BRASIL
A segunda chance de
Telê
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Brasil goleia aPolônia e recupera a confiança
da torcida
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Mesmo depois do "desastre do Sarriá", Telê Santana ganhou
nova chance no comando da Seleção Brasileira a partir das
eliminatórias para a Copa de 1986. Ele reuniu a base do
time de 1982, apostando na experiência de Zico, Cerezo,
Falcão, Sócrates, Elzo e Alemão. E não teve problemas para
se classificar.
O Brasil caiu no grupo 3 das eliminatórias sul-americanas,
ao lado da Bolívia e do Paraguai. As três seleções enfrentaram-se
em turno e returno, e apenas a primeira colocada garantia
vaga automaticamente para a Copa do México. Os brasileiros
estrearam vencendo a Bolívia fora de casa por 2 a 0. Os
paraguaios também perderam pelo mesmo placar, em Assunção.
Nas partidas de volta, dois empates por 1 a 1, primeiro
com o Paraguai e depois com a Bolívia, foram suficientes
para assegurar a presença do Brasil em mais uma Copa do
Mundo.
Na Copa, o Brasil caiu no grupo D, ao lado da Espanha,
Irlanda do Norte e Argélia. O time de Telê obteve três vitórias
em três jogos, sem sofrer um só gol. Nas oitavas-de-final,
oito jogos em eliminatórias simples. O Brasil não tomou
conhecimento da Polônia, fez 4 a 0 e deixou a torcida bastante
confiante numa nova conquista.
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| Bats defende pênalti cobrado por
Zico |
Nas quartas-de-final, o Brasil enfrenta a França. Fizemos
1 a 0 com Careca, mas os franceses empataram o jogo com
Platini. A partida vai para a prorrogação. Zico entra em
campo frio e logo em seguida o juiz marca pênalti para o
time brasileiro. O Galinho de Quintino bate e o goleiro
Bats defende. A chance de classificação estava sendo perdida
ali, naquele lance. Na decisão por pênaltis, a França leva
a melhor, vencendo por 4 a 3, mesmo com Platini, o líder
do time, perdendo sua cobrança. O goleiro Bats voltou a
brilhar, defendendo um pênalti cobrado por Sócrates. E o
Brasil volta para casa mais cedo, apesar de uma campanha
impecável até ali, com quatro vitórias, 10 gols marcados
e apenas 1 sofrido.
O melhor momento de Careca
O centroavante brasileiro Antônio de Oliveira Filho, o
Careca, atingiu uma das melhores fases de sua carreira em
1986. Durante a disputa da Copa do Mundo no México, em junho,
sagrou-se vice-artilheiro da competição com cinco gols.
Alguns em momentos cruciais, como o gol da vitória sobre
a Argélia, na primeira fase, e o gol que deixou o Brasil
na frente por 1 a 0 contra a França, nas quartas-de-final.
De volta ao Brasil, Careca participou da campanha vitoriosa
do São Paulo no Campeonato Brasileiro do mesmo ano, tornando-se
artilheiro da competição com 25 gols. Suas boas atuações
despertaram a atenção de dirigentes europeus e, em 1987,
Careca transferia-se para o Napoli, da Itália. Lá veio a
consagração que lhe faltava, nos campos do melhor campeonato
do mundo. Fazendo dupla com o argentino Maradona, Careca
virou ídolo da torcida local. Conquistou os títulos italianos
de 1987 e 90 e da Copa da Uefa de 1989. Marcou mais de 90
gols em sua passagem pelo futebol italiano.
Nascido em Araraquara, interior paulista, Careca começou
sua carreira vitoriosa no Guarani, em 1978, quando o técnico
Carlos Alberto Silva, sem opções no ataque para o Campeonato
Brasileiro daquele ano, decidiu promover, às vésperas do
início da competição, um jovem de 17 anos da equipe juvenil
para a principal. Meses mais tarde, Careca não apenas conquistaria
o título de campeão brasileiro como ainda marcaria o gol
do título na vitória sobre o Palmeiras, 1 a 0, na final.
Sua última grande jogada aconteceu em 1993, durante a disputa
das eliminatórias da Copa do Mundo de 94, nos EUA. Fora
de forma, o atacante deu um exemplo de autocrítica e pediu
dispensa da seleção, por entender que não estava colaborando
com a equipe. Um gesto que resumiu bem sua atuação em toda
a carreira, do artilheiro que pensava no coletivo.
Jogos do Brasil
Primeira fase
Brasil 1 x 0 Espanha
Data: 01/06/1986
Local: Estádio Jalisco, Guadalajara
Árbitro: Christopher Bambridge (Austrália)
Público: 50.000 espectadores
Brasil: Carlos; Branco, Edinho (c), Júlio
Cesar, Edson; Júnior (Falcão),
Sócrates, Alemão, Elzo; Casagrande (Müller),
Careca.
Espanha: Zubizarreta; Tomás, Goicoechea, Maceda e
Victor; Camacho, Michel, Francisco (Señor) e Butragueño;
Júlio Alberto e Salinas.
Gol: Sócrates, aos 63 min.
Brasil 1 x 0 Argélia
Data: 06/06/1986
Local: Estádio Jalisco, Guadalajara
Árbitro: Romulo Mendez Molina (México)
Público: 30.100 espectadores
Brasil: Carlos; Branco, Edinho (c), Júlio
Cesar, Edson (Falcão); Júnior, Sócrates,
Alemão, Elzo; Casagrande (Müller), Careca
Argélia: Larbi; Medjadi, Megharia, Guendouz e Mansouri;
Kaci-Said, Bem Mabrouck, Menad e Assad (Bensaoula); Belloumi
(Zidane) e Madjer.
Gol: Careca, aos 66 min
Brasil 3 x 0 Irlanda do Norte
Data: 12/06/1986
Local: Estádio Jalisco, Guadalajara
Árbitro: Sigfried Kirschen (Alemanha Oriental)
Público: 45.000 espectadores
Brasil: Carlos; Branco, Edinho (c), Júlio
Cesar, Josimar; Júnior, Sócrates
(Zico), Alemão - Elzo, Müller (Casagrande),
Careca
.
Irlanda do Norte: Jennings; Nicholl, O`Neill, McDonald
e Donaghy; McCreery, Stewart, McIlroy e Campbell (Armstrong);
Clarke e Whiteside (Hamilton).
Gols: Careca, aos 15 min e 87 min; Josimar, aos 41
min.
Oitavas-de-final
Brasil 4 x 0 Polônia
Data: 16/06/1986
Local: Estádio Jalisco, Guadalajara
Árbitro: Volker Roth (Alemanha Oriental)
Público: 50.000 espectadores
Brasil: Carlos; Josimar, Júlio Cesar, Edinho
(c), Branco; Elzo, Alemão,
Sócrates (Zico), Júnior, Careca, Müller
(Silas)
.
Polônia: Mlynarczyk; Przybys (Furtok), Majewski,
Wojcicki e Ostrowski; Karas, Tarasiewics, Urban (Zmuda)
e Boniek; Dziekanowski e Smoralek.
Gols: Sócrates, aos 30 min; Josimar, aos 54 min;
Edinho, aos 77 min; e Careca, aos 81 min.
Quartas-de-final
Brasil 1 x 1 França (nos pênaltis, Brasil 3 x 4 França)
Data: 21/06/1986
Local: Estádio Jalisco, Guadalajara
Árbitro: Ioan Igna (Romênia)
Público: 60.000 espectadores
Brasil: Carlos;Josimar, Júlio Cesar, Edinho
(c), Branco; Alemão, Sócrates,
Junior (Silas), Elzo; Müller (Zico), Careca.
França: Bats; Amoros, Tureau, Battiston e Bossis;
Fernandez, Tigana, Giresse (Ferreri) e Platini; Rocheteau
(Bellone) e Stopyra.
Gols: Careca, aos 18 min; e Platini, aos 42 min.
O elenco brasileiro
Goleiros: Carlos (Corinthians), Paulo Vítor (Fluminense)
e Leão (Palmeiras)
Zagueiros: Édson (Corinthians), Júlio César (Guarani),
Edinho (Udinese), Branco (Fluminense), Josimar (Botafogo/RJ),
Oscar (São Paulo), Mauro Galvão (Internacional/RS)
Meio-de-campo: Júnior (Torino), Elzo (Atlético/MG),
Alemão (Botafogo/RJ), Sócrates (Flamengo), Falcão (São Paulo),
Zico (Flamengo), Silas (São Paulo), Valdo (Grêmio)
Atacantes: Muller (São Paulo), Careca (São Paulo),
Casagrande (Corinthians), Edivaldo (Atlético/MG)