O novo chefe do Verdão
Caio Júnior começou sua carreira
fora das quatro linhas como supervisor técnico
do Coritiba, em 2001, mesmo ano em que trabalhou
como auxiliar-técnico de Ivo Wortmann
no Cruzeiro. No ano seguinte, depois de
trabalhar nos juniores do Paraná,
foi auxiliar de Otacílio Gonçalves
no Brasileirão, assumindo o comando
da equipe nas dez rodadas finais e salvando
o time do rebaixamento para a Série
B.
"As chances de cair eram de 80%. Até
hoje a torcida me agradece, mas passei por
uma situação de pressão
terrível", recorda o treinador,
que passou ainda pelo Cianorte (que surpreendeu
o Corinthians na Copa do Brasil 2004), Gama
e Londrina antes de retornar ao Paraná.
Nome: Luiz Carlos Saroli
Apelido: Caio Júnior
Nascimento: 8 de março
de 1965, em Cascavel (PR)
Clubes como treinador:
Paraná Clube (out.2002 a out.2003,
e desde abr.2006)
Cianorte-PR (nov.2003 a mai.2004, e jul.2004
a abr.2005)
Londrina (mai.2004 a jun.2004)
Gama-DF (mai.2005 a abr.2006)
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Por Paulo Amaral
A segunda passagem do técnico Jair Picerni pelo
Palmeiras está realmente no fim. O nome de consenso
para dirigir o Verdão em 2007 é o de Caio
Júnior, treinador que levou o Paraná à
inédita classificação para a Libertadores
da América, e o anúncio de sua contratação
pela equipe de Palestra Itália é apenas
questão de tempo.
Representante da nova geração de técnicos
que conta ainda com Mano Menezes e Renato Gaúcho,
Caio Júnior foi eleito o melhor treinador do
último Campeonato Brasileiro pela Gazeta
Esportiva.Net. Em entrevista exclusiva, o jovem
técnico confirmou que não teme trocar
uma equipe classificada para a Libertadores por outra
que insiste em não sair da crise.
"Será um desafio, né cara? O desafio
do Paraná foi alcançado e, se acontecer
de eu dirigir o Palmeiras, será também
um desafio. Vou me dedicar 24 horas por dia, pois ao
conseguir um resultado satisfatório, a valorização
do trabalho será ainda maior", comentou.
Na descontraída conversa com a GE.Net,
Caio Júnior falou também sobre seu jeito
diferenciado de comandar as equipes em que trabalha
e sobre uma curiosa determinação imposta
em seus treinos: a proibição dos perigosos
carrinhos. "Os atletas reclamaram no começo,
mas deu resultado, pois tivemos só quatro jogadores
expulsos em 38 rodadas", comemorou.
O provável treinador do Verdão em 2007
lembrou ainda das inúmeras dificuldades encontradas
para levar o Paraná à competição
continental, falou de sua relação de amor
com o tricolor de Curitiba e agradeceu os votos recebidos
na eleição da GE.Net.
"Sou leitor assíduo desde os tempos do jornal
e sei do trabalho sério que vocês realizam,
por isso me sinto orgulhoso por ter esse reconhecimento".
Gazeta Esportiva.Net: Você já
tem tudo acertado para dirigir o Palmeiras em 2007?
Caio Júnior: Não posso
confirmar nada oficialmente, pois tenho que aguardar
uma posição. Vou ter uma conversa com
o presidente do Paraná para definir o meu futuro.
GE.Net: Mas faz parte dos seus planos trabalhar
em um grande centro do futebol brasileiro em 2007?
Caio Júnior: Recebi várias
propostas de equipes similares ao Paraná, mas
disputar a Libertadores pesou e minha idéia era
permanecer aqui. O próprio presidente me avisou,
no entanto, que se aparecer uma oferta irrecusável
de um time de ponta, eu tenho que ir. Aumenta a responsabilidade,
mas também a valorização.
GE.Net: Mas trocar um time que está
acertado e na Libertadores por outro que escapou por
pouco do rebaixamento vale a pena?
Caio Júnior: Seria um desafio,
né cara? O desafio do Paraná foi alcançado
e, se acontecer de eu dirigir o Palmeiras, será
também um desafio. Vou me dedicar 24 horas por
dia, pois ao conseguir um resultado satisfatório,
a valorização do trabalho será
ainda maior.
GE.Net: Fale um pouco mais sobre seu estilo
de trabalhar. É verdade que você proíbe
os jogadores de darem carrinhos nos treinos?
Caio Júnior: Sim, é verdade.
Peço aos jogadores para mentalizarem que o carrinho
já está proibido pela regra e que só
deve ser usado em caso de extrema necessidade, como
para evitar um gol. No início houve muita chiadeira,
mas depois eles entenderam e deu resultado, tanto que
o Paraná terminou o Brasileiro como o time que
recebeu menos cartões vermelhos. Tivemos quatro
jogadores expulsos em 38 rodadas, um número impressionante,
ainda mais porque dois deles foram advertidos no mesmo
jogo, contra o Grêmio, depois de reclamarem de
um lance de pênalti.
GE.Net: Você acredita que determinações
como essas possam contribuir para a melhora do futebol?
Pode ser uma tendência a ser seguida em outros
clubes?
Caio Júnior: Torço realmente
para que seja uma tendência, pois está
na regra: carrinho perigoso é amarelo e carrinho
sem bola é vermelho. Fico chateado apenas pelos
critérios adotados por alguns árbitros,
mas acho que estamos vivendo um novo momento no jogo
e temos que nos adaptar a ele.
GE.Net: Qual a emoção de levar
um time considerado "zebra" para a Libertadores?
Qual sua ligação com o Paraná?
Caio Júnior: Tenho
uma história incrível no Paraná,
que começou em 97. Fui contratado sob desconfiança,
pois tinha 32 anos, e acabei fazendo gols em todos os
jogos do hexagonal decisivo que deu o pentacampeonato
estadual. Em 2002, tirei o time do rebaixamento no final
do Brasileiro e agora levei o time a Libertadores. Foi
uma façanha pelas dificuldades financeiras que
o clube encontra, praticamente um milagre, pois ninguém
imaginava que poderíamos brigar e superar outras
equipes mais estruturadas.
GE.Net: O Paraná tem força para
chegar bem em 2007 ou sofrerá um novo desmanche?
Caio Júnior: É normal
saírem alguns jogadores, mas este ano o clube
tem uma base de 25 atletas para se reapresentar no dia
3, coisa que não acontecia antes. Saíram
o Eltinho, que lancei no segundo turno, para o futebol
japonês, o Leonardo e o Maicossuel. Podemos perder
também o Sandro, mas mantivemos o Flávio,
o Batista, o Cristian, o Pierre. Este ano, não
haverá desmanche não.
GE.Net: Como o Paraná superou a perda
do seu olheiro para o rival Coritiba?
Caio Júnior: Temos o Ari Marques,
que também faz esse trabalho. O Paraná
é um clube marcado por revelar jogadores, até
por necessidade. Ano passado teve o Borges, este ano
o Eltinho. É algo necessário pela estrutura
do clube.
GE.Net: Para finalizar, como você recebeu
a notícia de que foi eleito o melhor técnico
do Campeonato Brasileiro pela reportagem da Gazeta Esportiva.Net?
Caio Júnior: Sou leitor da Gazeta
há muitos anos, desde os tempos do jornal, e
para mim é um orgulho muito grande, pois sei
da qualidade do trabalho de vocês. Acho esse reconhecimento
muito legal. Não veio pela CBF, mas recebi até
elogios do Parreira. Valeu a pena todo o sacrifício.
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