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O Furacão da Copa
Por Rodrigo Almeida
Até hoje, apenas dois
homens conseguiram marcar gols em todas as partidas de uma
Copa do Mundo. Um deles é o uruguaio Ghiggia, algoz
do Brasil em 1950. O outro é o brasileiro Jair Ventura
Filho, o Jairzinho, que, com sete gols em seis jogos, ajudou
o Brasil a conquistar o tricampeonato mundial em 1970. O francês
Just Fontaine - recordista de gols da história da competição
- também anotou em todos os jogos em que esteve em
campo de um mesmo torneio, mas a França ficou de fora
da decisão de 1958.
Ao lado de craques que desfrutam,
até os dias atuais, de maior reconhecimento, como Pelé,
Rivelino, Gérson e Tostão, o camisa 7 brasileiro
fez história ao marcar mais gols do que todos eles,
e sair da Copa do Mundo com o apelido de "Furacão".
O matador é, também,
um dos maiores craques da história de dois grandes
clubes brasileiros: Botafogo e Cruzeiro.
Primeiros passos: No final da
década de 50, a família Ventura trocou o município
de Duque de Caxias pelo Rio de Janeiro. O endereço
escolhido acabou influenciando no futuro de seu membro mais
famoso. Morando na rua General Severiano, nada mais natural
que o menino Jair começasse a freqüentar o Botafogo,
que ficava ao lado de sua casa. Não demorou muito para
que ele fizesse um teste nas categorias de base do Glorioso
e começasse a defender as cores alvinegras.
O substituto: Em 1965, acabando
de sair do juvenil, Jairzinho recebeu uma missão praticamente
impossível: ser o substituto de Garrincha no Botafogo.
No entanto, ao invés de tremer ou decepcionar, o garoto
de 19 anos encheu os olhos dos torcedores. Com a mesma camisa
7 às costas, Jairzinho não mostrou o talento
de Mané para os dribles desconcertantes, mas seus gols
e suas arrancadas também deixaram seu nome na história
do clube.
Se substituir Garrincha no Botafogo
já não era tarefa para qualquer um, imagine
então ser o substituto do craque na seleção
brasileira. Pois foi exatamente o que aconteceu com Jairzinho,
no mesmo ano em que estreara nos profissionais do Alvinegro.
Mais uma vez, o faro para o gol não falhou e, em 1966,
na Inglaterra, disputou sua primeira Copa do Mundo, aos 20
anos.
O Furacão: Mesmo
após o fracasso brasileiro em 66, Jairzinho permaneceu
com seu status inabalado. Na volta para o Botafogo, já
usando a camisa 10, o craque levou o Glorioso ao bicampeonato
estadual em 67 e 68. Em 1970, veio a consagração.
O ponta direita foi um dos principais jogadores da melhor
seleção brasileira na história das copas,
e deixou o México com o apelido de Furacão,
devido às suas arrancadas e chutes fulminantes. Além
de Jairzinho, nunca, em todos os Mundiais, outro jogador conseguiu
marcar gols em todas as partidas da competição.
Logo na estréia, contra
a Tchecoslováquia, Jairzinho mostrou seu poder de fogo
e balançou as redes duas vezes. Nos outros cinco jogos,
Inglaterra, Romênia, Peru, Uruguai e Itália também
foram alvos do Furacão, que marcou sete vezes na competição.
A Taça do Mundo era nossa e o planeta inteiro reconhecia
o futebol do craque.
A mudança de casa:
Quatro anos após o Mundial do México, Jairzinho
fez parte da seleção brasileira que ficou em
quarto lugar na Copa da Alemanha e, logo em seguida, deixou
o Botafogo. Depois de mais de dez anos defendendo as cores
alvinegras, e sendo um dos maiores salários do futebol
brasileiro na época, o Furacão trocou General
Sevariano pela Europa, e foi jogar no Olympique de Marselha,
da França, ao lado do também brasileiro Paulo
César Caju, ex-companheiro de seleção
e Botafogo.
A troca acabou não se tornando
um bom negócio para Jairzinho e o craque disputou apenas
uma temporada pelo time francês. Acusado de agredir
um bandeirinha, o Furacão decidiu deixar o Olympique
e retornar ao Brasil.
A última conquista:
Aos 31 anos e com o passe livre nas mãos, o craque
assinou contrato com o Cruzeiro. Defendendo a Raposa, Jairzinho
foi, mais uma vez, incomparável. Na época, ele
já era um veterano, mas continuava dando trabalho aos
zagueiros. Em 1976, o craque foi um dos principais nomes no
título mais importante da história do time mineiro:
a Taça Libertadores da América. Esta seria a
última grande conquista do Furacão, que já
estava prestes a e despedir dos gramados.
Andarilho: Assim como acontece
com vários outros craques, Jairzinho demorou a se acostumar
com a idéia de abandonar a carreira de jogador. Ao
sair do Cruzeiro, o Furacão já não era
mais o mesmo e passou a atuar por equipes pequenas do futebol
brasileiro e internacional, antes do adeus definitivo. Fast
Clube, do Amazonas, Noroeste, de Bauru e Portuguesa, da Venezuela,
são clubes que hoje ostentam o orgulho de terem Jairzinho
como um dos jogadores de sua história.
Quando se aposentou, o Furacão
tentou iniciar a carreira de treinador, mas não obteve
sucesso. Acabou se tornando empresário de jogadores
e, mesmo longe dos gramados, ainda deu mais um presente para
o futebol brasileiro: foi um dos descobridores de Ronaldo,
o Fenômeno.
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