Fale conosco Receba o boletim  
  Garrincha
  A chegada ao Botafogo
  O anjo indomável
  As mulheres
  O dono da taça
  Joelho em frangalhos
  A garrafa inseparável
  Raio-X
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . GARRINCHA
Gazeta Press
Gazeta Press

Por Laudicéia Machea

A história do registro de um dos maiores craques brasileiros já é uma grande contribuição para fortalecer a lenda que se criou ao seu redor. Quando sua esposa deu à luz ao quinto filho, seu Amaro Francisco dos Santos compareceu ao cartório e, ao ser perguntado pelo escrivão sobre qual seria o nome do garoto, respondeu apenas: Manoel. O escrivão não teve dúvidas: registrou-o apenas como Manoel, assim sem sobrenome. Mas os equívocos não pararam por aí. Seu Amaro disse que o filho havia nascido no dia 18 de outubro de 1933, quando o correto seria 28 de outubro. Poucos anos depois, Rosa, a irmã mais velha de Manoel, o apelidaria de Garrincha. Essa é a forma como no Nordeste chamam a cambaxirra, um pássaro bobo que canta bonito, mas não se adapta ao cativeiro. Não poderia haver melhor alcunha para ele. Desde garoto, Garrincha não se prendia à casa e nem a ninguém. Vivia solto em Pau Grande, subdistrito de Magé, no Rio de Janeiro, onde nasceu.

Foi somente na adolescência, quando começou a trabalhar na América Fabril, fabricante de tecido que comandava a vida em Pau Grande, que Garrincha ganhou o sobrenome. Seu encarregado acrescentou o “dos Santos” em sua ficha para não confundi-lo com os vários “manoéis”. Suspeita-se que o alcoolismo tenha nascido em Garrincha desde a infância. Descendente direto de índios, o garoto era “tratado” de várias enfermidades com uma mistura chamada cachimbo, feita com cachaça, mel de abelhas e canela em pau. Foi antes de terminar a adolescência que Garrincha conheceu Swing e Pincel, os dois irmãos que o acompanhariam em inúmeras bebedeiras. Mas entrando na adolescência, o futebol já não era mais o único esporte apreciado por Garrincha. Seguindo os caminhos de seu pai, ele se tornaria o terror dos maridos, pais e namorados de Pau Grande. Para ele, valia o seguinte lema: “Caiu na rede é peixe”.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página