Futebol/Campeonato Brasileiro Série B - ( )

Rebaixamento deste sábado foi o oitavo do Guarani em onze anos

Lucas Besseler, especial para a GE.Net Campinas (SP)

Acostumado com boas campanhas entre o final dos anos 70 e o início da década de 90, o torcedor do Guarani foi obrigado a conviver com decepções no início do século XXI. Desde 2001, o Bugre acumula oito rebaixamentos e perambulou por três divisões nacionais e duas estaduais.

Antes disso, o alviverde campineiro havia caído em apenas uma oportunidade, no Campeonato Brasileiro de 1989. Na ocasião, os seis piores times da primeira fase fizeram espécie de “torneio da morte” que decidiu os dois times que jogariam a segunda divisão nacional no ano seguinte.

Após o descenso, o Guarani retornou à elite nacional com o vice-campeonato da segundona, em 1991. No espaço de treze anos entre o retorno à primeira divisão e o rebaixamento de 2004, o time seria ainda terceiro colocado no Brasileirão de 1994 e chegaria às quartas-de-final da edição de 1999.

No estadual, a queda foi ainda mais dolorosa. O rebaixamento em 2006 interrompeu a série de 56 anos do Guarani na elite paulista. Considerado por muitos a quinta força de São Paulo, atrás apenas de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos, o time foi obrigado a jogar a segunda divisão do estado após uma campanha ruim na elite no ano anterior pela primeira vez em sua história.

Fernando Dantas/Gazeta Press
Torcida do Guarani protesta após derrota por 2 a 1 para o São Caetano que rebaixou o Bugre para a Série C, neste sábado
Confira abaixo todos os rebaixamentos do Guarani no século XXI:

2001 – Campeonato Paulista

Sob o comando do treinador campeão brasileiro com o time, Carlos Alberto Silva, o Guarani teve um bom desempenho nos primeiros sete jogos do estadual. Após perder para o Santos e empatar com o Mogi Mirim nas suas duas primeiras partidas, o time embalou boa sequência e conseguiu quatro vitórias nas cinco partidas seguintes. Além da vitória em casa por 2 a 1 sobre a arquirrival Ponte Preta, merece destaque o triunfo pelo mesmo placar sobre o Corinthians, de virada, também no Brinco de Ouro.

Nas primeiras colocações, o Bugre teve péssimo desempenho na segunda metade do Paulistão e somou apenas um ponto nas oito partidas seguintes – apesar de empatar em 0 a 0 com a Matonense, na 11ª rodada, o alviverde campineiro foi derrotado nos pênaltis e não somou nenhum ponto graças ao regulamento daquele ano.

Empatando sem gols com a Portuguesa Santista, na última rodada, o Guarani somou um ponto graças à vitória nos pênaltis, feito insuficiente para escapar da degola: o time foi o 15º colocado de 16 equipes, com 15 pontos somados. Apesar disso, o time acabou se livrando da segunda divisão estadual com a ampliação do Torneio Rio-São Paulo, onde foi um dos oito representantes paulistas na elite.

2002 – Torneio Rio-São Paulo

Panorama parecido culminou no rebaixamento bugrino no Torneio Rio-São Paulo do ano seguinte. Após bom início, com 14 pontos somados em sete partidas, o Guarani ficou sete jogos sem vencer e foi caindo gradualmente na tabela.

Quando teve oportunidade de ouro de escapar da degola, em confronto direto com a rival Ponte Preta, no Brinco, o Bugre empatou em 1 a 1 em um dos dérbis mais importantes da época. O alviverde desperdiçou um pênalti com Edu Dracena, aos 45 minutos do segundo tempo, perdendo a chance de praticamente sacramentar o rebaixamento da Macaca.

Nem mesmo a vitória por 2 a 1 sobre o Botafogo, no Rio, salvou o time de novo vexame. Com gol de Orlando aos 41 minutos da etapa final, a Ponte garantiu a vitória de virada sobre o líder Palmeiras, em Campinas, e levou a melhor no saldo de gols sobre o maior rival. O Bugre, porém, contou com nova “virada de mesa” e disputou a elite estadual com o retorno do Paulistão, em 2003.

2004 – Campeonato Brasileiro

Após 12 anos jogando a elite nacional de forma ininterrupta, o Bugre fez campanha irregular e foi rebaixado com uma rodada de antecedência no nacional, ao perder por 4 a 2 para o Paysandu, no Mangueirão. Nem mesmo a presença de medalhões como o goleiro Jean, o atacante Viola e o meia-atacante Sandro Hiroshi salvaram a equipe campineira da degola.

O rebaixamento bugrino foi reflexo de crises extra-campo. Além das constantes trocas de comando no time – cinco treinadores passaram pelo Brinco de Ouro durante a disputa do Nacional, Jean e Viola, líderes dentro do elenco alviverde, chegaram a cobrar salários na imprensa e ameaçaram não treinar durante o período em que não recebiam.

Para piorar, a diretoria dispensou nove jogadores antes mesmo do final do Brasileirão. Entre eles, estavam quatro titulares, incluindo o atacante Viola. O Bugre foi o 22º colocado entre as 24 equipes daquela competição, com 49 pontos somados em 46 partidas.

2006 – Campeonato Paulista

Após a boa campanha na Série B de 2005, o Guarani manteve o técnico Luiz Carlos Ferreira e boa parte do elenco que chegou perto da conquista do acesso à primeira divisão no ano anterior. O anúncio de parceria similar à Corinthians/MSI com a italiana Turbo System, que prometeu o pagamento das dívidas do clube e reforços do calibre de D’Alessandro e Alessandro del Piero, aumentou ainda mais as expectativas no Brinco de Ouro. A má campanha durante o estadual, porém, culminou na demissão do treinador após a derrota por 2 a 1 em casa para o Paulista, na 12ª rodada.

Nem mesmo a chegada do técnico Toninho Cerezo, único contratado pela Turbo System, além do volante Zé Elias, deu novo ânimo à equipe, que convivia com o não pagamento de salários e premiações. Vencendo apenas uma partida nos cinco jogos sob o comando do novo treinador, o Guarani acabou caindo após empate em 0 a 0 com o já rebaixado Mogi Mirim, no Brinco de Ouro. Uma vitória simples bastava ao time bugrino, que terminou o estadual na 17ª colocação, com 19 pontos.

A queda culminou na renúncia do presidente José Luis Lourencetti. Além das seguidas campanhas ruins durante a sua gestão, a descoberta da farsa Turbo System foi a gota d’água para a saída do mandatário. A empresa, na verdade, servia de fachada de Nico Nicoletti, brasileiro que se dizia italiano e esteve envolvido em problemas com a justiça, inclusive por estelionato. Vítimas da farsa, Zé Elias e Cerezo não receberam um centavo sequer no período em que estiveram no clube.

2006 – Campeonato Brasileiro Série B

O ano de 2006 viria a ser o pior da história do Guarani. A entrada de Leonel Martins de Oliveira na presidência do clube não melhorou o cenário do clube. Após errar ao apostar no experiente técnico Carlos Gainete Filho, vice-campeão com a equipe no Brasileirão de 1986, demitido após a goleada por 8 a 1 para o Sport sofrida na 18ª rodada, na Ilha do Retiro, o novo mandatário contratou Luiz Carlos Barbieri, ex-jogador com passagem marcante pelo Bugre e que iniciou a carreira como treinador da equipe.

Sem dar novo gás ao time, Barbieri foi demitido após nova goleada, desta vez por 4 a 1 para o Marília, em casa, na 27ª rodada. Com a efetivação do interino Waguinho Dias, o time esboçou reação na reta final da competição, em vão. Com 44 pontos, o Guarani acabou rebaixado para a Série C, prejudicado pela perda de três pontos referentes à punição da FIFA por negociação irregular do lateral-esquerdo Gílson com o Samsunspor, da Turquia, em 2003. Caso não tivesse perdido a pontuação, o Bugre terminaria o campeonato na 12ª colocação, cinco posições acima da zona de rebaixamento.

2009 – Campeonato Paulista

Recém-promovido à Série B com o vice-campeonato da terceira divisão nacional em 2008, o Bugre conseguiu manter boa parte da base do ano anterior e contou com o reforço do ídolo Amoroso. O meia, no entanto, atuou apenas 68 minutos no empate em 2 a 2 com a rival Ponte Preta, na sexta rodada, antes de afastar-se dos gramados com lesão no tornozelo.

Após bom início de campeonato, quando conquistou duas vitórias e arrancou elogios do técnico Muricy Ramalho na terceira rodada, após a derrota por 2 a 0 para o São Paulo, no Brinco, o Guarani sucumbiu ás especulações de salários atrasados e racha no elenco e ficou doze jogos sem ganhar.

A vitória por 2 a 1 sobre o Mogi Mirim, fora de casa, a quatro rodadas do final da competição, deu novo ânimo à equipe. O frustrante empate com o Corinthians, com impressionante gol perdido por Fernando Gaúcho no minuto final de partida, e a virada nos minutos finais sofridos para o Mirassol, na 17ª e 18ª rodadas, apenas selaram a péssima campanha alviverde – o time terminou a competição na penúltima colocação, com 14 pontos conquistados.

2010 – Campeonato Brasileiro

Após quase cair para a Série A3 do Campeonato Paulista, o Guarani foi a grande sensação das sete primeiras partidas do Campeonato Brasileiro de 2010. Com três vitórias e três empates, o Bugre foi para a paralisação da Copa do Mundo na quinta colocação e com o artilheiro do Campeonato – Roger, com seis gols.

A saída do camisa nove para o exterior e a não contratação de reforços à altura, combinada com a queda de rendimento de medalhões como o zagueiro Fabão, o volante Renan e o meia Baiano, além do jovem Mazola, que chegou a atrair a atenção do técnico da Seleção, Mano Menezes, por conta das atuações na segunda metade do primeiro turno, culminaram em sequência de treze jogos sem vitória na reta final do Brasileirão.

Com 37 pontos, o Bugre terminou a campanha na 18ª colocação, sendo rebaixado na penúltima rodada após ser derrotado por 3 a 0 pelo Grêmio, no Brinco de Ouro.

2012 – Campeonato Brasileiro Série B

Cotado como um dos favoritos ao acesso após o vice-campeonato Paulista, o Guarani sofreu com as seguidas lesões de seus principais jogadores e não conseguiu engrenar na Série B deste ano. Apesar disso, o alviverde esteve focado no acesso durante grande parte do Campeonato.

Além de praticamente tirar o time da briga pelo G-4, o empate para o Vitória, na 25ª rodada, acabou abalando a confiança do elenco bugrino. Sem chances de acesso e pouco ameaçado pelos times da parte de baixo da tabela, o Guarani acabou relaxando em suas partidas seguintes. Após ficar seis partidas sem vencer, o técnico Vadão não resistiu a duas goleadas seguidas (por 5 a 0 para o Goiás, fora de casa, e por 3 a 0 para o América-MG, no Brinco) e pediu demissão.

Sem achar uma formação ideal, o substituto Vilson Tadei não conseguiu a reação desejada e acabou sendo mais um a cair com o Bugre. Dependendo apenas de si mesmo, o alviverde perdeu por 2 a 1 para o São Caetano em pleno Brinco de Ouro na última rodada da Série B e foi ultrapassado por São Caetano e CRB, terminando a competição na 18ª colocação após ter vencido apenas uma em suas últimas 14 partidas na competição.

O rebaixamento vem em momento político conturbado no Brinco de Ouro, já que o presidente Marcelo Mingone e toda a sua diretoria executiva renunciaram de seus cargos no dia 10 de novembro, deixando o time sem mandatário a duas rodadas do final da Série B.

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