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26/02/2007
Montagem sobre fotos Divulgação

Exterior guarda alguns riscos, mas satisfaz

A proposta de salários pelo menos três vezes maiores no exterior é o principal motivo para a saída de diversos jogadores de vôlei brasileiros no país. O que eles esquecem, porém, são os problemas aos quais estão sujeitos lá fora, desde simples diferenças de treinamento até frio intenso e atrasos de salários, que podem comprometer bastante o rendimento dos atletas.

E se engana quem pensa que isso não acontece com jogadores de destaque. Medalha de bronze com o Brasil nas Olimpíadas de Sidney e campeã do Grand Prix em 2005, Raquel, atualmente no Finasa/Osasco, não teve somente bons momentos no Zarechie Odintsovo, vice-campeão russo na temporada 2005/2006. “Frequentemente tive problemas com atraso de salários. Tudo era de acordo com o rendimento, mas no final eles me pagaram”, comentou a atleta. “Lá, dificilmente é tudo certinho”, emenda.

Atletas brasileiros jogando no exterior
  Temporada 2006-2007
  Masculino Feminino
Alemanha 2 5
Argentina
24 2
Áustria
2 -
Bélgica
7 -
Chipre
1 -
Coréia do Sul
2 3
Croácia - 1
Dinamarca 1 1
Eslováquia - 2
Eslovênia 1 -
Espanha 44 47
Finlândia 2 7
França 21 6
Grécia 8 1
Israel 6 -
Itália
37 19
Japão 3 1
Kuwait 1 -
Polônia - 1
Porto Rico 5 -
Portugal 42 30
Catar 13 -
Romênia 1 -
Rússia
- 3
Sérvia
1 -
Suíça
10 23
Turquia 8 5
  242 157
  399
Também com passagem pelo JT Tababco, do Japão, Raquel relata a pressão de ser uma atleta brasileira em um mercado “alternativo”. “Aqui, uma estrangeira é a estrela, mas lá você é apenas mais uma. Tem que decidir tudo e carregar o time nas costas”, relata a atacante. Ela, porém, deixa claro que não se arrepende da experiência. “Escolhi ir para lá para buscar novos desafios e ganhei em vários aspectos, principalmente o cultural. O nível técnico também era melhor do que eu imaginava”, comenta.

Meio-de-rede da seleção brasileira até meados de 2004, Henrique, atualmente na Unisul é outro que também passou por maus bocados no exterior, mas garante que aceitaria uma proposta para deixar o Brasil novamente. “Fui para o Latina achando que havia uma boa estrutura e quando vi não era tudo que eu imaginava. O ginásio e a academia eram ótimos, mas eles pecavam principalmente na parte de fisioterapia e no pagamento de salários”, relembra o atleta.

De volta ao Brasil desde o começo desta temporada, ele acredita que o momento é de permanecer por aqui. “Os clubes daqui, até os pequenos, se preocupam muito com a estrutura e isso é muito bom. Às vezes, a Itália é um sonho para muitos atletas, mas pode ser bobeira ir para lá. Tem que conversar bastante com ex-atletas dos clubes para não perder qualidade de vida”, aponta o craque, feliz em Florianópolis.

Atleta do OMS Senica, campeão da Eslováquia, a central Edna Elisa dá a dica para atletas que pretendem sair do país. “Procurei saber as reais condições do clube e suas ambições. É muito importante você ter alguém confiável para cuidar desses assuntos, ainda mais quando se trata de profissão e envolve dinheiro. Há muitos por aí se passando por empresários e na verdade não têm capacitação pra isso, e o pior, ainda tomam dinheiro das atletas”, afirma a jogadora, empresariada pelo próprio marido.

Com passagem pelo Panasonic, do Japão, em 2001, Nalbert reclama que teve problemas com o baixo nível do campeonato local. “Para mim, foi bom pelo lado financeiro, além da temporada ser mais curta. Tecnicamente, porém, foi péssimo”, admite o atleta.

Apesar de sua passagem pelo Latina coincidir com a perda de seu espaço na seleção brasileira, Henrique acredita que os dois fatos não estão relacionados. “Com certeza aqui o Bernardinho tem acesso mais fácil ao que estou fazendo, mas conversei e ele me disse que eu não estou descartado”, revela.

Levantadora do Osasco, Fabiana Berto, que passou pelo espanhol Universidade de Burgos, relata que o sistema de treinamento também é diferente. “Aqui os treinamentos são mais intensos e os jogos mais competitivos. Eu costumava completar por conta própria, mas não teve jeito: quando voltei senti um pouco, principalmente a parte física”, comenta a jogadora. Atleta do Vakifbank Istanbul, da Turquia, Nikolle, ex-Pinheiros, confirma a perda. “Não se tem muito tempo para uma preparação pesada, pois temos jogos a cada dois ou três dias”, conta.

Além da responsabilidade de levar o time nas costas, com a qual diz ter se adaptado, Nikolle também teve problemas com a comunicação. “Até aprendi um pouco, mas falar turco é missão impossível, então vamos na mímica, ainda mais porque o técnico é ucraniano e não fala inglês”, explica. Ela admite, porém, que se arriscou ao deixar o país. “No Brasil, sabemos muito bem quem paga e quem não paga e fora é um tiro no escuro”, completa.

Vale ressaltar, porém, que os problemas não são uma regra e todos os entrevistados pela Gazeta Esportiva.Net se dizem satisfeitos com a sua passagem pelo exterior. Primeira brasileira a se aventurar na Coréia do Sul, Andréia Sforzin, do GS Caltex, resume a situação. “Aqui recebo três, quatro vezes mais do que receberia no Brasil, sendo que a temporada aqui tem um período menor. A estrutura também é fantástica e contamos com tudo do bom e do melhor. Difícil mesmo é a saudade do Brasil, mas isso tudo vale a pena”, garante.

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