BRASIL
O Brasil detona nas eliminatórias
Por causa da maldita derrota diante dos uruguaios na final
da Copa de 50, o Brasil viu-se obrigado a disputar pela
primeira vez as eliminatórias. O time pegou Paraguai e Chile,
passando como um rolo compressor pelos adversários. Em Santiago,
o Brasil enfiou 2 a 0 no Chile, e diante do Paraguai teve
uma vitória magra por apenas 1 a 0, em Assunção.
Nas partidas realizadas no Brasil, a seleção atuou no Maracanã,
vencendo o Chile por 1 a 0 e o Paraguai por 4 a 1. Com isso,
o país assegurou sua participação na Suíça, onde tentaria
superar o trauma do Maracanã e conquistar sua primeira taça.
Confira os jogos das eliminatórias da América do Sul:
Paraguai 4 x 0 Chile
Chile 1 x 3 Paraguai
Chile 0 x 2 Brasil
Paraguai 0 x 1 Brasil
Brasil 1 x 0 Chile
Brasil 4 x 1 Paraguai
Trapalhadas marcam a passagem
brasileira
| Acervo/Gazeta Press |
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| A Hungria não toma conhecimento
da seleção brasileira: 4 a 2 |
A superstição marcou a expedição brasileira rumo à Suíça.
Acreditando que a Copa de 50 foi perdida por outros fatores,
a Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF) resolveu
exorcizar a camisa branca usada na final contra o Uruguai.
Foi escolhido um novo uniforme em um concurso promovido
pela entidade, que acabou coroando o gaúcho Aldir Schlee.
O modelito é o que utilizamos até hoje: camisa amarela e
calção azul.
Com uma nova mística, mas ainda com a cena do gol de Ghiggia
na cabeça, o Brasil reformou sua equipe e chegou até às
quartas-de-final, quando caiu diante da Hungria por 4 a
2. Na estréia, o time passou pelo México por 5 a 0, com
dois gols do atacante Pinga. Didi exibiu sua "folha seca"
e Julinho e Baltazar selaram a vitória brasileira.
No segundo compromisso, uma cena patética promovida pelos
jogadores. Um empate contra a Iugoslávia classificava os
dois países para a próxima fase, mas ninguém da delegação
brasileira sabia disso. O resultado foi uma correria desesperada
promovida pelos jogadores dos dois times. O Brasil lutando
para marcar, enquanto os iugoslavos estavam desesperados
com a insanidade adversária.
| Acervo/Gazeta Press |
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O jogo terminou empatado e os brasileiros saíram arrasados
do gramado. Muitos choraram no ônibus e sentiram a perda.
Tudo em vão, a queda brasileira viria nas quartas-de-final,
quando tivemos a Hungria pela frente. O Brasil não teve
a menor chance e ainda proporcionou uma briga antológica
com os húngaros, que ficou conhecido como a "Batalha de
Berna". Nela sobrou para todo mundo. Dirigentes, jogadores,
jornalistas e torcedores quebraram o pau no vestiário e
os brasileiros desembarcaram no Rio de Janeiro com a pinta
de vencedor. Teve taça de campeão e festa para os "heróis
brasileiros".
O destaque brasileiro:
Julinho
Júlio Botelho foi um ponta-direita infernal. Talvez, o melhor
ponta , depois de Mané Garrincha. Nascido em 1929, Julinho
começou sua carreira na Portuguesa, onde foi um dos maiores
destaques da equipe lusa. O time baseava todo seu jogo naquele
jogador, que driblava e entortava zagueiros com muita facilidade.
Foi o atleta mais batalhador de toda delegação brasileira
na Copa, quando infernizou a vida dos grandalhões húngaros,
que não conseguiam pará-lo facilmente. Julinho foi o artilheiro
brasileiro, ao lado de Pinga e Didi, com dois gols. O ponta
nunca foi um artilheiro nato, mas se destacou em todos os
clubes que passou.
Antes da Copa, foi um dos feitores da Academia montada pelo
técnico Osvaldo Brandão no Palmeiras. Seu sucesso na Copa
levou o jogador para a Itália, onde defendeu a Fiorentina,
clube em que é ídolo até hoje. Mas, sem sombra de dúvida,
a camisa que mais o destacou foi o alviverde do Parque Antártica.
Jogos do Brasil
Brasil 5 x 0 México
Data: 16 de junho de 1954
Local: F.C. Servette (Genebra)
Público: 17.500
Brasil: Castilho; Djalma Santos, Pinheiro, Nilton
Santos, Brandãozinho, Bauer, Julinho, Didi, Baltazar, Pinga
e Rodrigues. Téc: Zezé Moreira
México: Motta; López, Gómez, Cárdenas, Romo, Ávalos, Torres,
Naranjo, Lamadrid, Balcazar e Arellano. Téc: Vial.
Gols: Baltazar, aos 23, Didi, aos 30, Pinga, aos
34, e Julinho, aos 43 minutos, do primeiro tempo; Pinga,
aos 24 minutos, do segundo tempo.
Árbitro: Paul Wyssling (Suíça)
Brasil 1 x 1 Iugoslávia
Data: 20 de julho de 1930
Local:
Público: 1.200 espectadores
Brasil: Castilho; Djalma Santos, Pinheiro, Nilton
Santos, Brandãozinho, Bauer, Julinho, Didi, Baltazar, Pinga
e Rodrigues. Téc: Zezé Moreira
Bolívia: Beara; Stankovic, Crnkovic, .
Gols: Moderato, aos 37 minutos do primeiro tempo;
Preguinho, aos 12, Moderato, aos 28 e Preguinho, aos 38
minutos do segundo tempo.
Árbitro: Thomas Balway (França).
Hungria 4 x 2 Brasil
Data: 27/06/1954
Local: Estádio Wankdorff (Berna)
Público: 63.200 pessoas
Árbitro: Arthus Ellis (Inglaterra)
Expulsões: Nilton Santos e Humberto; Bozsik
Gols: Hidegkuti, aos quatro e Kocsis, aos sete minutos
do primeiro tempo; Djalma Santos, de pênalti aos 18 do primeiro
tempo; Lantos, de pênalti aos 15, Julinho, aos 20 e Kocsis,
aos 43 da etapa complementar.
Brasil: Castilho; Pinheiro e Nilton Santos; Djalma
Santos, Brandãozinho e Bauer (capitão); Julinho, Didi, Índio,
Humberto e Maurinho. Técnico: Zezé Moreira.
Hungria: Grosics; Buzanszky e Lantos; Bozsik (capitão),
Lorant e Zakarias; M. Toth, Kocsis, Hidegkuti, Czibor e
J. Toth. Técnico: Gusztav Sebes.
Jogadores do Brasil
Goleiros: Joel (América), Velloso (Fluminense)
Zagueiros: Brilhante (Vasco), Itália (Vasco), Zé Luiz
(São Cristóvão).
Meio-campo: Hermógenes (América), Fausto (Fluminense),
Fernando (Fluminense), Pamplona (Botafogo), Ivan Mariz (Fluminense),
Benevenuto (Flamengo), Fortes (Fluminense), Oscarino (Ypiranga).
Ataque: Poli (Americano), Nilo (Botafogo), Araken (sem
clube), Preguinho (Fluminense), Teófilo (São Cristóvão), Benedito
(Botafogo), Doca (São Cristóvão), Manoelzinho (Goytacaz),
Carvalho Leite (Botafogo), Russinho (Vasco), Moderato (São
Cristóvão).
Técnico: Píndaro de Carvalho