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29/12/2002

2002 sacode a poeira para um 2003 melhor
Masculino: Mudança no comando da seleção
Feminino: Frustração rende promessa de mudanças

 

2002 sacode a poeira para um 2003 melhor

Abalos no basquete nacional e internacional foram a marca da temporada 2002 na modalidade. A tradicional e cíclica crise interna de patrocínio deu, mais uma vez, a tônica nas disputas nacionais, enquanto o cenário internacional passou por uma nova remodelação, com resultados inesperados em importantes competições.

Foto Gazeta Press

O desempenho brasileiro nas competições internacionais mais importantes do calendário no ano, os Campeonatos Mundiais, abriram uma polêmica acirrada sobre a manutenção do comando nas seleções brasileiras masculina e feminina. Os meninos voltaram para casa com o oitavo lugar em Indianápolis, enquanto as meninas tiveram de se contentar com a sétima colocação na China. Estes desempenhos já levaram à saída do técnico Hélio Rubens Garcia do comando do time masculino, no começo de dezembro. Enquanto a situação de Antônio Carlos Barbosa permanece em aberto, sem que o presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Gerasime Grego Bozikis, tenha garantido ou negado sua permanência no posto em definitivo.

Mas não foi apenas no Brasil que a temporada que termina provocou abalos. Mais uma vez, a seleção norte-americana sentiu o peso da pressão externa e sofreu uma das piores humilhações de sua história. Em Indianápolis - onde já havia sofrido sua primeira derrota doméstica em 1987 para o Brasil nos Jogos Pan-americanos -, os norte-americanos viram sua seleção cair três vezes durante o Mundial. E, desta vez, o sabor foi ainda mais amargo que no Pan, porque todos seus jogadores eram veteranos na NBA, a liga profissional tida como a melhor do mundo no esporte. Verdade, que o grupo não contou com as verdadeiras estrelas da liga. Shaquille O'Neal, Kobe Bryant, Tim Duncan, Jason Kidd, que haviam brilhado na última temporada, não passaram nem perto do estado de Indiana. No final, a seleção norte-americana tinha o terceiro ou quarto escalão da NBA. Mas era da NBA...

A inesperada sexta colocação deixou a Associação Norte-americana de Basquete (USA Basketball), responsável pela seleção, de cabelo em pé. Se por causa do Pan, os Estados Unidos deram um jeito de conseguir autorização internacional para que seus atletas profissionais pudessem representar o país nos torneios da Federação Internacional (Fiba), agora a USA Basketball trabalha para que o melhor da NBA esteja no grupo.

Esperança é o que não falta. Com o comando do técnico Larry Brown, do Philaldelphia 76ers, os norte-americanos prometem arrasar no Pré-olímpico de 2003. É ver para crer, já que O'Neal deixou nas entrelinhas que só defenderia a seleção se o comando estivesse nas mãos de Phil Jackson, seu técnico no Los Angeles Lakers.

Mas o Campeonato Mundial não cobrou seu preço apenas aos norte-americanos. Apesar do quinto título da Iugoslávia, a competição provou que muita coisa mudou na modalidade desde o torneio de Atenas, em 1998. Apenas três das seis seleções que ficaram nas primeiras classificações na Grécia marcaram presença no topo também em Indianápolis.

Um dos principais destaques foi, sem dúvida a Argentina, responsável pela primeira derrota norte-americana no torneio. O time argentino fez uma campanha perfeita e perdeu apenas para a Iugoslávia na final. Outras boas surpresas na competição foram produzidas por Porto Rico (7º) - que derrotou os iugoslavos e os espanhóis – e a Nova Zelândia (4º), que não era encarada como potência, mas chegou às semifinais e deu trabalho aos iugoslavos na hora de definir a vaga para a decisão.

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