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08/12/2006
Montagem sobre foto de Ricardo Nogueira/Gazeta Press

O novo chefe do Verdão

Caio Júnior começou sua carreira fora das quatro linhas como supervisor técnico do Coritiba, em 2001, mesmo ano em que trabalhou como auxiliar-técnico de Ivo Wortmann no Cruzeiro. No ano seguinte, depois de trabalhar nos juniores do Paraná, foi auxiliar de Otacílio Gonçalves no Brasileirão, assumindo o comando da equipe nas dez rodadas finais e salvando o time do rebaixamento para a Série B.

"As chances de cair eram de 80%. Até hoje a torcida me agradece, mas passei por uma situação de pressão terrível", recorda o treinador, que passou ainda pelo Cianorte (que surpreendeu o Corinthians na Copa do Brasil 2004), Gama e Londrina antes de retornar ao Paraná.

Nome: Luiz Carlos Saroli
Apelido: Caio Júnior
Nascimento: 8 de março de 1965, em Cascavel (PR)
Clubes como treinador:
Paraná Clube (out.2002 a out.2003, e desde abr.2006)
Cianorte-PR (nov.2003 a mai.2004, e jul.2004 a abr.2005)
Londrina (mai.2004 a jun.2004)
Gama-DF (mai.2005 a abr.2006)

Por Paulo Amaral

A segunda passagem do técnico Jair Picerni pelo Palmeiras está realmente no fim. O nome de consenso para dirigir o Verdão em 2007 é o de Caio Júnior, treinador que levou o Paraná à inédita classificação para a Libertadores da América, e o anúncio de sua contratação pela equipe de Palestra Itália é apenas questão de tempo.

Representante da nova geração de técnicos que conta ainda com Mano Menezes e Renato Gaúcho, Caio Júnior foi eleito o melhor treinador do último Campeonato Brasileiro pela Gazeta Esportiva.Net. Em entrevista exclusiva, o jovem técnico confirmou que não teme trocar uma equipe classificada para a Libertadores por outra que insiste em não sair da crise.

"Será um desafio, né cara? O desafio do Paraná foi alcançado e, se acontecer de eu dirigir o Palmeiras, será também um desafio. Vou me dedicar 24 horas por dia, pois ao conseguir um resultado satisfatório, a valorização do trabalho será ainda maior", comentou.

Na descontraída conversa com a GE.Net, Caio Júnior falou também sobre seu jeito diferenciado de comandar as equipes em que trabalha e sobre uma curiosa determinação imposta em seus treinos: a proibição dos perigosos carrinhos. "Os atletas reclamaram no começo, mas deu resultado, pois tivemos só quatro jogadores expulsos em 38 rodadas", comemorou.

O provável treinador do Verdão em 2007 lembrou ainda das inúmeras dificuldades encontradas para levar o Paraná à competição continental, falou de sua relação de amor com o tricolor de Curitiba e agradeceu os votos recebidos na eleição da GE.Net. "Sou leitor assíduo desde os tempos do jornal e sei do trabalho sério que vocês realizam, por isso me sinto orgulhoso por ter esse reconhecimento".

Gazeta Esportiva.Net: Você já tem tudo acertado para dirigir o Palmeiras em 2007?
Caio Júnior: Não posso confirmar nada oficialmente, pois tenho que aguardar uma posição. Vou ter uma conversa com o presidente do Paraná para definir o meu futuro.

GE.Net: Mas faz parte dos seus planos trabalhar em um grande centro do futebol brasileiro em 2007?
Caio Júnior: Recebi várias propostas de equipes similares ao Paraná, mas disputar a Libertadores pesou e minha idéia era permanecer aqui. O próprio presidente me avisou, no entanto, que se aparecer uma oferta irrecusável de um time de ponta, eu tenho que ir. Aumenta a responsabilidade, mas também a valorização.

GE.Net: Mas trocar um time que está acertado e na Libertadores por outro que escapou por pouco do rebaixamento vale a pena?
Caio Júnior: Seria um desafio, né cara? O desafio do Paraná foi alcançado e, se acontecer de eu dirigir o Palmeiras, será também um desafio. Vou me dedicar 24 horas por dia, pois ao conseguir um resultado satisfatório, a valorização do trabalho será ainda maior.

GE.Net: Fale um pouco mais sobre seu estilo de trabalhar. É verdade que você proíbe os jogadores de darem carrinhos nos treinos?
Caio Júnior: Sim, é verdade. Peço aos jogadores para mentalizarem que o carrinho já está proibido pela regra e que só deve ser usado em caso de extrema necessidade, como para evitar um gol. No início houve muita chiadeira, mas depois eles entenderam e deu resultado, tanto que o Paraná terminou o Brasileiro como o time que recebeu menos cartões vermelhos. Tivemos quatro jogadores expulsos em 38 rodadas, um número impressionante, ainda mais porque dois deles foram advertidos no mesmo jogo, contra o Grêmio, depois de reclamarem de um lance de pênalti.

GE.Net: Você acredita que determinações como essas possam contribuir para a melhora do futebol? Pode ser uma tendência a ser seguida em outros clubes?
Caio Júnior: Torço realmente para que seja uma tendência, pois está na regra: carrinho perigoso é amarelo e carrinho sem bola é vermelho. Fico chateado apenas pelos critérios adotados por alguns árbitros, mas acho que estamos vivendo um novo momento no jogo e temos que nos adaptar a ele.

GE.Net: Qual a emoção de levar um time considerado "zebra" para a Libertadores? Qual sua ligação com o Paraná?
Caio Júnior: Tenho uma história incrível no Paraná, que começou em 97. Fui contratado sob desconfiança, pois tinha 32 anos, e acabei fazendo gols em todos os jogos do hexagonal decisivo que deu o pentacampeonato estadual. Em 2002, tirei o time do rebaixamento no final do Brasileiro e agora levei o time a Libertadores. Foi uma façanha pelas dificuldades financeiras que o clube encontra, praticamente um milagre, pois ninguém imaginava que poderíamos brigar e superar outras equipes mais estruturadas.

GE.Net: O Paraná tem força para chegar bem em 2007 ou sofrerá um novo desmanche?
Caio Júnior: É normal saírem alguns jogadores, mas este ano o clube tem uma base de 25 atletas para se reapresentar no dia 3, coisa que não acontecia antes. Saíram o Eltinho, que lancei no segundo turno, para o futebol japonês, o Leonardo e o Maicossuel. Podemos perder também o Sandro, mas mantivemos o Flávio, o Batista, o Cristian, o Pierre. Este ano, não haverá desmanche não.

GE.Net: Como o Paraná superou a perda do seu olheiro para o rival Coritiba?
Caio Júnior: Temos o Ari Marques, que também faz esse trabalho. O Paraná é um clube marcado por revelar jogadores, até por necessidade. Ano passado teve o Borges, este ano o Eltinho. É algo necessário pela estrutura do clube.

GE.Net: Para finalizar, como você recebeu a notícia de que foi eleito o melhor técnico do Campeonato Brasileiro pela reportagem da Gazeta Esportiva.Net? 
Caio Júnior: Sou leitor da Gazeta há muitos anos, desde os tempos do jornal, e para mim é um orgulho muito grande, pois sei da qualidade do trabalho de vocês. Acho esse reconhecimento muito legal. Não veio pela CBF, mas recebi até elogios do Parreira. Valeu a pena todo o sacrifício.

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