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| Curiosidades
da campanha |
| - Entrou na zona do rebaixamento na
quarta rodada e nunca mais saiu.
- Foi lanterna em 32 das 38 rodadas.
- Aproveitamento de 14,91% dos pontos foi o pior dos
últimos 12 anos na Série A.
- Em 34 anos de disputa do Nacional, somente dois times
foram pior em torneios com mais de 20 participantes:
o União São João de Araras-SP em
1995, com 13,04% de aproveitamento, e o Sergipe em 1972,
que conquistou 14,67% dos pontos que disputou.
- As 29 derrotas acumuladas no Brasileirão de
2007 fazem do Mecão a equipe mais perdedora da
história da competição.
- O clube ostenta a pior média de gols marcados
desde 1993, com 0,63 gols por jogo. Há 14 anos,
Atlético-MG e Botafogo tiveram média de
0,5 gols.
- O América foi mandante do segundo menor público
da Série A em 2007: América-RN 0 x 3 Juventude,
em 01/09/2007, quando o Machadão recebeu 1.446
espectadores.
- A equipe potiguar fecha o Brasileiro com o maior
número de cartões amarelos (96) e a terceira
com mais expulsões (10).
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Por William Correia, especial para
a GE.Net
A palavra planejamento tem sido corriqueira desde a implantação
do Campeonato Brasileiro por pontos corridos, em 2003. Nos
últimos cinco anos, a capacidade de prever as dificuldades
em um torneio de aproximadamente sete meses é apontada
como principal responsável pela conquista dos campeões.
Por outro lado, a falta de organização também
faz vítimas na parte de baixo da tabela, e, em 2007,
ela foi fatal de maneira histórica para o América
de Natal.
Depois de se tornar a primeira equipe a subir dentro de campo
da Série C para a Série A em dois anos, o clube
potiguar viu ruir sua ascensão da pior maneira possível:
amargou a última colocação da primeira
divisão com apenas 17 pontos em 38 jogos e o rebaixamento
decretado a sete rodadas do final da competição.
Mais do que isso, o aproveitamento de 14,91% dos pontos foi
o pior das últimas 12 temporadas. Nas 37 edições
do Nacional, somente dois times tiveram desempenho pior, quando atuaram, pelo menos, 20 vezes na temporada: o União São
João-SP em 1995, com 13,04% de aproveitamento,
e o Sergipe em 1972, que conquistou 14,67% dos pontos que
disputou. Para completar, as 29 derrotas acumuladas no Brasileirão
de 2007 tornam o Mecão a equipe mais perdedora da história
da competição em uma edição.
Diante deste cenário negativo, o diagnóstico
de vários dos envolvidos põe a culpa no Campeonato
Potiguar. Nele, o Dragão liderou a primeira fase do
estadual com folga, somando 15 pontos a mais que o time que
detinha a segunda melhor campanha, o ABC. As finais com resultado
adverso diante do arqui-rival, no entanto, sentenciaram o
desempenho do clube por toda temporada.
Após o empate por 1 a 1 na partida de ida, a goleada
por 5 a 2 sofrida na volta fez com que o presidente Gustavo
Carvalho trocasse a comissão técnica capitaneada
por Estevam Soares e boa parte do elenco. Opção
que, segundo a maioria, resultou na triste campanha no Brasileiro.
“A perda do campeonato para o ABC gerou uma mudança
radical. Nós tomamos de cinco! O presidente Gilberto
Carvalho achou que tinha que mudar, talvez não fosse
a equipe que ele esperava para a Série A. Quis motivar
a torcida e dispensou muita gente”, explica um dos profissionais
americanos mais antigos, o médico Maeterlinck Rêgo
Mendes, que viu centenas de técnicos irem e virem nos
36 anos em que está no clube. “Em todo esse tempo,
nunca tinha visto uma campanha como essa no Brasileiro”.
Contudo, o vice-presidente de assuntos ligados ao futebol,
Ricardo Bezerra justifica a estratégia, apesar de admitir
o equívoco. “Nós erramos no início
do planejamento. No estadual, o América foi o melhor
em toda a competição, mas fizemos a avaliação
do plantel em campos ruins, duros, pequenos. Fomos bem pela
fragilidade dos adversários. Não tínhamos
condição de permanecer com a comissão
técnica. Apesar de gostarmos do trabalho do Estevam
Soares, eles (ABC) estavam na Série C e a gente na
A. Qualquer clube é assim. Imagina se o Flamengo perde
do Vasco por cinco gols...”, compara.
Porém, as justificativas não servem para um
dos que mais sofreram com a opção americana: o
técnico Lori Sandri, que iniciou o Brasileiro com a equipe.
“O América começou errado. Não houve
um preparo com a perda do titulo estadual. Íamos começar
o campeonato no dia 13, eu cheguei dia 3 e nem goleiro tinha.
Eles contrataram o Renê em São Paulo na quarta,
ele assinou no aeroporto e jogou no domingo com oito quilos
a mais”, conta o treinador, que encarou os problemas
durante toda a preparação para as oito partidas
em que esteve à frente do time.
“Na primeira folga, mais ou menos na sexta rodada,
fizemos avaliações físicas. Dos 28 jogadores,
26 estavam abaixo do normal. Apenas o Arlon e mais um foram
aprovados. Na época, não divulgamos para não
criar tumulto. Levamos o caso para a diretoria e vimos que
teríamos muita dificuldade”, relata.
| Foto Fernando Pilatos/Gazeta Press |
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| São Paulo comemora o gol que lhe deu o título, enquanto o América-RN só lamenta. Uma cena rotineira dos potiguares. |
Marcelo Veiga, técnico do time nas 13 rodadas seguintes
à saída de Lori, faz coro na crítica
ao planejamento. “Se eu pensar só no Estadual,
me preocupar em ser campeão, eu caio no Brasileiro.
Tem que contratar jogador para o ano todo, se preocupar em
se manter bem e ter regularidade no Brasileiro. Não
fazer loucura, aí o time não agüenta”,
ensina o treinador, que deixou Natal para voltar ao Bragantino
e ser campeão da Série C.
Os jogadores também concordam com seus comandantes
e culpam as decisões imediatistas tomadas pela diretoria.
“O clube vinha de ascendência na Série
B, deveria acontecer a permanência de atletas. Nossa
equipe é limitada. Se você traz vários
a uma semana da competição já dificulta
bastante”, condena o meia Leandro Sena, presente nos
dois acessos seguidos do América desde 2005.
O goleiro Sérvulo, titular no fim da temporada, foi uma das vítimas
desta política. Logo depois do Campeonato Potiguar, não
teve o vínculo renovado, mas retornou na semana anterior
ao Brasileiro porque não havia arqueiro reserva. “Meu
contrato acabou com o estadual e não queriam renovar,
mas o Marcelo Bonan, que era titular, se machucou e renovaram”,
relembra, lamentando a decisão dos dirigentes na época.
“O grupo do estadual era um bom time, estava bem entrosado.
Mas a diretoria ficou com raiva”.
Para agravar ainda mais a situação americana,
que já figurava na zona de rebaixamento desde a quarta
rodada, o rodízio de jogadores continuou, na tentativa
de montar um time dentro da competição. Ao todo,
53 atletas entraram em campo com a camisa da equipe pelo Brasileiro,
e o clube fecha 2007 com o alarmante número de 47 dispensas
durante a temporada. Isso sem contar as quatro comissões
técnicas que passaram pela equipe – Paulo Moroni
comandou os rubros nos últimos 17 jogos do Nacional.
“Com certeza isso atrapalhou. Quem entende um pouquinho
de futebol sabe que é difícil trabalhar assim”,
diz Leandro Sena, acompanhado por seus treinadores. “Fizeram
uma rotatividade muito grande. Isso não dá segurança
para o grupo, nem para o jogador”, emenda Marcelo Veiga.
“Se mantivessem a estrutura, com algumas modificações,
teriam menos dificuldade no Brasileiro”, completa Lori
Sandri.
Entretanto, há quem não condene a dispensa
em massa. “Não podemos culpar o presidente. Depois
que acontece é fácil dizer, ninguém tomaria
essa decisão. Mas tinha que ser tomada uma posição.
Se perde uma final de cinco, tem que mudar. Hoje em dia, vemos
que isso serviu de exemplo e espero que não aconteça
mais”, afirma o supervisor de futebol Carlos Moura Dourado.
E até Leandro Sena isenta os diretores. “Quando
a coisa não dá certo, tem que haver mudança.
A diretoria buscou de todas as formas, mas isso não
foi possível. O futebol é muito complexo. Às
vezes, você faz uma coisa sem muito fundamento e dá
certo. Às vezes você planeja, se projeta, injeta
dinheiro e não dá. Dava tempo para se programar
e objetivar a permanência na Série A. Foram cinco
meses até começar o Brasileiro. Mas não
jogo a culpa na direção, cada setor teve sua
parcela de culpa: nós jogadores, as comissões
técnicas...”, opina.
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