| Exterior guarda
alguns riscos, mas satisfaz
A proposta de salários pelo menos três vezes
maiores no exterior é o principal motivo para a saída
de diversos jogadores de vôlei brasileiros no país.
O que eles esquecem, porém, são os problemas aos
quais estão sujeitos lá fora, desde simples diferenças
de treinamento até frio intenso e atrasos de salários,
que podem comprometer bastante o rendimento dos atletas.
E se engana quem pensa que isso não acontece com jogadores
de destaque. Medalha de bronze com o Brasil nas Olimpíadas
de Sidney e campeã do Grand Prix em 2005, Raquel, atualmente
no Finasa/Osasco, não teve somente bons momentos no
Zarechie Odintsovo, vice-campeão russo na temporada
2005/2006. “Frequentemente tive problemas com atraso
de salários. Tudo era de acordo com o rendimento, mas
no final eles me pagaram”, comentou a atleta. “Lá,
dificilmente é tudo certinho”, emenda.
| Atletas
brasileiros jogando no exterior |
| |
Temporada
2006-2007 |
| |
Masculino |
Feminino |
| Alemanha |
2 |
5 |
Argentina
|
24 |
2 |
Áustria
|
2 |
- |
Bélgica
|
7 |
- |
Chipre
|
1 |
- |
Coréia do Sul
|
2 |
3 |
| Croácia |
- |
1 |
| Dinamarca |
1 |
1 |
| Eslováquia |
- |
2 |
| Eslovênia |
1 |
- |
| Espanha |
44 |
47 |
| Finlândia |
2 |
7 |
| França |
21 |
6 |
| Grécia |
8 |
1 |
| Israel |
6 |
- |
Itália
|
37 |
19 |
| Japão |
3 |
1 |
| Kuwait |
1 |
- |
| Polônia |
- |
1 |
| Porto Rico |
5 |
- |
| Portugal |
42 |
30 |
| Catar |
13 |
- |
| Romênia |
1 |
- |
Rússia
|
- |
3 |
Sérvia
|
1 |
- |
Suíça
|
10 |
23 |
| Turquia |
8 |
5 |
| |
242 |
157 |
| |
399 |
Também com passagem pelo JT Tababco, do Japão,
Raquel relata a pressão de ser uma atleta brasileira
em um mercado “alternativo”. “Aqui, uma estrangeira
é a estrela, mas lá você é apenas
mais uma. Tem que decidir tudo e carregar o time nas costas”,
relata a atacante. Ela, porém, deixa claro que não
se arrepende da experiência. “Escolhi ir para lá
para buscar novos desafios e ganhei em vários aspectos,
principalmente o cultural. O nível técnico também
era melhor do que eu imaginava”, comenta.
Meio-de-rede da seleção brasileira até
meados de 2004, Henrique, atualmente na Unisul é outro
que também passou por maus bocados no exterior, mas
garante que aceitaria uma proposta para deixar o Brasil novamente.
“Fui para o Latina achando que havia uma boa estrutura
e quando vi não era tudo que eu imaginava. O ginásio
e a academia eram ótimos, mas eles pecavam principalmente
na parte de fisioterapia e no pagamento de salários”,
relembra o atleta.
De volta ao Brasil desde o começo desta temporada,
ele acredita que o momento é de permanecer por aqui.
“Os clubes daqui, até os pequenos, se preocupam
muito com a estrutura e isso é muito bom. Às
vezes, a Itália é um sonho para muitos atletas,
mas pode ser bobeira ir para lá. Tem que conversar
bastante com ex-atletas dos clubes para não perder
qualidade de vida”, aponta o craque, feliz em Florianópolis.
Atleta do OMS Senica, campeão da Eslováquia,
a central Edna Elisa dá a dica para atletas que pretendem
sair do país. “Procurei saber as reais condições
do clube e suas ambições. É muito importante
você ter alguém confiável para cuidar
desses assuntos, ainda mais quando se trata de profissão
e envolve dinheiro. Há muitos por aí se passando
por empresários e na verdade não têm capacitação
pra isso, e o pior, ainda tomam dinheiro das atletas”,
afirma a jogadora, empresariada pelo próprio marido.
Com passagem pelo Panasonic, do Japão, em 2001, Nalbert
reclama que teve problemas com o baixo nível do campeonato
local. “Para mim, foi bom pelo lado financeiro, além
da temporada ser mais curta. Tecnicamente, porém, foi
péssimo”, admite o atleta.
Apesar de sua passagem pelo Latina coincidir com a perda
de seu espaço na seleção brasileira,
Henrique acredita que os dois fatos não estão
relacionados. “Com certeza aqui o Bernardinho tem acesso
mais fácil ao que estou fazendo, mas conversei e ele
me disse que eu não estou descartado”, revela.
Levantadora do Osasco, Fabiana Berto, que passou pelo espanhol
Universidade de Burgos, relata que o sistema de treinamento
também é diferente. “Aqui os treinamentos
são mais intensos e os jogos mais competitivos. Eu
costumava completar por conta própria, mas não
teve jeito: quando voltei senti um pouco, principalmente a
parte física”, comenta a jogadora. Atleta do
Vakifbank Istanbul, da Turquia, Nikolle, ex-Pinheiros, confirma
a perda. “Não se tem muito tempo para uma preparação
pesada, pois temos jogos a cada dois ou três dias”,
conta.
Além da responsabilidade de levar o time nas costas,
com a qual diz ter se adaptado, Nikolle também teve
problemas com a comunicação. “Até
aprendi um pouco, mas falar turco é missão impossível,
então vamos na mímica, ainda mais porque o técnico
é ucraniano e não fala inglês”,
explica. Ela admite, porém, que se arriscou ao deixar
o país. “No Brasil, sabemos muito bem quem paga
e quem não paga e fora é um tiro no escuro”,
completa.
Vale ressaltar, porém, que os problemas não
são uma regra e todos os entrevistados pela Gazeta
Esportiva.Net se dizem satisfeitos com a sua passagem
pelo exterior. Primeira brasileira a se aventurar na Coréia
do Sul, Andréia Sforzin, do GS Caltex, resume a situação.
“Aqui recebo três, quatro vezes mais do que receberia
no Brasil, sendo que a temporada aqui tem um período
menor. A estrutura também é fantástica
e contamos com tudo do bom e do melhor. Difícil mesmo
é a saudade do Brasil, mas isso tudo vale a pena”,
garante.
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