Voltar para a home Terça, 02 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
16/12/2005
Juliana
Nome: Juliana Felisberta da Silva
Nascimento: 22/07/83
Altura: 1,77m
Peso: 68 kg
Títulos
• Campeã do Circuito Mundial 2005
• Rainha da Praia 2005
• Campeã do Circuito Brasileiro 2005
• Medalha de prata no Campeonato Mundial 2005 na Alemanha
• Vice-campeã do Circuito Mundial 2004
• Vice-campeã do Circuito Brasileiro 2004
• Eleita melhor ataque do Circuito Brasileiro 2004
• Eleita a revelação do Circuito Brasileiro 2004
• Campeã mundial sub-21 em 2001
• Campeã brasileira sub-21 em 2002
Larissa
Nome: Larissa França
Nascimento: 14/04/1982
Altura: 1,74m
Peso: 70 kg
Títulos
• Campeã do Circuito Mundial 2005
• Campeã do Circuito Brasileiro 2005
• Medalha de prata no Campeonato Mundial 2005 na Alemanha
• Vice-campeã do Circuito Mundial 2004
• Vice-campeã do Circuito Brasileiro 2004
• Eleita melhor defesa do Circuito Brasileiro 2004
• Medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, na República Dominicana, em 2003
• Eleita a atleta revelação do Circuito Brasileiro em 2003
Resultados da dupla no Circuito Mundial 2005
CIDADE PAÍS COLOCAÇÃO
Xangai China Campeãs
Osaka Japão Vice-campeãs
Milão Itália Campeãs
Gstaad Suíça Campeãs
Berlim (Mundial) Alemanha Vice-campeãs
Stavanger Noruega Vice-campeãs
São Petersburgo Rússia Campeãs
Espinho Portugal Terceiro lugar
Paris (Grand Slam) França Vice-campeãs
Klagenfurt (Grand Slam) Áustria Quinto lugar
Montreal Canadá Campeãs
Atenas Grécia Vice-campeãs
Bali Indonésia -
Salvador Brasil Vice-campeãs
Acapulco México Campeãs
Cidade do Cabo África do Sul Vice-campeãs
Resultados da dupla no Circuito Brasileiro 2005 (até penúltima etapa, exceto challengers)
CIDADE ESTADO COLOCAÇÃO
Londrina Paraná Vice-campeãs
Florianópolis S. Catarina Campeãs
Campinas São Paulo Campeãs
Campo Grande Mato Grosso do Sul Quarto lugar
Goiânia Goiás Campeãs
Sinop Mato Grosso Campeãs
Fortaleza Ceará Campeãs
Natal Rio Grande do Norte Campeãs
João Pessoa Paraíba Campeãs
Recife Pernambuco Campeãs
Maceió Alagoas Vice-campeãs

Por Carolina Canossa, especial para a GE.Net

Quem imaginava que em 2005 a dupla vice-campeã olímpica Adriana Behar e Shelda continuaria sendo a grande força do vôlei de praia brasileiro, se enganou completamente. Ex-jogadoras de vôlei de quadra, a paraense Larissa e a cearense Juliana mostraram este ano que vieram para ficar. Praticamente desconhecidas do público brasileiro, as duas formaram a nova “dupla a ser batida” da modalidade: foram campeãs do fortíssimo Circuito Mundial com nada menos que quatro etapas de antecedência, além de terem ficado com o troféu do Circuito Brasileiro. E a expectativa é de que o bom nível se mantenha em 2006.

Inspiradas por Adriana Behar/Shelda, Larissa e Juliana tentaram se unir pela primeira vez em 2002. O primeiro objetivo era a conquista do Mundial sub-21. Uma hérnia de disco da paraense, no entanto, atrapalhou os planos da nova dupla. Mesmo assim, Juliana encarou a disputa com Taiana e ficou com o título. Ainda em fase de comemoração pela conquista, Juliana rompeu os ligamentos do joelho esquerdo e ficou quase um ano parada. “Foi difícil, mas nunca pensei em desistir”, afirma a atleta. “Jogar vôlei na praia foi o que eu sempre quis”, emenda.

Quando finalmente se recuperou, já em 2003, Juliana ainda teve que enfrentar outra dificuldade: Larissa vivia uma ótima fase de sua carreira, pois havia acabado de conquistar o bronze no Pan-americano de Santo Domingo ao lado da experiente Ana Richa, competição que considera um marco na sua carreira. Mesmo recuperada, no entanto, Juliana ainda precisava mostrar que seu bom voleibol estava de volta. “Tinha que provar para ela que estava bem”, relembra a cearense, que jogou torneios ao lado de Taiana, Thati e da campeã olímpica Jaqueline Silva antes de voltar a atuar ao lado de Larissa. Tantas idas e vindas acabaram atrapalhando a preparação da parceria, que acabou ficando de fora das Olimpíadas de Atenas.

As duas decidiram fazer um planejamento para as temporadas seguintes. Os resultados apareceram já em 2004, quando foram vice-campeãs brasileiras e segundas colocadas do Circuito Mundial. Hoje, admitem que pretendiam chegar no topo da modalide, mas não esperavam que fosse tão rápido. Em quadra, a garra de Larissa aliada à técnica de Juliana, eleita pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) a melhor atleta brasileira de vôlei de praia em 2005, tornou a dupla quase imbatível. Quase porque as brasileiras ainda têm um grande desafio chamado Walsh e May. As norte-americanas, atuais campeãs olímpicas e mundiais, são as únicas que fazem frente a Larissa e Juliana no cenário mundial, com seis vitórias em sete confrontos.

Curtindo as merecidas férias, Larissa e Juliana deram uma entrevista exclusiva para a GE.Net, onde falam sobre sua meteórica ascensão, o exemplo de Adriana Behar e Shelda e a responsabilidade de manter o alto nível nos próximos anos. Confira:

Gazeta Esportiva.Net: Como vocês analisam o ano de 2005?
Juliana:
Foi um ano bom, conseqüência de tudo o que a gente plantou em 2004. Os resultados foram surpreendentes, mas ao mesmo tempo são frutos do nosso esforço e do nosso trabalho. A gente conseguiu nosso espaço no cenário nacional sem tirar o espaço de ninguém.
Larissa: O ano de 2005 foi um ano de sonhos realizados para mim. Sempre lutei para ser campeã do mundo e também ser campeã brasileira. É um projeto que tenho desde 2002. Estou me sentindo muito feliz com os resultados alcançados.

GE.Net: Esperavam tanto sucesso?
Juliana:
Outro dia eu estava lendo o nosso contrato e lá está escrito que a gente pretendia ser top 3 do mundo no final deste ano. Eu tinha certeza que a dupla iria evoluir bastante, mas os resultados que conquistamos foram mesmo um pouco surpreendentes.
Larissa: Apesar do nosso planejamento, não dava para imaginar que todos esses títulos
iriam acontecer já neste ano.

GE.Net: Qual o segredo para alcançar os resultados que vocês conseguiram?
Juliana:
Houve um planejamento. Primeiro, a gente queria entrar de vez no ranking mundial. Depois, o próximo passo era encerrar o ano entre as três melhores duplas do mundo. Em 2004, a gente também jogou muito quali e country-cota. São torneios bem diferentes, mas que nos deram muita experiência.

GE.Net: Qual foi a melhor etapa do Circuito Mundial este ano?
Juliana:
Primeiro foi o segundo lugar que conquistamos na etapa do Mundial, em Berlim, pois era um momento em que algumas pessoas estavam colocando nosso trabalho em dúvida. Depois, teve a vitória sobre a Walsh e a May no México. Acho que este foi o momento mais feliz da nossa vida.
Larissa: Para mim, o México foi a melhor etapa do ano. A gente ter conseguido bater a Walsh e May foi um resultado que representou muito para nós. Foi um marco. Já éramos campeãs do Circuito Mundial, não tínhamos mais nada para provar, mas as duas estavam entaladas na nossa garganta. Nós jogamos muito bem nesta etapa.

GE.Net: Juliana, você acredita que se não fosse a contusão que você sofreu em 2002 os resultados da dupla teriam vindo antes?
Juliana:
A gente estava começando a jogar junta quando veio a minha contusão. Fiquei um ano parada por causa disso, e depois tive que mostrar para a Larissa que estava bem. Só que Deus escreve certo por linhas tortas: este foi um dos momentos mais difíceis da minha vida, mas por outro lado foi bom porque eu consegui pegar muita experiência com as parceiras que tive depois da contusão. Aprendi muito com elas. Acho que são coisas que a gente tinha que passar.

GE.Net: A Walsh e a May são o grande desafio de Larissa/Juliana nos próximos anos?
Juliana:
Sim, ainda precisamos evoluir em alguns pontos na parte técnica e na parte psicológica. A Walsh e May são boas porque jogam muito com a razão. Nós jogamos um pouco pela emoção e isso às vezes atrapalha. Ainda precisamos trabalhar um pouco este lado. Também nos falta um pouco de experiência, mas a gente está bem e temos que ter cuidado para não atropelar as coisas.
Larissa: Sim, na minha opinião, a Walsh e a May formam a melhor dupla do mundo. Ainda estamos caminhando para chegar no nível delas. Elas estão um passo à nossa frente, mas vamos trabalhar muito para conseguirmos ganhar novamente delas.

GE.Net: Houve algo de ruim neste ano tão vitorioso?
Juliana:
A única coisa ruim para mim é que eu fiquei muito tempo longe da minha família. De resto, tudo foi perfeito, inclusive os resultados que conquistamos.

GE.Net: O que a Adriana Behar e a Shelda representam para vocês?
Juliana:
Antes desta temporada, a Adriana Behar e a Shelda foram os nossos espelhos. Agora, elas são um perigo para nós. Elas passaram por algumas dificuldades este ano, mas quando a gente menos espera, as duas voltam bem. Basta ver o histórico delas este ano: foram à semifinal em oito de 11 etapas que disputaram no Circuito Mundial. Ter uma parceria tão longa quanto a delas é um dos nossos maiores desafios. E repetir tudo o que elas conseguiram é muito difícil.
Larissa: A Shelda e a Adriana Behar sempre foram um exemplo para a nossa dupla, mas eu pretendo agora conquistar o meu espaço. Elas já fizeram muito pelo vôlei de praia e é muito difícil chegar aonde elas chegaram. As duas são muito determinadas.

GE.Net: Como é o relacionamento da dupla?
Juliana:
Temos um relacionamento muito bom, que com certeza é uma das causas do nosso sucesso. Se você não se dá bem com a sua parceira, você não consegue jogar direito.
Larissa: Com certeza o bom relacionamento não só da dupla, mas da equipe toda, que somos nós, nosso técnico e nosso preparador físico, é uma das causas do nosso sucesso. Todo mundo se dá muito bem, se sente bem. Há uma solidariedade muito grande entre a gente.

GE.Net: Qual o papel do Reis (técnico da dupla) e do Oliveira (preparador físico das atletas) neste processo?
Juliana:
Fundamental. Nosso trabalho é fruto da seriedade das pessoas que estão em nossa volta, como os dois. A gente não toma uma decisão sem falar com eles antes. Todas as conquistas são dos quatro.
Larissa: A nossa equipe está de parabéns. Todos os nossos resultados são fruto do esforço, do trabalho, e da boa preparação de todos.

GE.Net: Como lidar com a pressão por bons resultados agora que vocês são campeãs do Circuito Brasileiro e Mundial?
Juliana:
O sucesso mudou o tratamento que as outras duplas dão para nós, mas não a ponto de influenciar o resultado. Vai ser difícil, mas tenho certeza que a gente vai conseguir lidar com a pressão. Para falar a verdade, para mim foi só depois do final Circuito Mundial que a “ficha” de tudo o que aconteceu começou a cair. Demorei um pouco para perceber onde chegamos.
Larissa: A gente foi conquistando respeito com as outras duplas neste ano, que foi perfeito para nós. Nossos resultados podem mudar alguma coisa para as outras duplas, mas para a gente, tudo vai continuar igual.

GE.Net: É difícil sobreviver de vôlei de praia no Brasil?
Juliana:
Você tem que ter muita coragem para jogar vôlei de praia. É um esporte caro, gasta-se muito com viagens, com técnico. Também é uma modalidade perigosa porque é fácil se deslumbrar nela. Ao mesmo tempo em que você está perto dos jogadores bons, até pela convivência nos torneios, você está longe. E não é tão fácil conseguir vencer no vôlei de praia. Muita gente pensa que é um conto de fadas, mas é um esporte muito puxado. O calendário não colabora. Muitas vezes, você é obrigado a cumprir tabela para não ter que disputar quali depois.

GE.Net: Quais são as expectativas para 2006?
Juliana:
Já estamos começando a pensar em 2006. Ainda temos que melhorar, pois a partir de agora virão os anos mais importantes da nossa carreira. O ano que vem será como um laboratório para nós. Temos muita coisa para amadurecer e aprender.
Larissa: Agora temos que continuar o nosso mesmo treinamento, pois sei que sempre vai haver alguma coisa para a gente melhorar. Daqui para frente, as coisas vão ser um pouco mais complicadas para nossa dupla.

GE.Net: Como uma vê a outra na dupla?
Juliana:
A Larissa é fundamental na dupla. Ela é uma líder e uma pessoa muito boa. Confio nela tanto como jogadora quanto como pessoa. Com certeza, ela merece tudo o que está acontecendo.
Larissa: A importância da Juliana também é fundamental, pois ela é o combustível da dupla. Na minha opinião, a Juliana é a grande responsável por tudo o que a gente conquistou.

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