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Por Marta Teixeira
Vice-campeã (Atlanta-96) e medalha de bronze (Sydney-2000)
olímpica, a pivô Marta Sobral deixou de vestir
a camisa da seleção brasileira desde os jogos
da Austrália, mas nunca se afastou do basquete. Fora
das quadras desde o final do ano passado, Marta quer usar
sua experiência como atleta para explorar outra área:
quer implantar um projeto social através do esporte.
Com um projeto pronto em baixo do braço e a vontade
de ajudar jovens a conseguir o que de melhor a vida puder
oferecer ela se dispõe a peregrinar pelo país
em busca de apoio. Comunicativa e bem-humorada, Marta não
esconde a animação com a perspectiva de fazer
a diferença com sua iniciativa.
| Foto Divulgação |
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| Marta com o presidente Lula (no alto) e com o ministro
da Cultura Gilberto Gil |
Por enquanto, tudo está apenas no papel. Mas ela já
levou o projeto para várias Prefeituras no Rio e em
São Paulo e fez contatos até no Planalto. "Não
importa o lugar. Se me mandar para o Acre eu vou", diz
determinada. "O que eu quero é que outras pessoas
tenham a mesma oportunidade que eu".
A proposta da pivô é conseguir convênio
com alguma Prefeitura para implantar o projeto em escolas.
"Mas não é para trabalhar só com
os alunos e sim com o bairro", explica.
O alvo são jovens de 5 a 19 anos, meninos e meninas,
passando o que aprendeu. "Vamos começar com o
basquete e depois incluir outras modalidades. O basquete anda
muito esquecido, conhecida hoje só tem a Janeth",
questiona.
Marta resolveu incluir adolescentes mais velhos no programa
por acreditar que eles precisam de atenção especial.
"São muitos os que ficam na rua e essa idade é
que é mais complicada", explica sem se preocupar
em descobrir apenas novos campeões.
A busca de parceiros para a iniciativa começou no
final de 2003. Em novembro, a pivô voltou ao Brasil
após quase cinco meses na África. "Fui
contratada por Maputo para o Campeonato Africano." Mas
na quadra mesmo, Marta pôde ficar pouco tempo. "Fiz
dois jogos no Congo e sofri uma lesão no tendão
de Aquiles com dez dias de Campeonato". Marta teve que
passar por uma cirurgia e não voltou para o torneio.
O resto do contrato ela acabou funcionando como "assistente
do assistente técnico", brinca. Nesse meio tempo,
ela acabou descobrindo um outro lado da África. "A
gente só vê falar na pobreza, Aids. Mas não
tem só isso. Me apaixonei pela cidade".
Na África, a pivô aproveitou para fazer turismo
e ainda teve a oportunidade de conseguir contatos importantes
para seu atual projeto. "Visitei o Parque de Limpopo
(reserva ecológica na África do Sul) e é
maravilhoso", lembra encantada. Na África do Sul,
para onde foi ser operada, Marta teve um encontro inesperado
com o ministro dos esportes Agnelo Queiroz, e com o presidente
da república Luiz Inácio Lula da Silva.
"Fui com um amigo a uma palestra e a Benedita (a ministra
da Ação Social Benedita da Silva) me reconheceu.
Ela me conhecia da Olimpíada de Atlanta. Ela me viu
e foi falar comigo, o Agnelo estava do lado e levantou para
me cumprimentar. Imagina, menina", diz rindo. "Me
apresentaram ao presidente, que beijou minha mão",
encanta-se a jogadora. "Eu fui falando para o amigo que
estava comigo: Oswaldo, bate a foto", ri.
O encontro casual rendeu mais esperanças de obter
apoio ao seu projeto social. "Eu e o presidente temos
uma história parecida. Aprendi a jogar basquete em
quadra de cimento com bola de capotão. Nós dois
viemos do ABC, e conquistei as coisas com muito trabalho.
Ele também".
A primeira coisa que Marta fez quando voltou ao Brasil foi
procurar o ministro para apresentar seu projeto. "Liguei
para o ministro, que disse ser esse o objetivo do PT. Mandei
o texto para ele". Agora, ela espera uma resposta do
Governo Federal ou de uma das Prefeituras com as quais já
fez contato para colocar as mãos na massa.
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