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21/08/2002
foto Djalma Vassão/ Gazeta Press
Por Marta Teixeira

O técnico da seleção brasileira feminina de basquete, Antonio Carlos Barbosa, reconhece que o tempo trabalha contra a preparação da equipe para o Campeonato Mundial, de 14 a 25 de setembro, na China. Mas isto não surpreende nem diminui sua confiança para o torneio. "Temos de administrar as dificuldades. Diminuir o espaço entre as dificuldades e o real", assegura.

O grande problema é a incorporação tardia das atletas que estavam no exterior. Nesta temporada, nove jogadoras da seleção atuaram no exterior enquanto a equipe iniciava sua preparação para o Mundial. Oito estavam nos Estados Unidos, na WNBA - Janeth, Claudinha, Kelly, Cíntia Tuiú, Helen, Adrianinha, Erika e Iziane -, além de Alessandra, que jogou na Coréia.

Foto Divulgação
A ala Janeth (d) é uma das brasileiras que estava na WNBA

Barbosa retoma os treinamentos do time nesta quarta-feira, em Americana, com o reforço de algumas destas atletas. Kelly e Cíntia Tuiú apresentam-se com certeza e Claudinha pode juntar-se ainda nesta quarta, ou no máximo até a manhã de quinta-feira. Alessandra e Adrianinha devem chegar até sexta-feira e Iziane até sábado. Nessa terça, antes de saber da desclassificação da equipe de Janeth, Barbosa não contava com o reforço de nenhuma outra jogadora antes do embarque para a Austrália, dia 31.

Desta quarta até a estréia no Mundial, dia 14 contra a China, Barbosa terá um mês para colocar o Brasil nos eixos e torcer para que todas as atletas estejam em seu melhor momento. As dificuldades provocadas pelos desfalques de jogadoras importantes não são novidade para o técnico. Ele enfrentou o mesmo problema para as Olimpíadas de Sydney/2000, mas desta vez o alcance é maior. "Nas Olimpíadas tivemos problemas com três jogadoras, agora são nove".

Apesar da dor-de-cabeça extra que a saída de jogadoras provoca, Barbosa diz que seria difícil impedir esta movimentação. "O ideal seria que jogassem sempre no Brasil, disputando campeonatos fortíssimos. Mas sabemos que a realidade não é essa. Elas não podem abrir mão de participar de um campeonato forte".

Mas a ausência na maior parte do período de preparação da seleção é apenas a ponta do problema de Barbosa. O grande obstáculo para o trabalho do técnico é o fato de cada jogadora voltar com uma condição física diferente. A variação é resultado das diferenças de aproveitamento das brasileiras por suas equipes.

"Seria bom que todas tivessem no mínimo 20 minutos de média e retornassem para 30 ou 40 dias de preparação, mas não é isto que acontece", explica o treinador. Para Barbosa, as jogadoras que voltam podem ser divididas em três grupos bem específicos. "Temos Janeth, que jogou bastante, depois vem Helen, Adrianinha e Cíntia, que jogaram um tempo razoável e temos também Iziane e Claudinha que jogaram muito pouco".

Por causa disso, cada uma delas retorna com um nível de condicionamento físico diferente, que exige um trabalho específico da comissão técnica. "Sabemos que em função disto, a dificuldade maior é física e tática", completa o auxiliar técnico, Paulo Bassul.

Foto: Gazeta Press
Paula também acha difícil saber como as jogadores voltarão da temporada no exterior

A ex-jogadora Paula, campeã mundial em 94, tem opinião semelhante. "Antigamente, era importante receber jogadoras de fora. Infelizmente hoje, a maior parte das jogadoras tem que sair. Mas eu não vejo com bons olhos esta saída porque você não sabe como elas vão voltar".

Mesmo assim, Barbosa está seguro que a seleção com as estrangeiras é a melhor formação para o Mundial. "Mundial e Olimpíada não é momento para fazer experiência", diz referindo-se aos cortes de jogadoras que estavam com a seleção no início dos treinos em julho. "Desde o início sabíamos que não treinávamos o time para o Mundial. Esta equipe (que começou os treinamentos) é para o Pan e o Sul-americano do ano que vem. Já estamos dando experiência e preparando para disputar lugares na equipe. A partir do ano que vem sim, quando começa um novo ciclo olímpico".

Aproveitamento das brasileiras

Confira como foi a média de desempenho das brasileiras na fase de classificação da WNBA nesta temporada:

Jogadora

Nº de jogos

Tempo em quadra

Pontos

Rebotes

Janeth* (Houston Comets)

32

34min9

11,4

3,9

Helen (Washington Mystics)

32

14min8

5,8

1,0

Erika (Los Angeles Sparks)

11

3min7

1,3

1,1

Adrianinha (Phoenix Mercury)

32

19min3

1,9

6,0

Kelly (Detroit Shock)

12

14min1

2,7

3,7

Iziane (Miami Sol)

19

9min6

0,9

3,5

Claudinha (Miami Sol)

20

9min7

0,4

1,9

Cíntia Tuiú (Orlando Miracle)

26

1min3

0,77

3,4

* Foi titular em todos os jogos

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