BRASIL
Os "campeões
morais"
| Acervo/Gazeta Press |
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| Jorge Mendonça, Batista, Cerezo,
Nelinho, Amaral e Rivelino: Brasil se despede com o
terceiro lugar |
A delegação brasileira voltou da Argentina declarando-se
a "campeã moral" da Copa. O título foi dado pelo técnico
Cláudio Coutinho, um homem fascinado por teorias e inovações
no futebol, que ele mostrava criando termos como "overlaping"
e "ponto futuro".
Coutinho às vezes exagerava em suas experiências, chegando
a escalar o quarto-zagueiro Nelinho na lateral direita ou,
ainda pior, deixando Falcão no Brasil para levar, em seu
lugar, o volante Chicão. Estas atitudes geraram inúmeras
críticas da torcida e da imprensa, que exigia Oswaldo Brandão
em seu lugar.
Na verdade, o terceiro lugar ficou de bom tamanho para
a equipe brasileira. As duras críticas que Coutinho recebera
antes da Copa só aumentaram nos dois primeiros jogos. Mostrando
um futebol pobre, o Brasil não saiu do empate nos dois primeiros
jogos. Na estréia, contra a Suécia, o jogo terminou 1 a
1. Já na segunda partida, contra a Espanha, o placar terminou
em branco.
O mau desempenho da seleção brasileira obrigou o presidente
da CBF, Heleno Nunes, a exigir alterações na equipe. Para
o jogo contra a Áustria, o último da primeira fase, entraram
Roberto Dinamite, Jorge Mendonça e Rodrigues Neto, no lugar,
respectivamente, de Reinaldo, Zico e Edinho. O time melhorou
e garantiu a primeira posição do grupo ao bater os austríacos
por 1 a 0.
O Brasil passou assim à fase final, caindo no mesmo grupo
de Peru, Argentina e Polônia. O time deslanchou e conseguiu
uma convincente vitória sobre o Peru por 3 a 0. Em seguida,
era a vez dos arqui-rivais argentinos, naquela que ficou
conhecida como a "batalha de Rosário".
O jogo aconteceu no dia 18 de junho. Mais de 37 mil argentinos
se espremeram no acanhado estádio de Rosário para apoiar
sua seleção. Mas o Brasil resistiu bravamente à pressão
imposta pelo adversário e conseguiu um empate de 0 a 0,
levando a decisão para a última rodada.
Contra a Polônia, o Brasil obteve uma boa vitória por
3 a 1, que dava ao time de Coutinho uma vantagem considerável
de quatro gols de saldo sobre os argentinos. Em seguida,
os donos da casa entravam em campo com a obrigação de golear
o Peru (estranhamente os dois jogos não foram disputados
no mesmo horário). A Argentina venceu por 6 a 0, com uma
atuação suspeita do goleiro peruano Quiroga, e tirou o Brasil
da Copa.
Restou assim ao Brasil disputar o terceiro lugar contra
a Itália. O time verde-amarelo venceu por 2 a 1, de virada,
e obteve a honrosa medalha de bronze. Como consolo, melhoramos
em uma posição a classificação da Copa anterior, quando
ficamos em quarto. Isto, é claro, além do título de "campeão
moral".
Jogos do Brasil
Oitavas-de-final
Brasil 1 x 1 Suécia
Data: 03/06/78
Local: Mar del Plata
Árbitro: Clive Thomas (País de Gales)
Público: 32.569
Brasil: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Edinho, Batista,
Toninho Cerezo, (Dirceu), Zico, Gil (Nelinho) Reinaldo e
Rivelino.
Suécia: Hellstroem, Borg, Roy Andersson, Nordqvist,
Erlandsson, Tapper, Lennart Larsson (Edstrom), Linderoth,
Bo Larsson, Sjoberg e Wendt.
Gols: Brasil - Reinaldo, aos 45'. Suécia: Sjoberg, aos
37'.
Brasil 0 x 0 Espanha
Data: 07/06/78
Local: Mar del Plata
Árbitro: Sergio Gonella (Itália)
Público: 34.771
Brasil: Leão, Nelinho (Gil), Oscar, Amaral, Edinho,
Batista, Toninho Cerezo, Dirceu, Zico, (Jorge Mendonça)
Reinaldo e Toninho.
Espanha: Miguel Angel, Marcelino, Migueli (Biosca),
Olmo, Uria (Guzman), San José, Leal, Asensi, Juanito, Santillana
e Cardeñosa.
Brasil 1 x 0 Áustria
Data: 11/06/78
Local: Mar del Plata
Árbitro: Robert Wurtz (França)
Público: 35.221
Brasil: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Rodrigues Neto,
Batista, Toninho Cerezo (Chicão), Dirceu, Jorge Mendonça
(Zico), Gil, Roberto Dinamite.
Áustria: Koncilia, Sara, Obermayer, Breitenberger, Pezzey,
Hickersberger (Weber), Prohaska, Krankl, Kreuz, Jara e Krieger
(Happich).
Gol: Brasil - Roberto Dinamite, aos 40'.
Quartas-de-final
Peru 0 x 3 Brasil
Data: 14/06/78
Local: Mendoza
Árbitro: Nicolae Rainea (Romênia)
Público: 31.278
Brasil: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Rodrigues Neto,
Batista, Toninho Cerezo (Chicão), Dirceu, Gil (Zico), Jorge
Mendonça e Roberto Dinamite.
Peru: Quiroga, Manzo, Duarte, Chumpitaz, Diaz (Navarro),
Velásquez, Cueto, Cubillas, Muñante, La Rosa e Oblitas (Percy
Rojas).
Gol: Brasil - Dirceu (2) e Zico (pênalti), aos 14',
27' e 70'.
Argentina 0 x 0 Brasil
Data: 18/06/78
Local: Rosário
Árbitro: Karoly Palotai (Hungria)
Público: 37.326
Argentina: Fillol, Olguin, Galván, Passarella, Tarantini,
Ardiles (Villa), Gallego, Ortiz (Beto Alonso), Luque, Daniel
Bertoni e Kempes.
Brasil: Leão, Toninho, Oscar, Amaral, Rodrigues Neto
(Edinho), Batista, Chicão, Dirceu, Jorge Mendonça (Zico),
Gil e Roberto Dinamite.
Polônia 1 x 3 Brasil
Data: 21/06/78
Local: Mendoza
Árbitro: Juan Silvagno (Chile)
Público: 39.586
Polônia: Kukla, Maculewicz, Zmuda, Gorgon, Szymanowski,
Kasperczak (Lubanski), Deyna, Nawalka, Lato, Szarmach e
Boniek.
Brasil: Leão, Nelinho, Toninho, Oscar, Amaral, Batista,
Toninho Cerezo (Rivelino), Dirceu, Zico (Jorge Mendonça),
Gil e Roberto Dinamite.
Gols: Polônia - Lato, aos 44'. Brasil - Nelinho e Roberto
Dinamite (2), aos 13', 57' e 62'.
Decisão do 3º lugar
Brasil 2 x 1 Itália
Data: 24/06/78
Local: Estádio do River Plate "Monumental" Buenos Aires
Árbitro: Abraham Klein (Israel)
Público: 69.659
Brasil: Leão, Nelinho, Oscar, Amaral, Rodrigues Neto,
Batista, Torinho Cerezo (Rivelino), Dirceu, Jorge Mendonça,
Gil (Reinaldo) e Roberto Dinamite.
Itália: Dino Zolf, Gentile, Cuccureddu, Scirea, Cabrini,
Maldera, Causio, Paolo Rossi, Antognoni (Cláudio Sala),
Patrizio Sala e Bettega.
Gols: Brasil - Nelinho e Dirceu, aos 46' e 70'. Itália:
Causio, aos 38'.
O elenco brasileiro
Goleiros: Emerson Leão (Palmeiras), Carlos
(Ponte Preta) e Waldir Peres (São Paulo)
Zagueiros: Toninho (Flamengo), Nelsinho (Cruzeiro),
Oscar (Ponte Preta), Abel (Vasco), Polozi (Ponte Preta),
Amaral (Corinthians), Edinho (Fluminense), Rodrigues Neto
(Botafoto)
Meio-de-campo: Toninho Cerezo (Atlético Mineiro),
Chicão (São Paulo), Rivelino (Fluminense),
Dirceu (Vasco), Batista (Internacional)
Atacantes: Gil (Botafogo), Jorge Mendonça
(Palmeiras), Zico (Flamengo), Roberto Dinamite (Vasco),
Reinaldo Lima (Atlético Mineiro), Zé Sérgio
(São Paulo)
Técnico: Cláudio Coutinho