Futebol/Reportagem - ( )

Paolo por causa de Rossi, Guerrero tem respeito ao Brasil no sangue

Bruno Ceccon e Marcos Guedes São Paulo (SP)

Em 1982, enquanto o Brasil sangrava sua segunda derrota mais dolorosa, José Guerrero vibrava com o futebol de Paolo Rossi. Os três gols do italiano em Sarriá não foram uma tragédia para o peruano, que se lembrou da partida quando Petronila Gonzáles ficou grávida, no ano seguinte.

“Antes que a criança nascesse, disse para a mãe: ‘Ele vai se chamar Paolo porque sou fã do Paolo Rossi’. Tenho um pouco de sangue italiano pelo lado da minha mãe e por isso quis chamá-lo assim. Era um centroavante goleador”, disse o pai do atacante, em entrevista por telefone à GE.net.

Guerrero aprendeu a cabecear “como Valeriano”
Em meio à indefinição, pai quer conhecer Timão

No respeito a Rossi, não havia despeito ao Brasil. Além do carrasco da equipe verde-amarela há 30 anos e de peruanos como Valeriano López e Perico León, Don José tem vários representantes do País onde hoje atua seu filho na lista de atletas que admira.

“O Brasil sempre teve muitos bons jogadores. Eu vi Julinho Botelho, Garrincha, Pelé, Didi, Djalma Santos, Zizinho, Ademir, goleiros como Castilho, Manga... Atletas extraordinários que vieram jogar amistosos no Peru”, comentou José, que transmitiu ao filho o sentimento.

Divulgação
Em razão do sucesso do filho no Mundial, Don José foi convidado a visitar o Alianza Lima, que formou o centroavante
Paolo chegou ao Corinthians dizendo que tinha Ronaldo como ídolo: “E mais ninguém”. Parecia um esforço do atleta para ganhar uma torcida que ainda não o conhecia tão bem, mas era uma resposta honesta de alguém que tinha 13 anos quando o Fenômeno ganhou sua primeira Bola de Ouro.

Entre uma e outra visita às praias de Lima, nas quais recebia aulas do pai sobre cabeceios e finalizações, Guerrero imitava o jogador de quem acabaria herdando a camisa 9 do Timão. Com ela, marcou os dois gols da campanha que deu ao clube o bicampeonato mundial.

Gazeta Press e AFP
Gazeta Press e AFP
Copa de 1982 nomeou outros atletas

Estrela maior da Copa do Mundo de 1982, Paolo Rossi não foi o único que serviu de inspiração para pais homenagearem seus filhos três décadas atrás. Além do peruano Paolo Guerrero, outros famosos atacantes do presente ganharam os mesmos nomes de jogadores envolvidos na Tragédia do Sarriá.

Até famílias do Brasil homenagearam os algozes italianos. Diego Tardelli, por exemplo, foi nomeado com o sobrenome de Marco Tardelli, companheiro de Paolo Rossi na seleção da Itália de 1982 e atual assistente técnico da Irlanda. O centroavante brasileiro seguiu a mesma carreira do ídolo do pai (José Tadeu, que também era jogador) e hoje defende o Al-Gharafa, do Catar.

Mesmo derrotado, no entanto, o esquadrão brasileiro de 1982  contribuiu com o batismo de alguns futuros atletas. O colombiano Falcao García, do espanhol Atlético de Madri, é um dos que ostentam o nome de Paulo Roberto Falcão.

“Ele está muito contente no Brasil. Sempre quis jogar no Brasil e sempre foi muito admirador do Ronaldo. Recordo uma vez em que ele tentou imitar a bicicleta do Ronaldo e me chamou para ver: ‘Papai, estou fazendo como o Ronaldo’”, contou José, referindo-se às famosas pedaladas do brasileiro.

Os laços do artilheiro com o País pentacampeão mundial estão também marcados em sua barriga. Entre as várias tatuagens do excêntrico jogador, figura em seu abdômen o rosto de Diego Henrique, de oito anos, o filho que teve com uma brasileira em sua época de Bayern de Munique.

Do Peru, Don José mantém uma distância grande do neto, que cresce no Rio de Janeiro, mas sonha levá-lo à praia para repetir as aulas que deu a Paolo nas areias de Lima. “Tomara que seja jogador. Ele já está grandinho, tem que aprender os segredos do futebol.”

A polêmica de 1978
Apesar de ter se inspirado em uma tragédia brasileira em Copa do Mundo para batizar Paolo, Don José não gosta de falar muito sobre outra tristeza do País onde mora o seu filho. No Mundial de 1978, a goleada por 6 a 0 da Argentina sobre o Peru eliminou o Brasil, que ficou com a terceiro lugar do torneio mesmo com uma campanha invicta. Os compatriotas de Guerrero teriam entregado a partida.

“Há muitas versões sobre isso. Mas, na verdade, não conheço a realidade. Não existem provas contundentes para afirmar que foi assim ou assado”, desconversou Don José, já satisfeitou porque o seu filho pagou a dívida dos peruanos - pelo menos com a torcida do Corinthians - ao ser campeão de outro Mundial.

*Colaborou Helder Júnior

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