| Foto Gazeta Press |
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O atleta mais completo
ELE VENCEU O PENTATLO E O DECATLO EM ESTOCOLMO, EM 1912
Uma das maiores injustiças nas Olimpíadas da era moderna
aconteceu logo na quinta edição. Nos Jogos de Estocolmo,
em 1912, o norte-americano de origem indígena Jim Thorpe
se consagrou como o mais completo dos atletas ao conquistar
a medalha de ouro tanto no pentatlo quanto no decatlo.
No entanto, a realidade amadora do esporte na época
e um toque de discriminação roubaram de Thorpe suas
glória. O motivo? Entre 1908 e 1912, ele havia jogado
algumas partidas por uma liga semiprofissional de beisebol
em uma equipe desconhecida da Carolina do Norte, da
qual recebia apenas 25 dólares como ajuda de custo.
Foi pretexto suficiente para a União dos Atletas Amadores
(AAU) dos Estados Unidos, que no início do século cumpria
as funções de Comitê Olímpico local, desqualificar o
atleta e retirar suas medalhas. Só em 1982 o Comitê
Olímpico Internacional (COI) reconheceu o erro e devolveu
as medalhas a Thorpe postumamente. Ele havia morrido
em 53.
A saga do superatleta não terminou com a decepção da
perda das medalhas. Depois, Thorpe partiu de vez para
o profissionalismo, jogando beisebol no New York Giants
e no Cincinnati Reds até 1919. Depois, jogou futebol
americano no Canton Bulldogs (equipe que ele fundou)
e em outros cinco times, até 26. Na 2ª Guerra Mundial,
serviu na Marinha dos EUA e, em 1950, foi eleito o melhor
atleta da primeira metade do século pela agência de
notícias Associated Press.
Para chegar ao ouro no pentatlo, em Estocolmo, Thorpe
teve resultados excelentes, com quatro primeiros lugares
nas cinco provas. Ele venceu o salto em distância, 200m
rasos, arremesso de disco e 1.500m rasos. Na terceira
prova, a do arremesso de dardo, o norte-americano foi
o terceiro colocado. O vencedor foi o sueco Hugo Wieslander,
sétimo colocado no geral.
No decatlo, Thorpe não venceu tantas provas (ficou em
primeiro no salto em altura, arremesso de peso, arremesso
de disco e 110m com barreiras), mas foi tremendamente
regular e terminou com 8.412 pontos. O sueco Wieslander,
medalha de prata, chegou a 7.724.
Decatlo: a prova mais difícil
O decatlo é um símbolo da Olimpíada. A prova tem por
objetivo apontar o atleta mais completo e começou a
ser disputada nos Jogos de 1904, em Saint Louis, nos
Estados Unidos, com apenas sete competidores. A vitória
nesse embate de superatletas foi do irlandês Thomas
Kierly. Nos primeiros jogos disputados nos EUA, as dez
provas que compunham o decatlo eram as seguintes: 100m
rasos, corrida de milha (1,6km), 120m com barreiras,
marcha de 800m, salto em distância, salto em altura,
salto com vara, arremesso de peso, arremesso de peso
pesado e arremesso de martelo. A prova não foi disputada
nos Jogos de Londres, em 1908, mas voltou com força
total em Estocolmo/12. Foi nessa edição dos Jogos que
o decatlo assumiu a composição atual, com as provas
de 100m rasos, salto em distância, arremesso de peso,
salto em altura, 400m rasos, arremesso de disco, 110m
s/ barreiras, salto com vara, arremesso de dardo e 1.500m
rasos. Em Paris/24, foi quebrado o primeiro recorde
mundial do decatlo em Olimpíada, com o norte-americano
Harold Osborn atingindo 6.746 pontos. Desde então, foram
oito quebras e a última vez em que um decatleta conseguiu
a melhor marca do mundo para a prova em Jogos Olímpicos
foi em Los Angeles/84, com o inglês Francis Thompson,
que marcou 8.798 pontos.
Amadorismo era pretexto dos dirigentes
O Uma das maiores polêmicas do esporte na primeira
metade do século era o direito de os atletas receberem
ou não dinheiro para competir. O principal objetivo
de quem defendia o amadorismo era manter o esporte em
sua forma mais “pura”, para que os atletas competissem
apenas por espírito esportivo. Essa visão foi responsável
por duas grandes injustiças cometidas no período: a
retirada das medalhas de Jim Thorpe no decatlo e no
pentatlo e a ausência de Paavo Nurmi dos Jogos de Los
Angeles/32. No Brasil, o bicampeão olímpico do salto
triplo, Adhemar Ferreira da Silva, não pôde receber
uma casa de presente por suas medalhas de ouro.
E V O L U Ç Ã O
Decatlo em Olimpíadas
|
1904
|
Thomas Kiely
|
6.036
|
|
1912
|
Jim Thorpe
|
6.564
|
|
1920
|
Helge Lovland
|
5.803
|
|
1924
|
Harold Osborn
|
6.476
|
|
1928
|
Paavo Yrjoela
|
6.476
|
|
1932
|
James Bausch
|
6.735
|
|
1936
|
Glenn Morris
|
7.254
|
|
1948
|
Robert Mathias
|
6.628
|
|
1952
|
Robert Mathias
|
7.887
|
|
1956
|
Milton Campbell
|
7.937
|
|
1960
|
Rafer Johnson
|
7.901
|
|
1964
|
Willi Holdorf
|
7.726
|
|
1968
|
William Tommy
|
8.193
|
|
1972
|
Nikolai Avilov
|
8.454
|
|
1976
|
Bruce Jenner
|
8.617
|
|
1980
|
Francis Thompson
|
8.495
|
|
1984
|
Francis Thompson
|
8.798
|
|
1988
|
Christian Schenk
|
8.488
|
|
1992
|
Robert Zmelik
|
8.611
|
|
1996
|
Dan O'Brian
|
8.824
|
|
2000
|
Erki Nool
|
8.641
|
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