Futebol/Copa Libertadores - ( - Atualizado )

Com dois de Sheik, Timão vence o Boca e se liberta de último trauma

Edoardo Ghirotto*, Bruno Ceccon, Tossiro Neto, Hélder Júnior e Marcelo Belpiede São Paulo (SP)

A América passou a ter um novo dono neste dia 4 de julho de 2012. Com dois gols marcados por Emerson Sheik, o Corinthians se livrou da sina de nunca ter conquistado o título da Libertadores e derrotou o Boca Juniors por 2 a 0, no Pacaembu. Com o triunfo desta quarta-feira, o Timão ainda mostra que superou de forma definitiva o trauma de ter caído para a Série B em 2007 e consolida a sua hegemonia no País sob o comando do técnico Tite.

O grito de campeão estava entalado há 35 anos na garganta do torcedor corintiano - a primeira participação da equipe de Parque São Jorge no torneio continental foi em 1977. O longo período de espera acumulou seguidos fracassos na história vitoriosa da equipe, mas a redenção no continente veio da melhor forma possível. O time alvinegro se impôs diante do grande carrasco de brasileiros na competição e conquistou o principal objetivo dos seus 101 anos de história de forma invicta.

Além de levar o inédito troféu para a sua estante, o Corinthians também garante a sua passagem para o Mundial de Clubes da Fifa. No final deste ano, a equipe viajará até o Japão, onde poderá disputar o título de melhor time da atualidade com os ingleses do Chelsea, campeões da Liga dos Campeões da última temporada europeia.

Djalma Vassão/Gazeta Press
O Corinthians finalmente se libertou de seus traumas e conquistou pela primeira vez a Libertadores
O Jogo - Corinthians e Boca Juniors entraram em campo dispostos a buscar o resultado nos primeiros minutos da partida. Contudo, a tensão que envolve uma final de Libertadores ditou o ritmo do início do confronto. Errando muitos passes no meio-campo, o Timão pouco ameaçava o seu adversário e apresentava sinais de irritação com a marcação argentina.

Logo aos quatro minutos, Chicão sofreu falta no meio-campo e se estranhou com Mouche. A fim de coibir qualquer entrevero dentro de campo, o árbitro mostrou cartão amarelo para os dois e cessou o tumulto criado pelos jogadores. Instantes depois, a torcida corintiana prendeu a respiração quando o próprio Mouche invadiu a área, mas ficou aliviada ao ver o bandeira assinalando o impedimento no lance.

Com os ânimos controlados, o Corinthians soube colocar a bola no chão e passou a ameaçar o Boca Juniors. Aos dez minutos, Alex encontrou espaço na marcação e chutou de fora da área. O goleiro Orión se agachou para defender, mas não conseguiu segurar. Antes que Paulinho pudesse chegar para concluir ao gol, o arqueiro se recuperou no lance e recolheu a bola para junto de si.

Apesar de errar muito em seu campo ofensivo, o Corinthians chegou a assustar os argentinos com uma boa jogada individual de Emerson aos 16 minutos. O Sheik correu até a linha de fundo e parou em frente à marcação adversária. Com um belo drible, o atacante passou no meio dos defensores do Boca Juniors e invadiu a área. Entretanto, o atleta não conseguiu concluir a jogada, pois Ledesma chegou de forma providencial e afastou com um chutão para a linha de fundo.

Fernando Dantas/Gazeta Press
A partida entre Corinthians e Boca começou truncada. Os dois times erravam muito e cometiam várias faltas.
As chances criadas pelos donos da casa não surtiram qualquer efeito no modo como os times de comportavam dentro de campo. Os erros na intermediária continuavam se repetindo, assim como as faltas duras que ambos cometiam. Em um primeiro lance, Alex dividiu de carrinho com Erviti e saiu impune após o árbitro considerar a infração como algo corriqueiro. Já aos 25, Emerson tentava se infiltrar na marcação argentina e foi derrubado perto da meia-lua da área por Schiavi.

A falta era propícia para o zagueiro Chicão bater, mas uma conversa com Alex determinou que o meia cobraria o tiro para o gol. Antes da finalização, Orión caiu no gramado e se queixou de dores no joelho. Sob vaias, o atleta foi atendido pelos médicos e gerou apreensão no banco de reservas. Com condições de permanecer em campo, o camisa 01 do Boca viu o armador corintiano chutar em cima da barreira e desperdiçar a chance de abrir o placar.

Fernando Dantas/Gazeta Press
O goleiro Orión sentiu uma pancada no joelho e precisou deixar o campo ainda no primeiro tempo
Sem ser exigido nos minutos seguintes, o goleiro Orión viu a sua noite se transformar em um pesadelo aos 33 minutos. O atleta sentiu novamente uma pancada no joelho e caiu desolado em campo. Amparado por seus companheiros de clube, o argentino foi conduzido até a lateral do campo e substituído por Sebastián Sosa. Decepcionado e chorando muito, o arqueiro ainda foi abraçado pelo técnico Julio Cesar Falcioni e pelos demais jogadores do banco de reservas visitante.

Atento em seu primeiro lance na partida, Sebastián Sosa mostrou tranquilidade ao se antecipar a Jorge Henrique e cair bem para defender o cruzamento rasteiro de Danilo. No entanto, um lance aos 37 minutos demonstrou que o goleiro ainda não tinha total confiança. Emerson avançou pela esquerda e lançou rasteiro para dentro da área. A bola percorreu toda a extensão da grande área e confundiu o novo arqueiro do Boca, que foi salvo apenas pela intervenção de Clemente Rodríguez.

Mesmo com o susto sofrido neste lance, Sosa se recuperou rapidamente na partida e mostrou confiança ao encaixar o chute de fora da área de Alex. O meia finalizou no meio do gol e não deu trabalho para o goleiro argentino praticar a defesa aos 39. Quatro minutos depois, Santiago Silva fez sua primeira aparição no jogo, mas de forma negativa. O atleta enfiou o cotovelo no rosto de Leandro Castán e foi amarelado pelo árbitro.

Sem qualquer jogada que arrancasse aplausos de nenhuma das duas torcidas, o primeiro tempo se encerrou após os cinco minutos de acréscimo dados pelo árbitro da partida. Com o reinício após o intervalo, o Corinthians tomou a iniciativa logo depois do pontapé inicial e exigiu que Sosa saísse bem do gol para segurar o cruzamento de Emerson da direita.

Fernando Dantas/Gazeta Press
O capitão Alessandro ergueu a taça inédita na história do Corinthians após a vitória por 2 a 0 sobre o Boca
Em seguida, o Boca Juniors mostrou ter forças para se recuperar na partida e se redimir da apatia na etapa inicial. Após lançamento da esquerda, Cássio saiu muito mal do gol e contou com o apoio de sua zaga para se livrar de qualquer perigo. Já aos três minutos, o time argentino tentou chegar ao gol em cobrança de escanteio, mas o cruzamento de Riquelme não encontrou a cabeça de nenhum atacante de sua equipe.

Com o ímpeto do Boca Juniors controlado, o Corinthians partiu para o ataque e conseguiu desestabilizar a zaga adversária pelo alto. Aos seis minutos, Schiavi deu um pontapé em Danilo e recebeu o cartão amarelo. Na cobrança, Danilo colocou no centro do gol e Sosa precisou afastar de soco para não se complicar.

Na sobra deste lance, a posse de bola continuou com o Corinthians e originou a falta que culminaria no gol histórico de Emerson Sheik aos oito minutos. Quando o marcador apontava oito minutos, Riquelme cometeu a infração na direita e teve uma breve discussão com Tite. Na cobrança, Alex tomou a bola e lançou para dentro da área. Jorge Henrique desviou de cabeça para o centro da área e Danilo, com o espírito do Dr. Sócrates, acertou um passe de calcanhar que livrou Emerson da marcação adversária e deixou o atacante cara a cara com o goleiro Sosa. Sem titubear, o atleta fuzilou as redes argentinas e fez o Pacaembu explodir em êxtase.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Emerson aproveitou o passe de calcanhar de Danilo para se livrar da marcação e fuzilar Sosa aos oito minutos
Ciente de que precisaria mudar a sua postura para chegar ao empate, o Boca Juniors tentou esboçar uma reação, mas o destempero emocional da equipe continuava comprometendo o seu rendimento. Em nova falta dura sobre Emerson, Caruzzo recebeu o cartão amarelo e se irritou com o árbitro. O time ainda conseguiria chegar ao ataque aos 13, após Jorge Henrique cometer falta. Amarelado pelo juiz, o atacante corintiano voltou para auxiliar na marcação e viu a cobrança de Riquelme ser invalidada após o bandeira sinalizar impedimento.

Receoso com a forma como o Boca Juniors se comportava, o técnico Julio Cesar Falcioni colocou Cvitanich para dar mais poder ofensivo ao seu time. A saída do volante Ledesma deixou um buraco no meio-campo argentino e permitiu o domínio corintiano nos minutos seguintes. Com a ausência de um marcador, os visitantes foram para cima aos 26 minutos e Cássio mostrou segurança para defender a cabeçada de Mouche após falta cobrada por Riquelme.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Alessandro subiu no palanque montado pela organização e levantou o troféu de campeão
No minuto seguinte, o Pacaembu pôde soltar o grito de campeão com segurança e vibrar com o segundo gol marcado por Emerson Sheik na partida. Aos 27 minutos, o atacante marcou a saída de bola da zaga argentina e tomou a bola mal passada por Schiavi. Com a posse do esférico, o atleta apostou corrida com Caruzzo e ficou novamente na frente de Sosa. Com tranquilidade, o jogador tocou no canto do arqueiro e consolidou a vantagem de sua equipe no duelo.

Atrás no placar, o Boca Juniors perdeu a cabeça de vez e passou a explorar o temperamento explosivo de Emerson para causar a sua expulsão. Os jogadores argentinos passaram a intensificar a marcação em cima do Sheik e tiveram que ouvir a série de provocações do herói contiano. Concentrado, o atleta falava na orelha do zagueiro Caruzzo constantemente e deixava a irritação do defensor transparecer a cada intervenção do juiz.

Provocações à parte, o Corinthians teve a chance de marcar o terceiro com Chicão. O zagueiro cobrou falta perto da entrada da área e buscou o canto oposto do goleiro Sosa. A própria torcida chegou a gritar gol nas arquibancadas do Pacaembu, mas o tirou saiu rente ao poste e acertou a rede pelo lado de fora.

Aos 40 minutos, a torcida corintiana não conseguiu mais segurar o grito de 'É Campeão!' e passou a embalar a equipe dentro de campo em coro. O técnico Tite ainda colocou o meia Douglas no lugar de Alex e Emerson ganhou tempo ao cair no gramado antes de ser substituído por Liedson. Quando o marcador apontava 48 minutos, o árbitro tomou a bola em suas mãos e encerrou a partida que sagrou o Timão como campeão da Libertadores de 2012.

*Especial para a GE.Net

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