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Solidariedade nas trocas comerciais

Jacqueline Tiveron Manfrin, especial para o Cidadania

Foto Divulgação
A Feira de Trocas Solidárias é realizada no Viaduto do Glicério, no bairro da Liberdade, em São Paulo
 
INFORMAÇÕES
Feira de Trocas Solidárias
Rua Dr. Lund, 361 - Liberdade - São Paulo (SP)
bancodetrocasolidarias@yahoo.com.br
Viaduto do Glicério – paralela a Rua dos Estudantes e travessa da Avenida Conselheiro Furtado
Com o objetivo de fortalecer a economia solidária, o Banco Comunitário organiza a Feira de Trocas Solidárias do Centro de São Paulo, com o objetivo de construir um sistema econômico que esteja a serviço do bem-estar coletivo e não apenas do enriquecimento de poucos. O grupo também pretende aproximar as pessoas, promovendo, assim, a partilha e a união necessária para o desenvolvimento do comércio solidário.

O Banco de Trocas Solidárias do Centro de São Paulo é gerido por um comitê formado pelos integrantes da AMRMC (Associação Minha Rua Minha Casa), que são alunos do PESC-USP (Programa de Extensão Universitária da Universidade de São Paulo) e da ITCP-FGV (Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Fundação Getúlio Vargas). Segundo Felipe Bannitz, coordenador técnico da Incubadora Tecnológica, eles são os responsáveis pela metodologia, pelo conhecimento técnico e pela assessoria tecnológica. As Incubadoras fazem a capacitação dos profissionais, mas quem as executa realmente é o projeto Minha Rua Minha Casa.

“Trabalhamos com a filosofia da pedagogia empreendedora, onde desenvolvemos processos educativos para treinar as pessoas que estão fora do mercado de trabalho, para que eles sejam capazes de produzir suas próprias coisas”, explica Felipe. A proposta é conduzir o trabalho a uma democratização econômica e o Banco de Trocas acredita que ele seja uma alternativa para melhorar a questão do desemprego e o poder de compras das pessoas. “Diante da concentração de renda das grandes empresas, é cada vez maior a quantidade de trabalhos precários, a falta de carteira assinada. Estamos vivendo uma verdadeira crise no mundo do trabalho, sem nenhuma seguridade social”, conclui o coordenador Felipe Bannitz.

Empreendimentos fortes

A economia solidária utiliza o termo empreendimento para se referir às empresas, cooperativas ou associações de pequeno porte, que funcionam de forma solidária. Atualmente, o Ministério do Trabalho também aborda a questão. O Banco de Trocas oferece créditos em dinheiro para que estes empreendimentos possam crescer e se desenvolver, sempre orientando o consumo e criando políticas de fomento e consumo interno para as cooperativas.

“O nosso objetivo é resgatar o papel dos bancos, que acreditamos que seja o de fomentar a economia local e oferecer o crédito para que estes empreendimentos possam crescer e se fortalecer no mercado”, acredita Felipe Bannitz. “Para isso, nós emprestamos o dinheiro e ajudamos os grupos a montar uma linha de produção, oferecendo suporte para que eles consigam aumentar a viabilidade econômica”. São dez empresas associadas no Banco de Trocas Solidárias e os principais produtos comercializados são de alimentação, confecção, produtos de limpeza, artesanato e reciclagem.

Além do apoio financeiro no fornecimento dos créditos, o Banco também auxilia na capacitação produtiva e administrativa dos empreendimentos e estimula a comercialização dos produtos. A maioria destes trabalhadores se encontra em situação de vulnerabilidade social. São moradores de rua, mulheres vítimas da violência doméstica, pessoas com mais de 40 anos que estão desempregadas, catadores de material reciclável e terceira idade.

“Durante dois anos, os empreendimentos recebem um atendimento mais intenso, no processo de incubadora. No meu caso, a GV é a responsável por levar este conhecimento e, após este tempo, eles passam a criar uma rede de relacionamento e nós prestamos um serviço de assistência mais pontual”, conta o coordenador Bannitz. Os resultados ficam nítidos, especialmente na qualidade dos produtos. Os profissionais passam a fazer um resumo mensal dos gastos, uma espécie de balanço financeiro. Também começam a pontuar o destino dos investimentos, aprendem a planejar e avaliar melhor as práticas do mercado.

  EDIÇÃO DE JULHO 2008

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