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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . MARIA ESTHER BUENO
Foto Gazeta Press
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A primeira dama de Winbledon

Até 1959, o Circuito Mundial de tênis feminino era um grupo reservado e uma mudança no panorama internacional era algo impensável.

O torneio de Winbledon nunca havia sido conquistado por uma mulher que não fosse proveniente da Europa ou dos EUA.

Naquele ano, Maria Esther Bueno estava muito distante do grupo de favoritas à conquista do torneio mais difícil da temporada. Uma das poucas pessoas a acreditar em seu futuro foi a tenista Athea Gibson, primeira negra a ser campeã de Winbledon, que no ano anterior conquistou o título de duplas no Grand Slam britânico ao lado de Maria Esther.

"Ela é o maior talento do tênis atual. Seu estilo não é algo totalmente diferente e em pouco tempo Esther vai estar entre as maiores tenistas do mundo".

No dia 23 de junho de 1959, a brasileira de apenas 19 anos fez sua estréia no torneio de simples. Sua adversária foi a britânica Pamela Edwards e a partida culminou com uma fácil vitória por 6/1 e 6/3.

Na segunda rodada, Estherzinha enfrentou a alemã Margot Dittmeyer. Após perder o primeiro set, a brasileira recuperou-se no jogo e marcou 4/6, 6/1 e 6/1.

Veio a terceira rodada, e também outra virada. Foi o último set perdido por Maria Esther no torneio, quando bateu a Mimi Harnold por 4/6, 6/3 e 6/1.

A neozelandesa Reneé Morrison, que a brasileira enfrentou nas oitavas-de-final, perdeu por 6/1 e 7/5. Nas quartas-de-final, Maria Esther eliminou Edna Budding, da União Soviética, por um duplo 6/3.

Estherzinha, tão desacreditada no começo, estava nas semifinais. Era feito inédito para um brasileiro. Antes dela, a melhor campanha na terra da Raiha havia sido de Armando Vieira, que caiu nas quartas-de-final em 1951.

O jogo contra a americana Sally Moore não durou mais do que 43 minutos e Esther não teve muito trabalho para fazer 6/2 e 6/4.

A grande final aconteceu no dia 4 de julho. Sob um calor de mais de 30 graus, Esther enfrentou a americana Darlene Moore, 21 anos, que havia derrotado a brasileira nos últimos seis confrontos.

A data da partida, que comemora a independência dos Estados Unidos, não foi nada festiva para o país que tentava seu 22º título consecutivo na chave de simples do torneio feminino. Um samba atravessou o hino americano com o show de Estherzinha para mais de 15 mil pessoas na quadra central do All England Club.

Com 11 aces e uma grande exibição, cheia de voleios e com ataques fulminantes de direita, a brasileira venceu por 6/3 e 6/4. O fim da partida marcou o início de uma crise de choro de Estherzinha, pranto que só foi contido segundos antes de receber o troféu da duquesa de Kent.

Com a taça na mão, começou um dos maiores desafios de Esther. A brasileira, que chegou à Inglaterra pensando apenas em adquirir mais experiência, precisou correr às lojas da capital britânica para comprar um vestido para a festa dos campeões.

No evento, Esther dividiu a pista com o peruano Alex Olmedo, com quem dançou um "chá-chá-chá".

Seis dias depois, a brasileira retornou a seu país de origem. Com sete horas de atraso causadas por uma pane no motor do avião, Esther foi recebida pelo presidente da República Juscelino Kubsticheck no Rio de Janeiro.

Depois do encontro com o político, desfilou em carro aberto pelas ruas de São Paulo, do aeroporto ao Clube Tietê, onde começou sua carreira.

A brilhante campanha era apenas o começo do fenômeno Maria Esther Bueno. Se existisse à época um ranking mundial das tenistas, a brasileira o teria liderado, incólume, por três temporadas.

Em 1960, Esther conquistou o bi em Winbledon ao bater a sul-africana Sandra Reynolds na final. Depois de um primeiro set muito disputado, onde a brasileira venceu por 8/6, prevaleceu a força e o saque de Maria Esther em um humilhante 6/0.

Quatro anos depois, a brasileira ainda conseguiu sua terceira conquista no torneio. Ao bater a australiana Margaret Court por 6/4, 7/9 e 6/3, Estherzinha escrevia definitivamente seu nome na história de Winbledon e do tênis mundial.

Miss Maria Esther Bueno consolidava a imagem que a acompanhava desde a primeira conquista. O estigma de primeira dama de Winbledon, de forma natural, tornou-se inerente à sua própria figura.

Publicação: 18/07/2003
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