Atletismo/Mundial de Moscou - ( - Atualizado )

Após erro no Mundial, atletas expõem atrito no 4x100m feminino

André Sender Guarulhos (SP)

A equipe feminina do revezamento 4x100m esteve perto de conquistar uma medalha no Campeonato Mundial de atletismo, mas uma falha na última passagem de bastão acabou com as chances nacionais. O erro ainda expôs problemas de relacionamento entre algumas das integrantes do time.

No retorno ao País, após o fracasso no campeonato disputado em Moscou, as atletas divergiram sobre as causas que levaram ao erro, ocorrido quando o Brasil ocupava a segunda colocação da final. Vanda Gomes, atleta que fecharia a prova após receber o bastão de Franciela Krasucki, reclamou da falta de treinos no período de preparação, tese rebatida pelas outras integrantes do time.

“Já conversamos eu, a Evelyn (dos Santos) e a Fran e a gente está mais unida e com força para continuar treinando e representar o Brasil da melhor forma possível”, afirmou Ana Cláudia Lemos, que elogiou todas as integrantes do time, menos Vanda. “Um time a gente considera quando é unido. Ela não é unida com a gente. Então, não tenho o que falar dela. Não vou falar que somos melhores amigas, eu e Franciela. Mas temos respeito uma pela outra. Na hora do time, a gente é um time”, completou a velocista.

O problema de relacionamento entre as integrantes do 4x100m feminino ficou evidente logo após prova no Mundial de Moscou. Inconformada, Ana Cláudia Lemos afirmou ser inadmissível o erro ocorrer na final da competição, o que foi tomado por Vanda Gomes como um ataque a ela. Nas arquibancadas do estádio na capital russa, Rosângela dos Santos, que disputou a semifinal, chorou com a desclassificação do Brasil.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Ana Cláudia Lemos considerou inadmissível o erro na passagem do bastão na final do Mundial

Já Vanda deu declarações que geraram polêmica na relação com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). A velocista afirmou que passou 40 dias comendo e dormindo mal, mas nesta terça-feira relativizou as críticas ao período de preparação. As reclamações de falta de treino, no entanto, foram mantidas. E rebatidas pelas companheiras.

“Eu gostaria de ter treinado mais, não sei por que treinamos pouco. Fiz três treinos com a Fran na Alemanha e um na última sexta-feira, em que ela só fez uma passagem para mim. A questão não é mágoa. Mas quando acontece algum problema com as outras, eu e a Fran absorvemos as coisas, levamos o problema para o grupo. A gente nunca apontou o dedo para nenhuma delas. Apontaram para mim, falaram que é inadmissível o erro, quem disse que o erro é inadmissível não é humano”, reclamou Vanda.

Franciela Krasucki tentou adotar tom mais político em suas declarações, mas não escondeu a discordância dos argumentos apresentados pela companheira. Com Rosângela no lugar de Vanda na equipe, o Brasil quebrou o recorde sul-americano do 4x100m livre com a marca de 42s29 na semifinal, mas a formação teve que ser mudada porque a atleta carioca sofre com fascite plantar nos dois pés e poderia não aguentar a disputa da final. 

“A gente treinou um pouco menos, mas dizer que faltou treino acho que não pode. Se tivesse faltado, a gente não teria batido o recorde sul-americano. As duas primeiras passagens também foram muito boas, então não tem como falar que foi só falta de treino. A gente teve um azar do bastão cair, coisa que nunca aconteceu antes”, afirmou.

Outra polêmica entre as atletas foi gerada por uma publicação de Rosângela dos Santos em sua página no Facebook. A atleta, que voltou ao País antes das outras integrantes do 4x100m, disse ter ficado chateada com a perda da medalha e pediu que a companheira assumisse a falha na final.

“O que não pode é a pessoa não ter humildade para dizer: 'eu errei' e ou simplesmente pôr a culpa em quem não tem nada a ver pelos erros. É mais fácil eu sei, mas assumir a culpa chama-se caráter", diz o texto publicado por Rosângela.

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Vanda Gomes reclamou da falta de treinos, mas não ganhou apoio das companheiras

Vanda se defendeu, citando um problema na formação do time do 4x100m no Mundial de Daegu-2011. Segundo ela, problemas no entrosamento entre Ana Cláudia e Rosângela no último treino fizeram com que a ordem das atletas na prova tivesse que ser modificada às pressas, o que teria prejudicado o desempenho nacional.

“Em Daegu era para termos conquistado medalha também. A Ucrânia foi terceiro lugar lá e ganhamos dela no Mundial Militar aqui no Rio de Janeiro um mês antes. Mas como pelo jeito agora me pegaram para Cristo, reconheço meu erro. Só que não é só meu. E não é só da Fran, é do grupo. Essa coisas não podem mais acontecer”.

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