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O homem do cronômetro
CORRENDO COM SEU RELÓGIO NA MÃO, NURMI
FEZ HISTÓRIA
Os Jogos de Antuérpia, em 1920, assistiram ao começo
do reinado do finlandês Paavo Nurmi. Nas Olimpíadas
do começo do século, ninguém foi tão vitorioso quanto
ele nas provas de atletismo de fundo e meio-fundo. Na
Bélgica, ele só não venceu os 5000 metros, perdendo
por 5s para o francês Joseph Guillemot.
Correndo com seu relógio inseparável na mão, Nurmi venceu
os 10.000 m e o cross country, em percurso de 8.000,
além do cross country por equipes. O costume de levar
o relógio, companheiro de treinos e corridas, valeu
ao finlandês o apelido de “Homem-Cronômetro”.
Quatro anos depois, em Paris, Paavo Nurmi se tornaria
o rei incontestável dos fundistas, superando dificuldades
ainda maiores. As provas dos 1.500m e dos 5.000m estavam
marcadas para o mesmo dia, com apenas 55 minutos de
diferença. Em maio, antes da competição, o finlandês
resolveu testar como seria seu desempenho. Correu os
1.500m e bateu seu próprio recorde mundial. Uma hora
depois, correu os 5.000m e novamente cravou a melhor
marca da distância.
No dia 10 de julho de 1924, Nurmi conquistou o ouro
nas duas provas, marcando o novo recorde olímpico em
ambas. No entanto, ele não pôde tentar o bicampeonato,
por pressão dos dirigentes finlandeses, que queriam
dar chance de vitória a outros corredores do país. No
final, o ouro ficou com Vilho Ritola. Mesmo assim, Nurmi
ainda ficou com as medalhas de ouro nas provas de 3.000m
por equipes e no cross country individual e por equipes.
Em 1928, nos Jogos Olímpicos de Amsterdã, na Holanda,
Nurmi voltou a duelar com Ritola. Pela primeira vez,
perdeu nos 5.000m para o adversário, na última volta
e por apenas 2s de diferença. No entanto, nos 10.000m,
o rei não deu chance ao príncipe. Venceu por quatro
passadas e conquistou seu nono ouro olímpico da carreira.
Paavo Nurmi não pôde disputar os Jogos de Los Angeles/32,
acusado em seu país de profissionalismo. Quando a Olimpíada
foi realizada na Finlândia, na capital Helsinque, em
52, coube a ele a honra de entrar no estádio carregando
a tocha olímpica. Nurmi tinha 55 anos.
Finlândia sempre na ponta
Nos Jogos Olímpicos disputados nas décadas de 10 e
20, os finlandeses eram um show à parte no atletismo,
especialmente nas provas mais longas. O primeiro grande
corredor da Finlândia foi Johan Kolehmainen, que brilhou
nos Jogos de Estocolmo, em 1912.
Na ocasião, ele conquistou nada menos do que três medalhas
de ouro. A primeira foi nos 5.000m. Kolehmainen venceu
o francês Jean Bouin por apenas um metro de diferença.
O finlandês venceu com 14min36s6, novo recorde mundial.
Sua segunda conquista foi nos 10.000m, com 31min20s8,
novo recorde olímpico. Confirmando sua grande forma,
Kolehmainen venceu o cross country individual, com 45min11s6.
Nos Jogos seguintes, ele preferiu disputar apenas a
maratona, passando para Paavo Nurmi o cetro das provas
de meio-fundo. Na prova mais longa dos Jogos, Kolehmainen
provou que era mestre, ao vencer com 2h32min35s8, melhor
marca mundial da prova.
Além de Nurmi, outro grande corredor da Finlândia foi
seu grande rival nas pistas, Vilho Ritola, ouro nos
10.000m e nos 3.000m steeplechase em Paris/24 e dos
5.000m, em Amsterdã/28. Na França, a maratona foi vencida
pelo seu compatriota Albin Stenroos. Na Holanda, Toivo
Loukola venceu os 3.000m steeplechase, com recorde mundial,
e Harry Larva, os 1.500m.
1928: caminho aberto para as mulheres
Os Jogos Olímpicos de Amsterdã, em 1928, testemunharam
o início de uma revolução que até hoje é sentida no
esporte mundial. Foi na Holanda que as mulheres puderam
disputar as primeiras provas de atletismo. No total,
foram cinco provas: 100m rasos, 800m rasos, revezamento
4x100m rasos, salto em altura e arremesso de peso.
Na primeira, a vencedora foi a norte-americana Elizabeth
Robinson, com 12s2. Nos 800m, a medalha de ouro ficou
com a alemã Lina Radke. No revezamento, o Canadá foi
o primeiro colocado. A canadense Ethel Catherwood levou
o ouro no salto e a polonesa Halina Konopacka, no arremesso
de disco.
E V O L U Ç Ã O
1500m masculino em Olimpíadas
|
1896
|
Edwin Flack
|
4'33''20
|
|
1900
|
Charles Bennett
|
4'06''20
|
|
1904
|
James Lightbody
|
4'05''40
|
|
1908
|
Melvin Sheppard
|
4'03''40
|
|
1912
|
Arnold Jackson
|
3'56''8
|
|
1920
|
Albert Hill
|
4'01''80
|
|
1924
|
Paavo Nurmi
|
3'53''60
|
|
1928
|
Harry Larva
|
3'53''20
|
|
1932
|
Luigi Beccali
|
3'51''20
|
|
1936
|
John Lovelock
|
3'47''80
|
|
1948
|
Henry Ericsson
|
3'49''80
|
|
1952
|
Josef Barthel
|
3'45''10
|
|
1956
|
Ron Delany
|
3'41''20
|
|
1960
|
Herb Elliot
|
3'35''60
|
|
1964
|
Peter Snell
|
3'38''10
|
|
1968
|
H. Kipchoge Keino
|
3'34''90
|
|
1972
|
Pekka Vasala
|
3'36''30
|
|
1976
|
John Walker
|
3'39''17
|
|
1980
|
Sebastian Coe
|
3'38''4
|
|
1984
|
Sebastian Coe
|
3'32''53
|
|
1988
|
Henry Rono
|
3'35''96
|
|
1992
|
Fermim Cacho
|
3'40''12
|
|
1996
|
Noureddine Morceli
|
3'35''78
|
|
2000
|
Noah Kiprono Ngenyi
|
3'32''07
|
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