Voltar para a home Quarta, 03 de Dezembro de 2008 Home Fale conosco. Receba o boletim   Ir para a Gazeta Press
 
08/08/2008
Montagem sobre foto Gazeta Press

Por Carolina Canossa

1 - MUITAS
Judô, Ginástica artística, Vôlei, Vôlei de praia, Vela e Futebol

2 - BOAS
Atletismo, Natação, Hipismo, Maratonas aquáticas e Taekwondo

3 - ALGUMAS
Basquete, Saltos ornamentais e Triatlo

4 - POUCAS
Handebol, Tênis, Boxe, Nado sincronizado, Ginástica rítmica, Ciclismo e Canoagem

5 - MILAGRE
Tiro, Tiro com arco, Levantamento de peso, Lutas,
Tênis de mesa, Esgrima, Remo e Pentatlo

**Termômetro das chances brasileiras em Pequim: quanto mais quente, mais próximo das medalhas.

No primeiro ciclo olímpico completo sob a vigência da Lei Piva, criada em 2002, e com o impulso da Lei de Incentivo ao Esporte, que entrou em vigor neste ano, o Brasil ainda está bem longe da promessa que Carlos Arthur Nuzman fez quando assumiu o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em 1995. Na ocasião, o dirigente afirmou que o Brasil seria uma potência olímpica dentro de 12 anos.

Porém, passado um ano a mais do prazo estipulado, é inegável que a situação melhorou. Ainda assim, que ninguém espere em Pequim uma chuva de medalhas como a vista no ano passado, durante os Jogos Pan-americanos. Isso porque, além de ter um nível técnico extremamente inferior ao que será visto, a competição continental foi disputada no Rio de Janeiro e, tradicionalmente, países que competem em casa têm um aumento considerável em suas conquistas.

Ciente de tais variáveis, o Ministério do Esporte estabelece para Pequim uma meta bem mais modesta - e real. “Minha convicção é que em Pequm vamos ter o melhor desempenho da história do Brasil. Eu espero que a nossa delegação seja a maior da história, que a gente dispute mais finais e ganhe mais medalhas, inclusive de ouro”, afirma o ministro Orlando Silva.

O primeiro item, quantidade de competidores, já foi cumprido: com 277 atletas, a delegação verde-amarela na China é a maior da história, além de bater o recorde de mulheres com 132 inscritas. Das competições que serão realizadas na China, somente basquete masculino, badminton, beisebol, hóquei sobre a grama, pólo aquático, softbol e trampolim não contarão com representantes do país.

Em termos de quantidade, a melhor participação verde-amarela na história dos Jogos Olímpicos se deu em Atlanta-1996, quando Brasil ganhou 15 medalhas (três de ouro, duas de prata e nove de bronze). Olhando-se pelo aspecto da qualidade, o posto fica com Atenas-2004, quando os representantes do país ficaram com cinco medalhas de ouro, duas de prata e três de bronze.

Em comparação a quatro anos atrás, as principais chances de pódio do Brasil continuam praticamente as mesmas: atletismo, futebol, ginástica artística, hipismo, judô, natação, vela, vôlei de quadra e de praia. Sem Janeth e tentando se recuperar do repentino corte de Iziane, o basquete feminino, quarto colocado na Grécia, vê suas chances de subir ao pódio diminuírem, ao passo que o taekwondo deixa de ser zebra para se tornar uma possibilidade real de ganhar medalha com Natália Falavigna, campeã mundial em 2005.

Em algumas modalidades, como a natação, é inegável a evolução do país. Porém, o crescimento no nível internacional andou tão rápido que, apesar de possuir nomes como Thiago Pereira, César Cielo e Kaio Márcio, é bastante improvável que o Brasil volte a ter um atleta com a prata no peito, como Gustavo Borges conseguiu em 1992 e 1996.

Por outro lado, no atletismo o país tem chances reais de ouro nosalto em distância e no salto triplo, respectivamente com Maurren Maggi e Jadel Gregório. Diego Hypólito, da ginástica, foi uma das melhores surpresas surgidas nos últimos quatro anos e é o principal candidato a subir no ponto mais alto do pódio na prova de solo, assim como a jovem Jade Barbosa se tornou esperança no salto, solo e no individual geral.

As chances de o país finalmente conquistar um ouro feminino em esportes coletivos também são grandes e estão depositados no vôlei e no futebol. Por sua vez, o técnico Dunga conta com o talento de Ronaldinho Gaúcho e Alexandre Pato para acabar com a incômoda marca de o futebol pentacampeão mundial jamais ter sido o melhor em uma Olimpíada.

No judô, os competidores brasileiros tentarão manter o bom retrospecto através da força dos campeões mundiais João Derly, Tiago Camilo e Luciano Correa. Esporte que mais deu medalhas ao país, a vela também tem sua leva de “melhores do mundo” com a dupla de Star Robert Scheidt/Bruno Prada e Ricardo Winick, do RS:X masculino, vencedores do Mundial da Federação Internacional de Vela (Isaf), realizado de quatro em quatro anos, cuja última edição foi em 2007 - trata-se de uma disputa considerada mais forte que o Mundial que cada categoria promove anualmente.

É desta forma que o Brasil entra na competição em Pequim, que promete uma eletrizante briga entre Estados Unidos e China pela primeira posição no quadro de medalhas. Além dos números, um bom desempenho nos Jogos pode significar um impulso para a candidatura do Rio de Janeiro à edição de 2016 da disputa – mas, por via das dúvidas, Lula visitou a China para tentar angariar o apoio dos donos da casa e saiu otimista. “O presidente Hu Jintao compreendeu, assim como o presidente do Parlamento chinês, que a América do Sul nunca teve uma Olimpíada”, afirmou. Enfim, uma colaboração dos atletas seria muito bem vinda.

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