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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . COPA DO MUNDO

Inglaterra - 1966

BRASIL
O naufrágio brasileiro

Acervo/Gazeta Press
O atacante Alcindo na única vitória brasileira na Copa, contra a Bulgária

Entre a comissão técnica, torcedores brasileiros e mesmo entre a imprensa internacional a conquista do tricampeonato mundial era uma certeza. Por isso mesmo, quase todos os bicampeões foram convocados. Afinal de contas, mesmo quatro anos mais velhos, era justo que eles fossem tri. Mas muitas coisas não estavam acontecendo como em 1958 e 1962. Por exemplo: não havia a mesma organização, ponto fundamental das duas conquistas anteriores.

No meio da confusão geral, o técnico Vicente Feola (o mesmo de 58) convocou 46 jogadores em final de março. Entre eles Amarildo, vindo da Itália e que seria o primeiro "estrangeiro" a ser chamado para a seleção.

A apresentação ocorreu no dia 12 de abril e haveria três meses para a seleção fazer os treinamentos. Tempo mais do que suficiente para que fossem decididos os 22 nomes da lista final. O fato de serem convocados 46 jogadores criou uma grande disputa interna no grupo. Ninguém queria se entrosar com ninguém. Cada um queria provar que era o melhor.

No embarque para a Europa no dia 17 de junho, a lista ainda tinha 27 jogadores. Mais cinco ainda seriam cortados. Depois de uma rápida excursão na Europa, um jornalista inglês declararia que Bellini e Garrincha estavam mortos. O espião brasileiro Ernesto Santos também não foi muito otimista: "o Brasil só será tri por milagre."

Acervo/Gazeta Press
Pelé é consolados pelos jogadores portugueses: o Brasil fora da Copa

As nuvens estavam se formando sobre a seleção e a primeira tempestade ameaçou cair logo no primeiro jogo da Copa: o Brasil venceu a Bulgária por 2 a 0, com gols de bola parada, de Pelé e Garrincha. No segundo, a tempestade desabou forte e a Hungria passaria pela "seleção tri" por 3 a 1. A confusão em Liverpool, sede brasileira, era tanta que Feola ainda não tinha decidido o time titular. Os jogadores revoltados pediram uma definição. O supervisor Carlos Nascimento interfere na escalação, tira nove jogadores do time do jogo anterior - inclusive Garrincha -, mas não consegue segurar os portugueses, que despacham a seleção canarinho por 3 a 1.

Depois da campanha vergonhosa, só restou à seleção retornar quietinha ao Brasil.

Jogos do Brasil

Brasil 2 x 0 Bulgária
Data: 12/07/1966
Local: Liverpool
Árbitro: Kurt Tschenscher (Alemanha Ocidental)
Público: 48 mil
Brasil: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Altair, Paulo Henrique, Denilson, Lima, Garrincha, Alcindo, Pelé e Jairzinho
Bulgária: Naidenov, Chalamanov, Penev, Voutsov, Gaganelov, Kitov, Jetchev, Dermendjiev, Asparoukhov, Yakimov e Kolev
Gols: Pelé, aos 15min; Garrincha, aos 63min

Hungria 3 x 1 Brasil
Data:
15/07/1966
Local: Liverpool
Árbitro: Kenneth Dagnall (Inglaterra)
Público: 57 mil
Hungria: Gelei, Kapozta, Matrai, Szapesi, Meszoly, Sipos, Bene, Mathesz, Albert, Farkas e Rakosi
Brasil: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Altair, Paulo Henrique, Gerson, Lima, Garrincha, Alcindo, Tostão e Jairzinho
Gols: Bene, aos 2min; Tostão, aos 14min; Farkas, aos 64min; Meszoly, aos 73min

Portugal 3 x 1 Brasil
Data: 19/07/1966
Local: Liverpool
Árbitro: G. McCabe (Inglaterra)
Público: 62 mil
Portugal: José Pereira, Morais, Batista, Vicente, Hilário, Jaime Graça, Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres e Simões
Brasil: Manga, Fidélis, Brito, Orlando, Rildo, Denilson, Lima, Jairzinho, Silva, Pelé e Paraná
Gols: Simões, aos 15min; Eusébio, aos 26min; Rildo, aos 73min; Eusébio, aos 85min

Jogadores brasileiros Goleiros: Gilmar (Santos) e Manga (Botafogo)
Defensores: Fidélis (Bangu), Djalma Santos (Palmeiras), Bellini (São Paulo), Brito (Vasco), Orlando (Santos), Altair (Fluminense), Rildo (Botafogo) e Paulo Henrique (Flamengo)
Meio-de-campo: Denilson (Fliminense), Zito (Santos), Lima (Santos) e Gerson (Botafogo)
Atacantes: Jairzinho (Botafogo), Garrincha (Corinthians), Alcindo (Grêmio), Tostão (Cruzeiro), Silva (Flamengo), Pelé (Santos), Edu (Santos) e Paraná (São Paulo)
Técnico: Vicente Feola
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