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13/11/2006
cláudio kano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Cláudio Kano: Trajetória interrompida

Foto: Acervo/Gazeta Press
Foto: Acervo/Gazeta Press
Nome: Cláudio Mitsuhiru Kano
Data de nascimento:
18/12/1965
Local:
São Paulo (SP)
Principais Resultados:
seis vezes campeão sul-americanos, dois sextos lugares em Mundiais (1987 e 1989) e 12 medalhas pan-americanas - Caracas (1983): 2 ouros (dupla masculina e por equipe) e 1 bronze (dupla mista); Indianápolis (1987): 1 ouro (equipe), 1 prata (dupla masculina) e 1 bronze (individual); Havana (1991): 2 ouros (dupla masculina e por equipe) e 1 prata (individual); Mar Del Plata (1995): 2 ouros (dupla masculina e por equipe) e 1 prata (individual)
Participações olímpicas: Seul/88 e Barcelona/92

Fábio Mello

Um acidente de moto interrompeu a trajetória de Cláudio Kano, um dos brasileiros mais bem-sucedidos da história dos Jogos Pan-americanos. O mesatenista faleceu no dia 1 de julho de 1996, com 30 anos, e deixou o recorde de 12 medalhas no Pan, marca só superada nas edições seguintes por seu companheiro Hugo Hoyama (13 medalhas) e pelo nadador Gustavo Borges (19). Ele também detém ao lado de Borges o segundo maior número de ouros do país com sete conquistas, uma a menos do que Hoyama.

No auge de sua carreira, Kano se preparava para sua terceira Olimpíada, a de Atlanta, que aconteceria 18 dias após sua trágica morte numa segunda-feira cinzenta em São Paulo. Ele dirigia sua moto roxa na Marginal Pinheiros quando foi fechado por um carro, derrapou e bateu no guard-rail. O capacete não foi o suficiente para evitar a morte a um dia da viagem para o Canadá, onde faria o último estágio da preparação para as Olimpíadas.

Na época, o brasileiro vivia uma disputa sadia com Hugo Hoyama pelo ‘título’ de melhor mesatenista do país. Juntos, ganharam as medalhas de ouro nos Pan-americanos de Indianápolis (1987), Havana (1991) e Mar del Plata (1995). Porém, no confronto direto, Kano amargava duas derrotas em finais de Pan para o rival, fato que não estremecia a parceria.

Quatro anos mais velho de que o companheiro, Kano começou a jogar tênis de mesa com sete anos, quando também praticava judô. Descoberto pelo técnico da Associação nipo-brasileira, passou a treinar os dois esportes no clube paulistano Hebraica a partir de 1976. Um ano depois, decidiu se focar no tênis de mesa e passou a treinar diariamente.

Os resultados não demoraram a aparecer. Nos três anos de Hebraica foi campeão paulista mirim, além de sagrar-se vice brasileiro e campeão sul-americano infantil. Impulsionado pelos bons resultados, em 1981 fez estágio no Japão e um ano mais tarde, já como profissional, conquistou o campeonato paulista, brasileiro e sul-americano individual adulto.

Porém, seu nome tornou-se conhecido em 83, quando ao lado de Ricardo Tetsuo Ikoushi ficou com o ouro em duplas do Pan-americano de Caracas. Ele ainda levou o ouro por equipes e o bronze no misto (com Sandra Noda) e iniciou o reinado da modalidade no Brasil.

Desde lá, além das já citadas medalhas Pan-americanas (sete de ouro, três de prata e duas de bronze), Kano tornou-se hexacampeão sul-americano e o brasileiro com melhor desempenho no Mundial da modalidade com os sextos lugares obtidos em Macau (1987) e no Quênia (1989). Ele ainda participou das Olimpíadas de Seul (1988) e Barcelona (1992).

Além de atrapalhar na consolidação de recorde de medalhas no Pan, o acidente de moto tirou de Kano a possibilidade de voltar a figurar entre os melhores do mundo, como planejava. Na segunda metade da década de 80, ele fez estágios de seis meses por quatro anos na Suécia e chegou a ocupar a 41ª colocação do ranking da federação internacional. “Se tivesse mantido o ritmo, hoje estaria entre os primeiros”, disse em 1994. Nos anos seguintes, ele repetiu a receita, intensificou a preparação e mirava a Olimpíadas de Atlanta para atingir o auge. Ele só não esperava que uma fatalidade abreviasse sua trajetória.

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