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Foto Gazeta Press
Foto  Gazeta Press

Vitória contra o preconceito

JESSE OWENS DERROTOU O NAZISMO EM PLENA BERLIM, EM 36

Se alguma vez existiu algum atleta que pôde se orgulhar de derrotar toda uma ideologia e o preconceito dentro do estádio do adversário esse alguém foi o norte-americano James Owens, ou Jesse, como ficou mais conhecido. Nos Jogos de 36, em Berlim, ele acabou com a festa preparada por Adolph Hitler, que queria provar dentro de casa a tese da superioridade da raça ariana sobre as outras.

Neto de escravos e com a pele negra, Owens era a verdadeira antítese do que pregava o nazismo: a supremacia branca, de preferência alemã. Além disso, era um atleta verdadeiramente nato. Sem muito treinamento, aos 16 anos já tinha batidos todos os recordes norte-americanos em sua categoria.
Mais tarde, já na faculdade, em um torneio de atletismo entre as dez maiores escolas da região dos Grandes Lagos, no norte dos EUA, Owens fez história. Em menos de 45 minutos, já havia derrubado cinco recordes mundiais e igualado outro. Era só um aperitivo para seu desempenho na Olimpíada de Berlim.

Entre os dias 3 e 9 de agosto de 1936, em pleno Estádio Olímpico da capital alemã, Owens calou a torcida nazista e se converteu em um dos maiores atletas olímpicos da história, com cinco medalhas de ouro.

A primeira veio na final dos 100m rasos. Jesse Owens terminou com o tempo de 10s3, igualando o recorde olímpico estabelecido quatro anos antes. Na final dos 200m rasos, dois dias depois, ele novamente venceu com recorde olímpico, cravando o tempo de 20s7. Para chegar em primeiro, Owens também teve de vencer a chuva e o vento de Berlim.

No dia 4, o norte-americano travou uma das disputas mais emocionantes dos Jogos, contra o alemão Luz Long. Ao chegar ao estádio, Owens deu um salto de reconhecimento, que os fiscais validaram, tirando uma de suas primeiras tentativas. Em seguida, nervoso, ele queimou seu segundo salto, mas se recuperou no terceiro e se classificou para a final. Em sua última tentativa, saltou 8,06m e conseguiu o ouro.

Mais tarde, conseguiu seu quarto ouro no revezamento 4x100m rasos. A equipe norte-americana cravou o recorde mundial, com 39s8.

Coadjuvantes contra racismo

Além de Jesse Owens, incontestavelmente o maior nome dos Jogos, a Olimpíada de Berlim, em 1936, também destacou outros atletas negros, que ajudaram a quebrar o mito da superioridade ariana, que o governo nazista pretendia confirmar.

O primeiro deles foi Archie Williams, medalha de ouro nos 400m rasos. Além de conquistar o primeiro lugar, com 46s5, ele cravou, no mesmo ano, o recorde mundial para a distância. Foi em junho, durante o campeonato universitário norte-americano.

Na final dos 800m rasos, outro negro norte-americano conquistou o ouro. John Woodruff foi o grande vencedor da prova, com 1min52s9. O tempo do atleta, no entanto, foi considerado fraco, uma vez que ficou bastante longe do recorde mundial da época, que era de 1min49s7, estabelecido pelo britânico Thomas Hampson, campeão da prova nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1932.

Além deles, outros corredores negros dos EUA que ajudaram a destruir as idéias racistas de Hitler no Estádio Olímpico de Berlim não tiveram tanto destaque quanto os campeões das provas, mas foram igualmente importantes. Entram nessa lista os medalhas de prata dos 100m e 200m e bronze nos 400m rasos: Ralph Metcalfe, Matthew Robinson e James LuValle, respectivamente.

Bem mais tarde, já na Olimpíada de 1968, na Cidade do México, os negros norte-americanos voltariam a ter papel fundamental. Tommie Smith e John Carlos, ouro e bronze nos 200m, subiram ao pódio de luvas negras e ouviram o hino de punhos cerrados ao céu e cabeças baixas, recusando-se a fitar a bandeira americana em protesto contra o racismo. O dois atletas foram punidos pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) que não admitia que atletas realizassem protestos em suas competições esportivas.

Brasil começou a competir nos Jogos de Paris

Na história dos Jogos Olímpicos, o atletismo é, ao lado do iatismo, a modalidade que mais trouxe medalhas para o País: foram 12 no total (3 de ouro, 3 de prata e 6 de bronze). Todas elas foram conquistadas por atletas negros.

A primeira participação do atletismo brasileiro em Olimpíada aconteceu nos Jogos de Paris, em 1924. No entanto, uma das histórias mais curiosas dessa trajetória aconteceu em 1932.

Para poderem participar dos Jogos de Los Angeles, os brasileiros embarcaram em um navio, junto com 50 mil sacas de café. Cada atleta deveria vender uma cota do produto para poder seguir viagem.

E V O L U Ç Ã O

100m masculino em Olimpíadas

1896
Thomas Burke
12''00
1900
Frank Jarvis
11''00
1904
Archibald Hahn
11''00
1908
Reginald Walker
10''80
1912
Ralph Craig
10''80
1920
Charles Paddock
10''80
1924
Harold Abrahams
10''60
1928
Percy Williams
10''80
1932
Thomas Tolan
10''30
1936
Jesse Owens
10''30
1948
Harrison Dillard
10''30
1952
Lindy Remigino
10''40
1956
Bobby Joe Morrow
10''50
1960
Armin Hary
10''20
1964
Robert Hayes
10''00
1968
James Hines
9''95
1972
Valery Borzov
10''14
1976
Hasely Crawford
10''06
1980
Allan Wells
10''25
1984
F. Carlton Lewis
9''99
1988
F. Carlton Lewis
9''92
1992
Linford Christie
9''96
1996
Bruny Surin
10''17
2000
Maurice Greene
9''87

 

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