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Guga: Não tenho nada
a ganhar. Faço isso pelo tênis brasileiro
| Foto Divulgação |
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“Não tenho nada a adquirir com uma atitude como essa, mas
precisava fazer alguma coisa”. Pensando no tênis brasileiro,
o catarinense Gustavo Kuerten (foto) confirmou na tarde
desta terça-feira, em coletiva em Florianópolis, que
não jogará a Copa Davis, enquanto a gestão Nelson Nastás permanecer
à frente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).
Guga classificou a sua atitude como um ato para aproveitar
a era Guga e tentar mudar o atual quadro do esporte no país.
“Se eu continuasse parado e as coisas continuassem assim,
poderia passar cinco, dez anos passar esta era Guga e voltar
para o esquecimento de novo. Não é isso que quero e a minha
decisão engloba muito mais gente”, avaliou.
O catarinense tenta usar sua imagem e credibilidade para
reverter a situação drástica do tênis, que carece de investimentos
e um trabalho consistente nas categorias de base. “Faço isso
mais em prol do tênis. Eu não tenho nada a adquirir com uma
atitude como essa, a não ser usar minha imagem e o respeito
que adquiri para mostrar que tem muita gente descontente”,
disse.
Guga afirma que tem conversado com muitos outros tenistas
e vem recebendo apoio em suas opiniões. “Sinto que tenho uma
abertura legal com outros, o descontentamento não é só meu,
os juvenis, os profissionais, os técnicos estão todos descontentes.
Alguém tinha de fazer algo. Sei que não terá uma mudança da
água para o vinho agora, mas a longo prazo vai ser importante”,
apontou.
Há sete anos na Davis, Guga negou que o maior problema com
a CBT são as acusações de desvios financeiros e má utilização
de verbas públicas, como vem acusando o grupo de oposição
ao atual presidente. “De conta, não sei nada, não estou envolvido
e não estou questionando. Não é o meu papel, tem outras pessoas
correndo atrás e isso vai vir à tona. O que quero é mudança
na parte técnica, em como são as feitas as coisas. Não existe
clareza, um trabalho que as coisas vão funcionar bem, defender
as coisas da melhor forma possível”, ressaltou.
O brasileiro espera agora que as pessoas reflitam sobre
o atual momento do esporte, para que possam ocorrer mudanças.
“Senti que era o momento de tomar uma atitude, pode ser a
curto ou longo prazo, mas o que quero é o que presidente tome
mais inicativa, faça o tênis crescer, tenha respeito com os
atletas da Davis, que é quem defende e bota a cara para bater.
Isso que precisamos e isso que defendo”, encerrou.
Veja abaixo como está a posição dos principais tenistas brasileiros
para o duelo:
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Tenista
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Ranking
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Decisão
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Gustavo Kuerten
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16º
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Não joga Davis. Foi o primeiro a anunciar publicamente
o boicote
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Flávio Saretta
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46º
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Não joga Davis
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Ricardo Mello
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132º
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Tenista da equipe de Saretta (PlayTennis), ele deve
acompanhar o companheiro de academia
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Marcos Daniel
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192º
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Deve boicotar, mas ainda não anunciou a decisão publicamente
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André Sá
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198º
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Não joga Davis
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Franco Ferreiro
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232º
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Treinado por Ricardo Acioly, ex-capitão da Davis, deve
ficar fora da Davis
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Francisco Costa
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265º
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Não joga Davis
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Bruno Soares
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266º
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Não joga Davis
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Alexandre Simoni
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304º
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Não joga Davis
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Júlio Silva
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353º
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Deve boicotar, mas ainda não anunciou a decisão publicamente
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Pedro Braga
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367º
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Não joga Davis
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Ronaldo Carvalho
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400º
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Não joga Davis
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Cronologia
2/julho/2003
– Federação Catarinense (FCT) lidera movimento e entra
na Justiça para reinvidicar atas das assembléias de
2000, 2001 e 2002, documentos contábeis dos mesmos anos
e pagamento de taxas da Copa Davis do duelo entre Brasil
e França, em 2000
7/setembro/2003
– FCT ganha apoio de outras oito federações e entra
com pedido para cancelar assembléia da CBT.
21/setembro/2003
– Brasil perde do Canadá por 3 a 2, e cai para a Zona
Americana da Copa Davis. Reunião entre jogadores, Nastás
e o capitão da Davis, Ricardo Acioly no hotel pede mudança
no comando da entidade. Nastás se revolta com atitude
de Acioly.
9/dezembro/2003
– Assembléia ordinária (referente a 2003) e extraordinária
(referente a 2001 e 2002) da CBT é suspensa pela Justiça,
com liminar obtida pelo grupo liderado pela FCT. A CBT
cassa liminar e realiza a assembléia extraordinária,
à revelia das federações.
21/fevereiro/2004
– A dois dias do Torneio de Costa do Sauípe, Nastás
anuncia a saída de Acioly do comando da Davis. Oncins
assume o lugar, Nastás passa Carnaval em Bruxelas e
jogadores são comunicados às pressas pelo novo capitão.
Reunião em hotel na Bahia termina com jogadores criticando
postura de Oncins, que é pressionado a deixar o cargo.
22/fevereiro/2004 –
Guga e o técnico Larri Passos criticam publicamente
a postura da CBT na troca do capitão, e reclamam sobre
a falta de consulta aos atletas. Guga expõe a sua insatisfação
com a gestão Nastás e diz que tênis precisa mudar. Saretta
acompanha a opinião do catarinense.
23/fevereiro/2004
– Começa torneio em Sauípe. Polêmica em torno da troca
de capitão gera discussões e atletas começam a firmar
possível movimento de boicote à Davis.
29/fevereiro/2004 –
Guga é campeão em Sauípe e volta a criticar Nastás.
“Fui número um do mundo, estou no torneio mais importante
do Brasil, sou campeão e o presidente da CBT não está”.
Começam ligações entre Saretta, Sá, Guga e Oncins.
9/março/2004 –
Guga anuncia que não joga a Davis em virtude das divergências
com a atual administração da CBT.
10/março/2004 –
Saretta acompanha Guga e movimento ganha respaldo de
dezenas de tenistas. Oncins renuncia ao posto de capitão
da Davis. Sede da CBT é tomada por policiais, que cumprem
mandado de busca e apreensão de documentos contábeis
e atas de assembléias.
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