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Longe de namorada, Pato encara via-crúcis por um 2014 bárbaro

Raul Flávio Drewnick* São Paulo (SP)

Alexandre Pato, que fará sua estreia neste domingo com a camisa do Corinthians, não se esquece do dia em que chegou para treinar no Milan usando um cachecol quadriculado, presente de sua então mulher, a atriz Sthefany Brito. Quando voltou do gramado, surpreendeu-se com as gargalhadas dos colegas nos vestiários e viu a peça de roupa servindo de apoio para garfo, faca, pratinho com frutas e um cartaz: “Piquenique do Pato”.

O bullying exercido pelos elegantes jogadores do Milan já não era mais novidade para o brasileiro. Nascido em Pato Branco-PR e tendo vivido desde os 10 anos nos alojamentos do Inter, no Rio Grande do Sul, o menino interiorano era vítima fácil no começo, mas levava na esportiva a maioria das brincadeiras do elenco rossonero.

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Vendido pelo Colorado antes mesmo de atingir a maioridade, o adolescente acabou superando tudo e teve uma rápida adaptação à Itália. Além de ouvir os conselhos do capitão Paolo Maldini, Pato teve como exemplos dois jogadores bem diferentes: primeiro, o bom-moço Kaká e, depois, o baladeiro Ronaldinho Gaúcho.

Sua personalidade foi forjada entre os dois opostos, pendendo levemente para o lado de Kaká. Aprendeu a se vestir bem, separou-se após nove meses e 13 dias da mulher que o presenteou com aquele inesquecível cachecol e chegou até a trabalhar como modelo depois de conquistar Barbara, filha do dono do clube e ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.

AFP
Antes vítima de bullying no Milan, Alexandre Pato mostrou elegância ao lado da namorada Barbara Berlusconi
“Ele chegou como um menino cheio de boa vontade e hoje é um homem conhecido mundialmente, muito mais responsável do que era, porque o futebol europeu dá condições para a transformação e o crescimento. O Pato passou por uma mudança radical em curto espaço de tempo. Deixou de ser uma promessa, um garotinho para ser um pai de família”, conta Cafu, capitão do pentacampeonato da Seleção Brasileira e que atuou pelo Milan entre 2003 e 2008.

De fato, Pato tem sido muito mais do que um simples namorado para Barbara Berlusconi nos dois últimos anos. Antes da apresentação no Corinthians, ambos passaram alguns dias de férias em St. Moritz, nos Alpes Suíços. As fotos registradas pelos paparazzi mostram o clima familiar com o jogador brincando com os pequenos filhos de sua amada, frutos do relacionamento com o banqueiro Giorgio Valaguzza.

“A situação é diferente de um Jesus Luz com a (cantora) Madonna. Jesus era apenas um modelo bonito - não uma celebridade. Madonna o fez ficar conhecido. Ele agora até faz novela, na Globo. O Pato é um ídolo do futebol”, opina o jornalista Nelson Rubens, âncora do programa “TV Fama”, da Rede TV!, sem aumentar nem inventar nem um ponto no conto de fadas futebolístico vivido pelo novo reforço corintiano.

Aos 28 anos, cinco a mais do que o jogador, Barbara garante viver com o brasileiro uma relação madura, que não será abalada pela distância. Inicialmente, não há planos para que ela se mude para o Brasil. Pato tem procurado imóveis em Higienópolis, Alphaville ou Jardins. Até a semana passada, estava dormindo em um dos 32 quartos de 3 metros quadrados do alojamento corintiano, onde já até divulgou uma foto deitado sobre uma colcha com o símbolo do Timão.

Seguindo o conselho de Emerson Sheik, que durante as férias avisou que não há espaço para estrelas no elenco corintiano, Pato tem feito grande esforço para demonstrar humildade. No primeiro dia, foi até o CT com uma calça simples e uma camisa polo branca, roupa parecida com a que usou em sua chegada ao Milan. Se lá a combinação deu início à série de piadas sobre a falta de elegância do jovem brasileiro, aqui passou despercebida.

Divulgação
Voltando às origens, Pato almoça e dorme no CT (fotos: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians e Reprodução/Instagram)
No CT do Corinthians, foi fotografado comendo no refeitório, repetiu roboticamente bordões da torcida, aceitou vestir boné da Gaviões e elogiou até o roupeiro. A distância da namorada bilionária e da rotina na Europa tem servido para Pato resgatar aquele menino que morava nos alojamentos do Inter e assombrou a todos ao arrasar o Palmeiras no dia 26 de novembro de 2007, sua estreia como profissional.

Com a camisa 7 alvinegra, ele terá pela frente campos esburacados do Paulistão, a maratona do Brasileirão e os perigos da Libertadores, com direito à catimba sul-americana e à altitude dos Andes. Os campeonatos serão uma via-crúcis em busca do futebol e da identidade perdidos. Uma espécie de Caminho de Santiago de Compostela futebolístico em que a linha de chegada, se tudo der certo, será a Copa de 2014 com abertura no Itaquerão.

“Penso primeiro no Corinthians, mas esta estrutura pode me levar à Seleção. Quero conhecer o Brasil porque saí daqui com 17 anos. Não vejo a hora de viajar, o que mais gosto é jogar futebol. Estou louco para jogar. Quero ser feliz com esse elenco”, afirma o jogador corintiano, ansioso para esquecer o histórico de lesões e realizar seu sonho de jogar o Mundial com a camisa canarinho.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Pato virou gavião e vestiu o boné para agradar aos torcedores do time do povo em sua apresentação
Em 2010, a frustração foi grande por ter visto de perto a Copa sem participar. Mesmo fora da convocação de Dunga, o jogador teve de viajar até a África do Sul para um evento de um patrocinador. Para que a história não se repita, o jogador conversou com Barbara Berlusconi e decidiu, com o aval dela, priorizar a carreira nos próximos 18 meses.

“Alguns jogadores atuam sem tantos prejuízos quando estão longe da família e outros sentem um pouco mais a distância de pais, mães, filhos e esposa. Pelas declarações, o Pato não se mostrou preocupado com o distanciamento em relação à Barbara. Acredito que isso não será um empecilho”, analisa João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte, com passagens por clubes como Corinthians, Palmeiras e Cruzeiro.

Fina estampa, jeito de menino e abdômen definido foram suficientes para conquistar Barbara. A partir deste domingo, Alexandre Pato terá a oportunidade de mostrar se sua versão ‘aqui é Corinthians’ será capaz de arrebatar o coração da Fiel e conseguir uma vaga com Scolari, chefe de uma ‘família’ bem mais seleta que a Berlusconi.

*Colaboraram Bruno Ceccon, Helder Júnior e Luiz Ricardo Fini

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