| Por Marta Teixeira
O técnico da seleção brasileira feminina
de basquete, Antonio Carlos Barbosa, reconhece que o tempo
trabalha contra a preparação da equipe para
o Campeonato Mundial, de 14 a 25 de setembro, na China. Mas
isto não surpreende nem diminui sua confiança
para o torneio. "Temos de administrar as dificuldades.
Diminuir o espaço entre as dificuldades e o real",
assegura.
O grande problema é a incorporação tardia
das atletas que estavam no exterior. Nesta temporada, nove
jogadoras da seleção atuaram no exterior enquanto
a equipe iniciava sua preparação para o Mundial.
Oito estavam nos Estados Unidos, na WNBA - Janeth, Claudinha,
Kelly, Cíntia Tuiú, Helen, Adrianinha, Erika
e Iziane -, além de Alessandra, que jogou na Coréia.
| Foto Divulgação |
 |
| A ala Janeth (d) é uma das brasileiras que estava
na WNBA |
Barbosa retoma os treinamentos do time nesta quarta-feira,
em Americana, com o reforço de algumas destas atletas.
Kelly e Cíntia Tuiú apresentam-se com certeza
e Claudinha pode juntar-se ainda nesta quarta, ou no máximo
até a manhã de quinta-feira. Alessandra e Adrianinha
devem chegar até sexta-feira e Iziane até sábado.
Nessa terça, antes de saber da desclassificação
da equipe de Janeth, Barbosa não contava com o reforço
de nenhuma outra jogadora antes do embarque para a Austrália,
dia 31.
Desta quarta até a estréia no Mundial, dia
14 contra a China, Barbosa terá um mês para colocar
o Brasil nos eixos e torcer para que todas as atletas estejam
em seu melhor momento. As dificuldades provocadas pelos desfalques
de jogadoras importantes não são novidade para
o técnico. Ele enfrentou o mesmo problema para as Olimpíadas
de Sydney/2000, mas desta vez o alcance é maior. "Nas
Olimpíadas tivemos problemas com três jogadoras,
agora são nove".
Apesar da dor-de-cabeça extra que a saída de
jogadoras provoca, Barbosa diz que seria difícil impedir
esta movimentação. "O ideal seria que jogassem
sempre no Brasil, disputando campeonatos fortíssimos.
Mas sabemos que a realidade não é essa. Elas
não podem abrir mão de participar de um campeonato
forte".
Mas a ausência na maior parte do período de
preparação da seleção é
apenas a ponta do problema de Barbosa. O grande obstáculo
para o trabalho do técnico é o fato de cada
jogadora voltar com uma condição física
diferente. A variação é resultado das
diferenças de aproveitamento das brasileiras por suas
equipes.
"Seria bom que todas tivessem no mínimo 20 minutos
de média e retornassem para 30 ou 40 dias de preparação,
mas não é isto que acontece", explica o
treinador. Para Barbosa, as jogadoras que voltam podem ser
divididas em três grupos bem específicos. "Temos
Janeth, que jogou bastante, depois vem Helen, Adrianinha e
Cíntia, que jogaram um tempo razoável e temos
também Iziane e Claudinha que jogaram muito pouco".
Por causa disso, cada uma delas retorna com um nível
de condicionamento físico diferente, que exige um trabalho
específico da comissão técnica. "Sabemos
que em função disto, a dificuldade maior é
física e tática", completa o auxiliar técnico,
Paulo Bassul.
| Foto: Gazeta Press |
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| Paula também acha difícil saber como
as jogadores voltarão da temporada no exterior
|
A ex-jogadora Paula, campeã mundial em 94, tem opinião
semelhante. "Antigamente, era importante receber jogadoras
de fora. Infelizmente hoje, a maior parte das jogadoras tem
que sair. Mas eu não vejo com bons olhos esta saída
porque você não sabe como elas vão voltar".
Mesmo assim, Barbosa está seguro que a seleção
com as estrangeiras é a melhor formação
para o Mundial. "Mundial e Olimpíada não
é momento para fazer experiência", diz referindo-se
aos cortes de jogadoras que estavam com a seleção
no início dos treinos em julho. "Desde o início
sabíamos que não treinávamos o time para
o Mundial. Esta equipe (que começou os treinamentos)
é para o Pan e o Sul-americano do ano que vem. Já
estamos dando experiência e preparando para disputar
lugares na equipe. A partir do ano que vem sim, quando começa
um novo ciclo olímpico".
Aproveitamento das brasileiras
Confira como foi a média de desempenho das brasileiras na
fase de classificação da WNBA nesta temporada:
|
Jogadora
|
Nº de jogos
|
Tempo em quadra
|
Pontos
|
Rebotes
|
|
Janeth* (Houston Comets)
|
32
|
34min9
|
11,4
|
3,9
|
|
Helen (Washington Mystics)
|
32
|
14min8
|
5,8
|
1,0
|
|
Erika (Los Angeles Sparks)
|
11
|
3min7
|
1,3
|
1,1
|
|
Adrianinha (Phoenix Mercury)
|
32
|
19min3
|
1,9
|
6,0
|
|
Kelly (Detroit Shock)
|
12
|
14min1
|
2,7
|
3,7
|
|
Iziane (Miami Sol)
|
19
|
9min6
|
0,9
|
3,5
|
|
Claudinha (Miami Sol)
|
20
|
9min7
|
0,4
|
1,9
|
|
Cíntia Tuiú (Orlando Miracle)
|
26
|
1min3
|
0,77
|
3,4
|
* Foi titular em todos os jogos
|