GERAÇÃO
2004
Título Mundial conquistado pela seleção juvenil revela
nova safra
de jogadoras para as próximas Olimpíadas
| foto: joão pires/jump |
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| A ponta Jaqueline foi eleita a melhor jogadora
do Campeonato Mundial Juvenil e está na mira de Motta
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Joanna de Assis
Empenhado na renovação da seleção brasileira feminina de
vôlei, o técnico Marco Aurélio Motta pode ter em suas mãos
a opção que deu a Bernardinho a geração vencedora dos anos
90. Afinal, a conquista do título mundial pela equipe juvenil
feminina sinaliza que novos nomes do vôlei nacional estão
surgindo.
Quando assumiu o time feminino, Bernardinho, que agora está
à frente do selecionado masculino, tinha o desafio de renovar
o time, que estava perdendo estrelas como Isabel, Ana Richa
e Jacqueline. Marco Aurélio tem pela frente tarefa semelhante.
Arrumar substitutas para as posições deixadas pela ponta
Leila (que trocou o vôlei de quadra pelo vôlei de areia),
e a levantadora Fernanda Venturini (que abandonou as quadras
definitivamente).
As seleções juvenis campeãs mundiais em 1987 e 1989, revelaram
os maiores nomes da década seguinte. É o caso de Ana Moser,
por exemplo, que surgiu no time de 87 e foi convocada logo
em seguida pelo técnico Jorge Barros, o Jorjão, que comandava
a equipe adulta. Ana tinha apenas 18 anos.
A versão 2001 de Ana Moser é a atacante Jaqueline, do BCN/Osasco,
apontada com unanimidade como o grande destaque do time
campeão mundial este ano.
O próximo Campeonato Brasileiro também será uma ótima oportunidade
para Marco Aurélio avaliar melhor as atletas. "A Superliga
será uma boa oportunidade para essas jogadoras mostrarem
seu valor", analisa o técnico Bernardinho, que também não
deixou de apontar outro destaque da equipe juvenil, além
da ponta Jaqueline: a levantadora Ana Cristina. "Tem muitas
atletas com potencial no juvenil e a Jaqueline é uma delas.
A Ana Cristina é uma excelente levantadora também", avalia.
Se fizermos uma análise das gerações do vôlei feminino brasileiro,
veremos que Isabel, Vera Mossa, Ana Moser, Fernanda Venturini,
Ana Flávia, Hilma, Leila, Virna, entre outras, estouraram
no juvenil e em um período máximo de seis anos se destacaram
nas equipes adultas. "Podemos fazer esta mesma projeção
para estas meninas e veremos que daqui a alguns anos muitas
delas estarão conquistando bons resultados pela seleção
adulta", avalia Antônio Rizolla, técnico da Seleção Juvenil.
"O Marco Aurélio vai poder aproveitar algumas jogadoras
para a equipe principal, só não sei se ele vai fazer isso
agora ou mais para frente", observa José Roberto Guimarães
(ouro em Barcelona/92), que foi técnico da seleção juvenil
em 91, quando a equipe ficou com o vice.
Recife revela talento e musa
A grande promessa da Seleção é a jovem Jaqueline, que foi
descoberta por acaso, quando jogava em Recife. Uma olheira
do BCN indicou a atleta para o time de Osasco. Reconhecida,
entre outras qualidades, pela determinação, a atacante tem
um sonho. "Vou lutar para chegar à seleção principal e jogar
as Olimpíadas de 2004", afirma.
O técnico do BCN, José Roberto Guimarães, chega a comparar
Jaqueline a Ana Moser, que foi uma das maiores jogadoras
do Brasil. "É bom saber que ele confia em mim", diz. "A
minha inspiração mesmo veio da Virna". Sua companheira é
toda elogios. "Ela é guerreira, impetuosa, assim como toda
nordestina", apóia Virna.
A beleza exótica da pernambucana de 17 anos chama a atenção
e a coloca como a substituta natural de Leila, que foi para
o vôlei de praia. Jaqueline é vista pelos torcedores como
o novo símbolo sexual do vôlei nacional. Mas o coração dela
tem dono: o também jogador de vôlei Murilo Endres, irmão
do meio-de-rede da equipe adulta, Gustavo.
Eles, mais altos. Elas, mais baixas
Pela primeira vez na história, as seleções juvenis brasileiras,
feminina e masculina, conquistaram o título do Campeonato
Mundial. Mas a única coisa em comum nos dois times é o talento.
A altura, é inversamente proporcional. Os jovens do masculino
estão mais altos que os da seleção principal, as meninas
estão mais baixas.
O oposto Leandro, 18 anos e 2,12m, é um dos destaques. "Ele
será o melhor jogador do mundo", profetiza o técnico José
Roberto Guimarães. O juvenil é quatro centímetros mais alto
que a média dos jogadores da equipe principal masculina.
Evandro Guerra, 19 anos, também contribui para o aumento
dessa média, com seus 2,07m.
Entre as mulheres a situação é oposta. As campeãs mundiais
juvenis não têm na altura seu ponto forte. Enquanto as novatas
têm 1,82m, as veteranas têm 1,85m.
Para Zé Roberto, isso não é necessariamente um problema,
porque nem todas as atletas serão aproveitadas futuramente.
Técnico da seleção está de olho
Em 1987, a seleção brasileira juvenil feminina de vôlei
conquistou seu primeiro Campeonato Mundial. Márcia Fu, Ana
Moser e Fernanda Venturini eram algumas das jogadoras que
ajudaram o Brasil a levantar a taça. O técnico? Marco Aurélio
Motta, que após dedicar alguns anos às categorias de base
(de 84 a 88), resolveu se arriscar no comando da seleção
principal. Preocupado com a renovação da equipe, o treinador
já está observando as atletas que se destacaram no Campeonato
Mundial.
Segundo o assistente técnico da seleção feminina, Luizomar
Moura, Marco Aurélio virá a São Paulo para assistir a alguns
jogos da Supercopa dos Campeões, que está sendo realizada
durante essa semana em Osasco. Marco Aurélio não descarta
a possibilidade de utilizar as juvenis na equipe adulta.
"Vamos ver isso com calma. Elas podem ser inseridas aos
poucos, ou aproveitadas na Seleção B", explica Motta. "O
título mundial é um indicador", finaliza.
A geração de bronze
ANA MOSER
Ana Moser surgiu na seleção no Mundial Juvenil de 87. Foi
bronze nos Jogos de Atlanta (96) e prata no Mundial/94,
no Brasil.
MÁRCIA FU
Márcia Fu surgiu no Mundial Juvenil de 87. Na seleção adulta
foi bronze em Atlanta/96, campeã do GP em 94 e vice mundial/
94.
FERNANDA VENTURINI
A levantadora começou na seleção adulta em 1988 e ganhou
medalha de bronze nas Olimpíadas de Atlanta/96. Foi campeã
mundial juvenil em 87 e 89.
ANA PAULA
Ana Paula estreou na seleção principal em 91 e conquistou
o bronze nas Olimpíadas de Atlanta/96. Foi revelada na conquista
do Mundial Juvenil de 89.