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Um craque: o gênio da folha seca

Gazeta Press
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Por Marcelo Belpiede

Um craque. Assim pode ser definido Valdir Pereira, o Didi. Ganhou o apelido de Príncipe Etíope pela elegância e classe que dava ao meio-de-campo dos times que atuou. O reconhecimento não veio apenas dos brasileiros. Em 2000, entrou para o Hall da Fama da Fifa, que tem em seu quadro lendas como Pelé e Beckenbauer. O ex-jogador morreu no dia 12 de maio de 2001 por causa de problemas cardíacos.

Início - Em 1943, Didi começou sua história no futebol, jogando no infantil do São Cristóvão. Ainda nas categorias de base, também passou por Industrial, Rio Branco, Goytacaz e Americano. Apesar do sucesso, Didi teve um drama quando era criança. Aos 14 anos, teve uma infecção no joelho por causa de uma contusão sofrida em uma pelada. Chegou a ficar em cadeira de rodas. A perna quase foi amputada. Mas o destino fez a sua parte e não permitiu a perda do garoto, que no futuro, se tornaria um dos maiores nomes do futebol brasileiro de todos os tempos.

Carreira profissional - Didi começou a disputar jogos oficiais cedo. Em 1945, aos 16 anos, já atuava pelo Americano de Campos. Também teve passagens por Lençoense e Madureira. Mas no ano seguinte, ele encontrou a estabilidade no Fluminense, clube que defendeu por dez anos. Ainda é considerado nas Laranjeiras o melhor da história, marcando quase 100 gols. Ficou famoso em 1950 por ter feito o primeiro gol do Maracanã, na derrota da seleção carioca para a paulista por 2 a 1.

Folha Seca - Outro termo que todos associam a Didi é a Folha Seca, um chute quase que mortal para os goleiros. O lance foi inventado por Didi em 1956, na partida contra o América. Ele estava com uma contusão que não permitia dar os chutes de longa distância da forma normal. Por isso, ele achou um jeito para a dor desaparecer: acertar o meio da bola, que fazia uma curva assustadora.

General Severiano e Madri - Apesar do sucesso no Flu, o jogador se transferiu em 1956 para o Botafogo, onde também fez história. Em 313 partidas, marcou 113 gols. Passou por um momento curioso em 1957, depois de ganhar o Campeonato Carioca. Teve que cumprir uma promessa de atravessar a pé a cidade do Rio de Janeiro por causa do título. O bom futebol e o título da Copa do Mundo pela seleção brasileira, no ano seguinte, trouxe o interesse do Real Madrid. Mesmo ao lado de craques como Puskas e Di Stéfano, o meio-campista não conseguiu se adaptar e teve uma modesta passagem pela Europa.

Passagem pelo Morumbi - Muitas pessoas não lembram, mas Didi também vestiu a camisa do São Paulo, em duas oportunidades, em 1964 e 1966. Mas o meio-campista, que já preparava o final da carreira, não conseguiu alcançar o sucesso de clubes anteriores na conquista de títulos. A equipe paulista, na época, também não contava com grandes investimentos no elenco já que deixava todas as suas atenções para a construção de seu principal patrimônio, o estádio do Morumbi.

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Seleção brasileira - Didi representou o Brasil pela primeira vez no Pan-americano de 1954. No mesmo ano disputou a Copa do Mundo na Suíça. Mas seu auge aconteceria quatro anos depois, quando foi considerado o melhor jogador do Mundial de 1958, que foi conquistado pelo Brasil. Mostrou grande poder de liderança quando foi buscar a bola dentro do gol depois da seleção levar o primeiro gol na final contra a Suécia. Depois, a equipe conseguiu a virada e venceu por 5 a 2. Quatro anos depois, estava no elenco que foi bicampeão no Chile. Desta vez, abriu espaço para o aparecimento da genialidade de Garrincha. Didi marcou 21 gols em 74 jogos com a camisa amarela.

Técnico - Quem achou que Didi ia se contentar em ser apenas jogador se enganou. A partir de 1964, o ex-craque começou uma nova fase da sua carreira no futebol: a de treinador. Seu maior sucesso foi na Copa do Mundo de 1970, quando montou a maior seleção peruana de todos os tempos. Comandada por Cubillas, a equipe foi eliminada nas quartas-de-final, na derrota para o campeão Brasil por 4 a 2.

Dirigiu também Sporting Cristal e Alianza Lima (Peru), Vera Cruz (México), River Plate (Argentina), Fernerbache (Turquia) AL - Ahli (Arábia Saudita), Fluminense, Botafogo, Cruzeiro e Bangu (Brasil). Abandonou o futebol em 1987, depois de uma operação na coluna.

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