Cláudio Kano:
Trajetória interrompida
| Foto: Acervo/Gazeta Press |
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Nome: Cláudio Mitsuhiru
Kano
Data de nascimento: 18/12/1965
Local: São Paulo (SP)
Principais Resultados: seis vezes
campeão sul-americanos, dois sextos lugares em Mundiais
(1987 e 1989) e 12 medalhas pan-americanas - Caracas
(1983): 2 ouros (dupla masculina e por equipe) e
1 bronze (dupla mista); Indianápolis (1987): 1 ouro
(equipe), 1 prata (dupla masculina) e 1 bronze (individual);
Havana (1991): 2 ouros (dupla masculina e por equipe)
e 1 prata (individual); Mar Del Plata (1995): 2
ouros (dupla masculina e por equipe) e 1 prata (individual)
Participações olímpicas:
Seul/88 e Barcelona/92 |
Fábio Mello
Um acidente de moto interrompeu a trajetória de Cláudio
Kano, um dos brasileiros mais bem-sucedidos da história
dos Jogos Pan-americanos. O mesatenista faleceu no dia
1 de julho de 1996, com 30 anos, e deixou o recorde
de 12 medalhas no Pan, marca só superada nas edições
seguintes por seu companheiro Hugo Hoyama (13 medalhas)
e pelo nadador Gustavo Borges (19). Ele também detém
ao lado de Borges o segundo maior número de ouros do
país com sete conquistas, uma a menos do que Hoyama.
No auge de sua carreira, Kano se preparava para sua
terceira Olimpíada, a de Atlanta, que aconteceria
18 dias após sua trágica morte numa segunda-feira cinzenta
em São Paulo. Ele dirigia sua moto roxa na Marginal
Pinheiros quando foi fechado por um carro, derrapou
e bateu no guard-rail. O capacete não foi o suficiente
para evitar a morte a um dia da viagem para o Canadá,
onde faria o último estágio da preparação para as Olimpíadas.
Na época, o brasileiro vivia uma disputa sadia com
Hugo Hoyama pelo ‘título’ de melhor mesatenista do país.
Juntos, ganharam as medalhas de ouro nos Pan-americanos
de Indianápolis (1987), Havana (1991) e Mar del Plata
(1995). Porém, no confronto direto, Kano amargava duas
derrotas em finais de Pan para o rival, fato que não
estremecia a parceria.
Quatro anos mais velho de que o companheiro, Kano
começou a jogar tênis de mesa com sete anos, quando
também praticava judô. Descoberto pelo técnico da Associação
nipo-brasileira, passou a treinar os dois esportes no
clube paulistano Hebraica a partir de 1976. Um ano depois,
decidiu se focar no tênis de mesa e passou a treinar
diariamente.
Os resultados não demoraram a aparecer. Nos três anos
de Hebraica foi campeão paulista mirim, além de sagrar-se
vice brasileiro e campeão sul-americano infantil. Impulsionado
pelos bons resultados, em 1981 fez estágio no Japão
e um ano mais tarde, já como profissional, conquistou
o campeonato paulista, brasileiro e sul-americano individual
adulto.
Porém, seu nome tornou-se conhecido em 83, quando
ao lado de Ricardo Tetsuo Ikoushi ficou com o ouro em
duplas do Pan-americano de Caracas. Ele ainda levou
o ouro por equipes e o bronze no misto (com Sandra Noda)
e iniciou o reinado da modalidade no Brasil.
Desde lá, além das já citadas medalhas Pan-americanas
(sete de ouro, três de prata e duas de bronze), Kano
tornou-se hexacampeão sul-americano e o brasileiro com
melhor desempenho no Mundial da modalidade com os sextos
lugares obtidos em Macau (1987) e no Quênia (1989).
Ele ainda participou das Olimpíadas de Seul (1988) e
Barcelona (1992).
Além de atrapalhar na consolidação de recorde de medalhas
no Pan, o acidente de moto tirou de Kano a possibilidade
de voltar a figurar entre os melhores do mundo, como
planejava. Na segunda metade da década de 80, ele fez
estágios de seis meses por quatro anos na Suécia e chegou
a ocupar a 41ª colocação do ranking da federação internacional.
“Se tivesse mantido o ritmo, hoje estaria entre os primeiros”,
disse em 1994. Nos anos seguintes, ele repetiu a receita,
intensificou a preparação e mirava a Olimpíadas de Atlanta
para atingir o auge. Ele só não esperava que uma fatalidade
abreviasse sua trajetória.
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