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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . PAUL TERGAT

O rei da São Silvestre, do cross, da pista, da maratona...

Foto Acervo/Gazeta Press
Foto Acervo/ Gazeta Press
Por Claudia Andrade

Para ele, a história de que os quenianos aprendem a correr ainda crianças, ao enfrentarem quilômetros até a escola, é balela. Os bons resultados são sim, fruto de um trabalho árduo. Que se refletiu especialmente na trajetória de Paul Tergat, dono de vários títulos no cross country, nas pistas e nas ruas, onde conquistou seu mais recente feito: o recorde mundial de maratona, registrado em Berlim-2003, com o tempo de 2h04min55.

Nas Olimpíadas de Atenas, ele não confirmou o favoritismo, mas fez questão de completar a corrida, mesmo sofrendo com problemas estomacais. "Sofri com pontadas no estômago mas decidi terminar a prova de qualquer jeito." Foi praticamente trotando que o queniano cruzou a linha de chegada no estádio Panathinaiko em décimo lugar.

Pela primeira vez, desde sua estréia na distância de 42.195m, ele ficaria abaixo da quarta colocação. Não era a forma que ele esperava encerrar sua participação em Olimpíadas, talvez até a carreira de atleta, como havia anunciado antes dos Jogos de Atenas.

"Se eu conseguir o ouro, tudo ficará completo e poderei fazer outras coisas com a mente livre." Resta saber se ele terá fôlego para uma nova tentativa, já que em Pequim-08 estará com 40 anos. Nos Jogos de Sydney-00 e Atlanta-96, Tergat chegou bem mais perto do ouro, só que na disputa dos 10.000m. Perdeu as duas oportunidades para o etíope Haile Gebreselassie, seu maior rival nas pistas. Para ele também perdeu os títulos dos Mundiais de Atenas-97 e Sevilha-99, ficando com o vice.

Até mesmo nos recordes ele teve de enfrentar a concorrência com o etíope. Em agosto de 97, Tergat estabeleceu a marca de 26min27s85. Menos de um ano depois, Haile correria 26min22s75, em junho de 98.

Na final olímpica em Sydney, a tentativa de revanche do queniano foi emocionante. Na última curva, Tergat ultrapassou seu arqui-rival, que conseguiu se recuperar e defender seu título. Depois de mais uma tentativa fracassada, o queniano decidiu que era hora de mudar para a maratona. Em Londres-2001, fez sua estréia, com um segundo lugar.

A sina do vice só foi quebrada mesmo no cross country, modalidade em que reinou absoluto durante cinco anos, com os títulos mundiais assegurados de 95 a 99. Reinado semelhante ao alcançado na mais tradicional corrida de rua da América Latina.

Sua primeira vitória na São Silvestre veio em 95 e se repetiu nos anos seguintes, até 2000. A seqüência foi interrompida apenas em 97, quando Émerson Iser Bem foi o primeiro a cruzar a linha de chegada. Independente disso, Tergat segue como maior campeão de todos os tempos e seu recorde de 43min12, registrado logo na estréia, ainda não foi batido.

Publicação: 28/12/2004
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