Fale conosco Receba o boletim  
  Abertura
  Raio-X
  Galeria
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CARLOS ALBERTO TORRES
Gazeta Press
Gazeta Press

‘Capita’ desde criancinha

Por Rodrigo Almeida

Ainda criança, Carlos Alberto Torres levou uma verdadeira surra do pai. E apenas respondeu: "Não adianta o senhor me bater. Eu quero ser jogador de futebol". Foi a decisão mais correta que ele poderia ter tomado na vida. A determinação e a coragem demonstradas desde cedo certamente foram decisivas para que, anos depois, ao levantar a taça do tricampeonato mundial, em 1970, ele se tornasse conhecido e reverenciado pelo mundo inteiro como o "Capitão".

Com temperamento explosivo e personalidade forte, o "Capita" fez muitos amigos e também inimigos no meio do futebol. Dentro de campo, porém, sua habilidade fora do comum despertou admiração em todos que o viram jogar. O Brasil e o mundo nunca conheceram outro lateral-direito que chegasse à sua altura.

O início

Nascido no Rio de Janeiro, os primeiros passos de Torres no futebol aconteceram no Fluminense. Em 1964, fez sua primeira partida oficial entre os profissionais do Tricolor Carioca e ainda conquistou seu primeiro título: o de campeão estadual. Com rara técnica e habilidade invejável, foi logo chamando atenção e, no mesmo ano, estreou na seleção brasileira principal, antes mesmo de completar 20 anos. Já em 1965, Carlos Alberto se transferiu para o clube que mais defendeu durante toda sua carreira: o Santos.

Ao chegar à Vila Belmiro, Torres encontrou um verdadeiro timaço, comandado por ninguém menos que Pelé. Nesta época, o Peixe já havia sido bicampeão mundial interclubes. No entanto, não demorou muito para o jovem lateral-direito habilidoso encantar a todos e ganhar a confiança das feras.

Apesar da juventude, Torres já mostrava a personalidade forte que o caracteriza até hoje, e logo conquistou um posto invejável: tornou-se o capitão do poderoso Santos. No primeiro ano na Vila, o Capita já começou a colecionar títulos, sendo campeão paulista e brasileiro.

A decepção

Em 1966, Carlos Alberto já era considerado um craque e foi uma surpresa geral quando seu nome ficou fora da lista de convocados para a Copa do Mundo daquele ano, na Inglaterra. "Eu achava que estava garantido. Quando alguém me disse que não anunciaram meu nome, pensei até que fosse um engano", recorda-se. Naquela Copa, a seleção não foi muito longe. Em compensação, a glória aguardava Torres, quatro anos depois, no México.

Imortal

Em 1970, Carlos Alberto já era uma unanimidade nacional e, sem dúvida alguma, o melhor lateral-direito do mundo. Com a braçadeira de capitão, ele liderou a melhor seleção brasileira da história das Copas do Mundo ao tricampeonato.

Pelo menos duas imagens do Capita nesta competição se tornaram eternas. A primeira é a do quarto e último gol brasileiro na goleada sobre a Itália, na decisão do título. A jogada, que teve a participação de meio-time, é exibida até hoje quando se fala em Copas do Mundo.

Pode-se dizer que todo brasileiro já viu o lance em que Pelé, sem olhar, rola a bola para Torres estufar as redes italianas. A outra imagem é tão marcante e conhecida quanto a primeira: o Capita erguendo a Taça Jules Rimet, recebida após a conquista do Tri.

Foi um momento de coroação, não só para ele, como para outros craques daquela geração como Tostão, Gérson, Rivelino, Jairzinho e o já consagrado rei Pelé.

Ao conquistar o Mundial, Torres imortalizou seu nome no cenário mundial. Prova disso é que, em 2000, a Fifa elegeu a seleção do século 20, e o Capita foi reconhecido como o melhor lateral-direito da história do futebol. Outros três brasileiros foram eleitos: Nilton Santos, Garrincha e Pelé.

Idas e vindas

Após a Copa, Carlos Alberto deixou o Santos e retornou ao Rio de Janeiro. Em 1971, vestiu a braçadeira de capitão do Botafogo, saindo depois para o Flamengo. Um ano depois, estava de volta à Vila Belmiro.

Em 73, Torres conquistou seu quinto título paulista. O Capita permaneceu no clube até 76, quando voltou mais uma vez para o futebol carioca. Após 445 jogos e 40 gols marcados, o craque não mais defenderia o Peixe.

O destino de Carlos Alberto era o Fluminense, clube que o revelou para o futebol e, à distância, contemplou suas grandes conquistas. O craque permaneceu um ano nas Laranjeiras, quando conquistou seu segundo título carioca. Por uma ironia do destino, o Tricolor foi o primeiro e o último clube que o Capita defendeu no Brasil.

New York, New York

Em 1977, Torres aceitou um novo desafio e foi jogar nos Estados Unidos. Ao lado de Pelé, ex-companheiro de Santos e seleção brasileira, Torres fez história na ‘Terra do Tio Sam’, ao levar o Cosmos, de Nova York, a três títulos de campeão nacional.

O Capitão e o Rei do futebol levaram os americanos à loucura, e deixaram o país a seus pés. Depois de uma rápida passagem pelo Newport Beach, em 1981, Torres voltou ao Cosmos para, em 82, pendurar definitivamente as chuteiras. A partir daí, as jogadas maravilhosas do Capita deixaram de vez os gramados para ficar na memória dos amantes do futebol-arte.

De Capitão a comandante

Logo após abandonar as quatro linhas, Carlos Alberto passou a ser técnico de futebol. Porém, a exemplo de outros craques brasileiros, sua carreira de treinador não tem sido tão brilhante como fora a de jogador. Seu melhor momento foi em 1983, quando conquistou o título de campeão brasileiro com o Flamengo.

De lá para cá, teve algumas passagens por grandes clubes como Botafogo e Corinthians, além de equipes pequenas, como o América-RJ, clube que comandou até o início do ano. Atualmente, o Capita aguarda novos convites para voltar à ativa.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página