundo tempo. Foi o gol que sacramentou
um título esperado pela torcida há 28 anos,
quando o ex-craque Michel Platini, um dos maiores nomes da
história do futebol francês, era o principal
astro da equipe. A competição é a terceira
mais importante no país, depois do Campeonato Francês
e da Copa da França.
Nesta entrevista exclusiva à GE.Net, Kim (que atua
ao lado de outros dois brasileiros, os zagueiros Adaílton,
ex-Vitória, e André Luís, também
ex-Atlético/MG) fala sobre os problemas que teve de
superar até chegar a seu melhor momento no Nancy e
ainda dá seus pitacos sobre a estrutura do futebol
francês, Copa do Mundo, seleção brasileira,
Juninho Pernambucano e o Atlético/MG, clube que defendeu
entre 1998 e 2003.
GE.Net – Como a torcida do Nancy, e você
especialmente, receberam o título da Copa da Liga Francesa,
28 anos depois da última taça?
Kim – Foi muito importante, pois o time e a
torcida sofriam por essa ausência de títulos.
Para mim, particularmente, foi um momento inesquecível,
até pelo gol marcado que acabou dando a vitória
ao nosso time na final. Eu tive alguns problemas de contusão
desde que cheguei ao clube (em setembro de 2005), e sempre
fica aquela desconfiança, porque eles tinham investido
muito para me contratar (junto ao Al Ahli, da Arábia
Saudita). Depois que me recuperei da última contusão,
estava há quatro jogos sem marcar gols. Então,
foi muito importante. Além disso, quando voltamos para
a cidade, fomos recebidos por 25 mil pessoas. Nunca vi uma
festa assim e nunca imaginei que isso fosse acontecer.
GE.Net – Após 35 rodadas do Campeonato
Francês, o Nancy ocupa a modesta 14ª colocação,
com 44 pontos. Por que essa diferença tão grande
em relação à campanha, por exemplo, na
Copa da Liga Francesa?
Kim – O Campeonato Francês é uma
competição muito difícil, em que é
complicado você ter resultados bons sem um elenco tão
competitivo. Quando cheguei ao clube, a diretoria deixou claro
para mim que o objetivo do time era não cair para a
Segunda Divisão. E, dentro de nossas limitações,
conseguimos.
GE.Net – Foi uma surpresa para vocês
conquistar o título da Copa da Liga?
Kim – Para a gente, desde o começo,
a Copa da Liga era a prioridade. Não se foi surpresa
ou não, mas desde o começo nos dedicamos muito
à competição, até porque estávamos
mal no Campeonato Francês. E o fato de priorizarmos
foi importante. Deu certo.
GE.Net – Além da pressão por
títulos, há muita cobrança pelo fato
de o Nancy ter sido o time em que Michel Platini ganhou projeção?
Kim – É uma cobrança muito grande,
porque o Platini foi um dos maiores jogadores, senão
o maior, da história da França. As pessoas sempre
lembram das conquistas dele aqui no Nancy, sempre existe uma
certa pressão. Mas espero que, com esse título
que ganhamos, as coisas mudem um pouco.
GE.Net – Qual a principal diferença
que você sentiu desde que chegou ao Nancy, em relação
ao futebol brasileiro?
Kim – A única grande diferença
que senti, para dizer a verdade, foi na questão da
torcida. Como eu joguei durante muito tempo no Atlético/MG,
achei um pouco estranho, principalmente no começo,
a pequena torcida do Nancy, o estádio pequeno, essas
coisas. É bem diferente do Mineirão lotado com
a torcida do Galo gritando. Em relação à
estrutura do clube, é muito boa, sem dúvida.
Não deve nada aos grandes clubes do Brasil e da Europa.
É uma estrutura de Primeiro Mundo, realmente.
GE.Net – Quais são seus planos daqui
por diante? Pretende permanecer no Nancy, se transferir para
outro clube da Europa ou voltar ao Brasil em breve?
Kim – Eu fiz um contrato de quatro anos com
o Nancy e pretendo cumprir até o final (fim da temporada
2008-2009). Mas é claro que, quando cheguei aqui, tinha
o objetivo de buscar meu espaço em algum clube grande
do futebol francês ou até mesmo de outros países
da Europa. Nunca sabemos o que pode acontecer e, se surgir
alguma coisa interessante para mim e para o clube, tenho certeza
de que vamos discutir. Voltar ao Brasil, acho difícil
neste momento.
GE.Net – Como você acompanhou o rebaixamento
do Atlético/MG à Série B do Campeonato
Brasileiro em 2005? Como vê este momento delicado que
o clube atravessa?
Kim – Quando eu saí do Atlético/MG,
em 2003, o time estava em sexto lugar no Campeonato Brasileiro
(a equipe terminou em sétimo lugar, com 72 pontos em
46 partidas). Tínhamos uma boa equipe e conseguimos
fazer uma boa campanha. Em 2004, depois que eu saí,
percebi que a diretoria começou a tomar atitudes equivocadas.
Muitos treinadores diferentes passaram pelo Atlético/MG
em curtos períodos, e nenhum time consegue se adaptar
a isso rapidamente. Fiquei muito triste com o rebaixamento
no ano passado, mas espero que o clube se recupere e volte
ao lugar de destaque que sempre ocupou.
GE.Net – O que você pode nos dizer sobre
o atual momento de Juninho Pernambucano, destaque do pentacampeonato
francês do Lyon? Como ele é visto na França?
Kim – O Juninho é um cara muito tranqüilo,
educado, que trata todas as pessoas muito bem e é muito
bem visto por aqui. Ele é muito elogiado, além
de tudo isso, por causa do seu grande futebol. Os franceses
admiram muito a qualidade dele, e os números dele desde
que chegou ao Lyon comprovam que é um jogador especial.
Acho que merece, sem dúvida, estar na seleção
brasileira na próxima Copa do Mundo, até brigando
por uma vaga de titular.
GE.Net – Falando em Copa do Mundo, como os
franceses avaliam o próximo Mundial?
Kim – Aqui, todo mundo dá como certo
mais um título do Brasil. Mas eu sempre digo a eles
que não é bem assim, Copa do Mundo é
complicado. Além do Brasil, acho que há outras
equipes que podem tranqüilamente brigar pelo título,
como Itália, Inglaterra, Argentina e Alemanha.
GE.Net – E a França?
Kim – Pelo que acompanhei nos últimos
jogos da França, não acho que eles podem disputar
o título. Apesar de terem um bom time, com grandes
jogadores, como o Zidane, a equipe não é tão
forte como o Brasil e outras seleções da Europa.
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