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24/04/2006
Montagem sobre foto de Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
FICHA TÉCNICA
Nome: Carlos Henrique Dias (Kim)
Data de nascimento: 22/06/1980 (25 anos)
Altura: 1,80m
Peso: 80kg
Clubes: Atlético/MG (1998 a 2003), Al Ahli, da Arábia Saudita (2004 e 2005) e Nancy, da França (desde setembro de 2005).
Títulos: Bicampeão mineiro (1999 e 2000) e campeão da Copa da Liga Francesa (2006).

Fábio Matos, especial para a GE.Net

Desde o último dia 22 de abril, a cidade de Nancy, na França, com seus 105 mil habitantes na região metropolitana, tem um novo ídolo: Carlos Henrique Dias, o Kim, brasileiro, de 25 anos, ex-atacante do Atlético Mineiro e atual destaque do modesto Nancy, clube intermediário da Primeira Divisão do futebol francês.

Tanto reconhecimento se deve ao gol marcado na final da Copa da Liga Francesa diante do Nice. Jogando no fatídico Stade de France, em Saint-Dennis, nos arredores de Paris (palco da decisão da Copa do Mundo de 1998 entre Brasil e França), o Nancy venceu por 2 a 1, com um gol de Kim aos 20 minutos do segundo tempo. Foi o gol que sacramentou um título esperado pela torcida há 28 anos, quando o ex-craque Michel Platini, um dos maiores nomes da história do futebol francês, era o principal astro da equipe. A competição é a terceira mais importante no país, depois do Campeonato Francês e da Copa da França.

Nesta entrevista exclusiva à GE.Net, Kim (que atua ao lado de outros dois brasileiros, os zagueiros Adaílton, ex-Vitória, e André Luís, também ex-Atlético/MG) fala sobre os problemas que teve de superar até chegar a seu melhor momento no Nancy e ainda dá seus pitacos sobre a estrutura do futebol francês, Copa do Mundo, seleção brasileira, Juninho Pernambucano e o Atlético/MG, clube que defendeu entre 1998 e 2003.

GE.Net – Como a torcida do Nancy, e você especialmente, receberam o título da Copa da Liga Francesa, 28 anos depois da última taça?
Kim –
Foi muito importante, pois o time e a torcida sofriam por essa ausência de títulos. Para mim, particularmente, foi um momento inesquecível, até pelo gol marcado que acabou dando a vitória ao nosso time na final. Eu tive alguns problemas de contusão desde que cheguei ao clube (em setembro de 2005), e sempre fica aquela desconfiança, porque eles tinham investido muito para me contratar (junto ao Al Ahli, da Arábia Saudita). Depois que me recuperei da última contusão, estava há quatro jogos sem marcar gols. Então, foi muito importante. Além disso, quando voltamos para a cidade, fomos recebidos por 25 mil pessoas. Nunca vi uma festa assim e nunca imaginei que isso fosse acontecer.

GE.Net – Após 35 rodadas do Campeonato Francês, o Nancy ocupa a modesta 14ª colocação, com 44 pontos. Por que essa diferença tão grande em relação à campanha, por exemplo, na Copa da Liga Francesa?
Kim –
O Campeonato Francês é uma competição muito difícil, em que é complicado você ter resultados bons sem um elenco tão competitivo. Quando cheguei ao clube, a diretoria deixou claro para mim que o objetivo do time era não cair para a Segunda Divisão. E, dentro de nossas limitações, conseguimos.

GE.Net – Foi uma surpresa para vocês conquistar o título da Copa da Liga?
Kim –
Para a gente, desde o começo, a Copa da Liga era a prioridade. Não se foi surpresa ou não, mas desde o começo nos dedicamos muito à competição, até porque estávamos mal no Campeonato Francês. E o fato de priorizarmos foi importante. Deu certo.

GE.Net – Além da pressão por títulos, há muita cobrança pelo fato de o Nancy ter sido o time em que Michel Platini ganhou projeção?
Kim –
É uma cobrança muito grande, porque o Platini foi um dos maiores jogadores, senão o maior, da história da França. As pessoas sempre lembram das conquistas dele aqui no Nancy, sempre existe uma certa pressão. Mas espero que, com esse título que ganhamos, as coisas mudem um pouco.

GE.Net – Qual a principal diferença que você sentiu desde que chegou ao Nancy, em relação ao futebol brasileiro?
Kim –
A única grande diferença que senti, para dizer a verdade, foi na questão da torcida. Como eu joguei durante muito tempo no Atlético/MG, achei um pouco estranho, principalmente no começo, a pequena torcida do Nancy, o estádio pequeno, essas coisas. É bem diferente do Mineirão lotado com a torcida do Galo gritando. Em relação à estrutura do clube, é muito boa, sem dúvida. Não deve nada aos grandes clubes do Brasil e da Europa. É uma estrutura de Primeiro Mundo, realmente.

GE.Net – Quais são seus planos daqui por diante? Pretende permanecer no Nancy, se transferir para outro clube da Europa ou voltar ao Brasil em breve?
Kim –
Eu fiz um contrato de quatro anos com o Nancy e pretendo cumprir até o final (fim da temporada 2008-2009). Mas é claro que, quando cheguei aqui, tinha o objetivo de buscar meu espaço em algum clube grande do futebol francês ou até mesmo de outros países da Europa. Nunca sabemos o que pode acontecer e, se surgir alguma coisa interessante para mim e para o clube, tenho certeza de que vamos discutir. Voltar ao Brasil, acho difícil neste momento.

GE.Net – Como você acompanhou o rebaixamento do Atlético/MG à Série B do Campeonato Brasileiro em 2005? Como vê este momento delicado que o clube atravessa?
Kim –
Quando eu saí do Atlético/MG, em 2003, o time estava em sexto lugar no Campeonato Brasileiro (a equipe terminou em sétimo lugar, com 72 pontos em 46 partidas). Tínhamos uma boa equipe e conseguimos fazer uma boa campanha. Em 2004, depois que eu saí, percebi que a diretoria começou a tomar atitudes equivocadas. Muitos treinadores diferentes passaram pelo Atlético/MG em curtos períodos, e nenhum time consegue se adaptar a isso rapidamente. Fiquei muito triste com o rebaixamento no ano passado, mas espero que o clube se recupere e volte ao lugar de destaque que sempre ocupou.

GE.Net – O que você pode nos dizer sobre o atual momento de Juninho Pernambucano, destaque do pentacampeonato francês do Lyon? Como ele é visto na França?
Kim –
O Juninho é um cara muito tranqüilo, educado, que trata todas as pessoas muito bem e é muito bem visto por aqui. Ele é muito elogiado, além de tudo isso, por causa do seu grande futebol. Os franceses admiram muito a qualidade dele, e os números dele desde que chegou ao Lyon comprovam que é um jogador especial. Acho que merece, sem dúvida, estar na seleção brasileira na próxima Copa do Mundo, até brigando por uma vaga de titular.

GE.Net – Falando em Copa do Mundo, como os franceses avaliam o próximo Mundial?
Kim –
Aqui, todo mundo dá como certo mais um título do Brasil. Mas eu sempre digo a eles que não é bem assim, Copa do Mundo é complicado. Além do Brasil, acho que há outras equipes que podem tranqüilamente brigar pelo título, como Itália, Inglaterra, Argentina e Alemanha.

GE.Net – E a França?
Kim –
Pelo que acompanhei nos últimos jogos da França, não acho que eles podem disputar o título. Apesar de terem um bom time, com grandes jogadores, como o Zidane, a equipe não é tão forte como o Brasil e outras seleções da Europa.

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