BRASIL
O naufrágio brasileiro
| Acervo/Gazeta Press |
 |
| O atacante Alcindo na única vitória
brasileira na Copa, contra a Bulgária |
Entre a comissão técnica, torcedores brasileiros
e mesmo entre a imprensa internacional a conquista do tricampeonato
mundial era uma certeza. Por isso mesmo, quase todos os
bicampeões foram convocados. Afinal de contas, mesmo
quatro anos mais velhos, era justo que eles fossem tri.
Mas muitas coisas não estavam acontecendo como em
1958 e 1962. Por exemplo: não havia a mesma organização,
ponto fundamental das duas conquistas anteriores.
No meio da confusão geral, o técnico Vicente
Feola (o mesmo de 58) convocou 46 jogadores em final de
março. Entre eles Amarildo, vindo da Itália
e que seria o primeiro "estrangeiro" a ser chamado
para a seleção.
A apresentação ocorreu no dia 12 de abril
e haveria três meses para a seleção
fazer os treinamentos. Tempo mais do que suficiente para
que fossem decididos os 22 nomes da lista final. O fato
de serem convocados 46 jogadores criou uma grande disputa
interna no grupo. Ninguém queria se entrosar com
ninguém. Cada um queria provar que era o melhor.
No embarque para a Europa no dia 17 de junho, a lista ainda
tinha 27 jogadores. Mais cinco ainda seriam cortados. Depois
de uma rápida excursão na Europa, um jornalista
inglês declararia que Bellini e Garrincha estavam
mortos. O espião brasileiro Ernesto Santos também
não foi muito otimista: "o Brasil só
será tri por milagre."
| Acervo/Gazeta Press |
 |
| Pelé é consolados pelos
jogadores portugueses: o Brasil fora da Copa |
As nuvens estavam se formando sobre a seleção
e a primeira tempestade ameaçou cair logo no primeiro
jogo da Copa: o Brasil venceu a Bulgária por 2 a
0, com gols de bola parada, de Pelé e Garrincha.
No segundo, a tempestade desabou forte e a Hungria passaria
pela "seleção tri" por 3 a 1. A
confusão em Liverpool, sede brasileira, era tanta
que Feola ainda não tinha decidido o time titular.
Os jogadores revoltados pediram uma definição.
O supervisor Carlos Nascimento interfere na escalação,
tira nove jogadores do time do jogo anterior - inclusive
Garrincha -, mas não consegue segurar os portugueses,
que despacham a seleção canarinho por 3 a
1.
Depois da campanha vergonhosa, só restou à
seleção retornar quietinha ao Brasil.
Jogos do Brasil
Brasil 2 x 0 Bulgária
Data: 12/07/1966
Local: Liverpool
Árbitro: Kurt Tschenscher (Alemanha Ocidental)
Público: 48 mil
Brasil: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Altair, Paulo
Henrique, Denilson, Lima, Garrincha, Alcindo, Pelé
e Jairzinho
Bulgária: Naidenov, Chalamanov, Penev, Voutsov,
Gaganelov, Kitov, Jetchev, Dermendjiev, Asparoukhov, Yakimov
e Kolev
Gols: Pelé, aos 15min; Garrincha, aos 63min
Hungria 3 x 1 Brasil
Data: 15/07/1966
Local: Liverpool
Árbitro: Kenneth Dagnall (Inglaterra)
Público: 57 mil
Hungria: Gelei, Kapozta, Matrai, Szapesi, Meszoly,
Sipos, Bene, Mathesz, Albert, Farkas e Rakosi
Brasil: Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Altair, Paulo
Henrique, Gerson, Lima, Garrincha, Alcindo, Tostão
e Jairzinho
Gols: Bene, aos 2min; Tostão, aos 14min; Farkas,
aos 64min; Meszoly, aos 73min
Portugal 3 x 1 Brasil
Data: 19/07/1966
Local: Liverpool
Árbitro: G. McCabe (Inglaterra)
Público: 62 mil
Portugal: José Pereira, Morais, Batista, Vicente,
Hilário, Jaime Graça, Coluna, José
Augusto, Eusébio, Torres e Simões
Brasil: Manga, Fidélis, Brito, Orlando, Rildo,
Denilson, Lima, Jairzinho, Silva, Pelé e Paraná
Gols: Simões, aos 15min; Eusébio, aos
26min; Rildo, aos 73min; Eusébio, aos 85min
Jogadores brasileiros
Goleiros: Gilmar (Santos) e Manga (Botafogo)
Defensores: Fidélis (Bangu), Djalma Santos (Palmeiras),
Bellini (São Paulo), Brito (Vasco), Orlando (Santos),
Altair (Fluminense), Rildo (Botafogo) e Paulo Henrique (Flamengo)
Meio-de-campo: Denilson (Fliminense), Zito (Santos),
Lima (Santos) e Gerson (Botafogo)
Atacantes: Jairzinho (Botafogo), Garrincha (Corinthians),
Alcindo (Grêmio), Tostão (Cruzeiro), Silva (Flamengo),
Pelé (Santos), Edu (Santos) e Paraná (São
Paulo)
Técnico: Vicente Feola