Futebol - ( - Atualizado )

Gobbi pede cobrança a autoridades, não a clubes: "Lé com lé, cré com cré"

Marcos Guedes São Paulo (SP)

Além de lamentar a invasão de mais de cem torcedores registrada no CT do Corinthians no último sábado, o presidente Mário Gobbi reagiu com certa irritação à cobrança de atitudes mais firmes do clube. De acordo com ele, são as autoridades que devem agir no sentido de penalizar os responsáveis por atos ilícitos em torno do futebol.

“Desculpe falar, mas vocês precisam cobrar quem tem o poder e o dever de atuar e fiscalizar as torcidas. O clube de futebol é um ente de esportes. Eu tenho que montar um grande time, ter um grande elenco, fazer o time jogar, dar show, dar espetáculo. Até aí, a responsabilidade é do clube. Agora, cuidar se o cara joga uma pilha não é função de uma entidade particular. Não adianta jogar em cima dos clubes isso aí. Aí, vou ter que abrir concurso público para fazer uma polícia no Corinthians”, afirmou.

“O Corinthians é um ente privado. Com reflexos no público, mas isso é outra coisa. Não queira cobrar de Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo uma função que não lhes pertence. Não tenho que fiscalizar se as torcidas combinaram briga, não é função minha. Há uma inversão de valores total. E, pior, estão cometendo a violência de punir clubes pela conduta do torcedor, como se o clube pudesse escolher quem torce e controlar o que ele faz na praça de esportes. Isso é a falência da Federação. Não da Paulista, da República Federativa do Brasil. Mais esse ônus para o clube não dá. Lé com lé, cré com cré. Cada um cuida do seu”, acrescentou.

Divulgação/Agência Corinthians
Mário Gobbi fez questão de deixar claras as diferenças para o caso Kevin Beltrán (foto: Daniel Augusto Jr.)
Em sua linha de argumentação, o dirigente recordou a briga entre vascaínos e corintianos em um jogo disputado no estádio Mané Garrincha, em Brasília, no último Campeonato Brasileiro. As imagens da violência foram exibidas à exaustão pela televisão sem que nenhuma punição tenha acontecido, exceção feita à esportiva, com perda de mandos de campo para as duas equipes.

“Recentemente, em Brasília, em um domingo, teve um clássico entre um clube da capital de São Paulo e o Flamengo. Saiu uma briga de torcidas, pessoas ficaram na UTI. Ninguém falou absolutamente nada sobre isso. No domingo seguinte, fomos jogar em Brasília contra o Vasco e saiu uma briga. A TV mostrou a imagem e o rosto de algumas pessoas. Eu pergunto: o que fez a autoridade policial de Brasília? E cabe ao Corinthians fazer? Não cobrem o que não cabe ao clube. Eu queria que todos que brigaram em Brasília fossem indiciados e presos”, disse Gobbi.

Na ocasião, as imagens permitiram a identificação de três dos torcedores que passaram meses presos na Bolívia, acusados de participação na morte do garoto Kevin Beltrán – atingido por um sinalizador na partida entre San José e Corinthians. Desta vez, a confusão no CT tinha ao menos um dos 12 torcedores que ficaram detidos na penitenciária San Pedro, em Oruro.

“Eu tenho respaldo para falar”, preparou-se o dirigente, que é delegado, contendo a irritação. “Foi bom você ter falado isso. Da mesma forma que eu não concordo que pessoas invadam o CT e pratiquem atos ilícitos penais aqui dentro, não posso concordar, como homem do Direito, que você pegue 12 pessoas aleatoriamente e coloque na cadeia para dar uma satisfação de que quem matou o Kevin estava preso.”

“Até hoje, a polícia de Oruro não descobriu quem foi o autor do (disparo do) luminoso que atingiu o menino. Você não paga um crime cometendo outro crime. Não espere de mim um apoio a uma prisão ilagel. Jamais. ‘Pô, mas cometeu esse crime aqui.’ Mas e este crime? É este que está em jogo. Em Oruro, houve um abuso total de poder, uma violência a direitos, como foi aqui a invasão. Não posso concordar. Meu compromisso é com a cidadania, com pessoas, com direitos que devem ser respeitados”, acrescentou Gobbi.

O presidente do Corinthians prometeu contribuir de todas as maneiras com a investigação do incidente do último final de semana e prometeu fazer uma solicitação de apuração dos fatos à polícia. O clube diz que cederá imagens de vídeo, fotos e testemunhos. E pede a punição de todos os culpados, entre eles os anteriormente defendidos pela agremiação no caso Kevin.

“Não importa se os caras estavam Oruro, Bauru ou Jaú. Se um dos 12 de Oruro aparece aqui, vai responder pela conduta igual aos outros. O Corinthians não defende a impunidade, não encobre atos ilícitos. O Corinthians quer que aqueles que estragam o futebol sejam eliminados do esporte”, concluiu o cartola.

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